Raquel Pereira – uma cebolinha no Dubai

Letícia Neto - Seixo do Côa - Sabugal - Capeia Arraiana - orelha

Onde pára hoje a Raquel? Estava aqui um pouco sem saber o que escrever e sobre o que escrever quando me interrompi com o seguinte pensamento: estará a Raquel a dormir no Dubai ou andará ela aí pelos ares? É, tenho uma amiga que é hospedeira de bordo. NA EMIRATES. É paga para ir a lugares incríveis vestida de mulher bonita.

Raquel Engrácia Pereira - de Vila Boa para a Emirates

Raquel Engrácia Pereira – de Vila Boa para a Emirates

A Raquel é uma filha da terra. Nasceu em Vila Boa. Estudou na Cerdeira e mais tarde (logo no sexto ano) mudou-se para a escola do Sabugal, onde nos conhecemos. É da minha idade ou uns meses mais nova, como ela gosta de se gabar. Antes de a conhecer a prima dela disse-me que ela era meia apancadada. E tinha razão. Tem uma pancada que exijo a todas as minhas amigas.
Não sei bem quando é que ela decidiu que queria que a vida dela passasse por andar acima das nuvens e muito perto do céu, mas a partir de certa altura passou a ser clara a vontade. O curso de turismo em Chaves, o curso de hospedeira em Santiago de Compostela, novamente o turismo em Viana do Castelo e, depois de um não cá em Lisboa, a ida para Inglaterra a fim de afinar o english. Um ano depois concorreu novamente à companhia aérea dos Emirados. Todo o esforço não podia ser em vão e em maio do ano que passou lá foi ela, sozinha (acompanhada apenas pelo sonho) para Abu Dhabi. Quase todos os dias falamos das aventuras de mais uma viagem. À cidade do Cabo. À Austrália, à Nova Zelândia… em pouco mais de meio ano já deu a volta a meio mundo e no Natal teve a sorte de poder escolher o destino da sua viagem. Escolheu vir a casa matar saudades dos dela e das tradicões. Mostrar às colegas da Emirates (através do Instagram) como Portugal é tão bonito.
A história da Raquel quase que parece simples, assim lida. E é, porque ela a tornou assim. Nem sempre ser emigrante é um drama. E as pessoas não são dignas de ser alvo de reparo e orgulho quando são velhas e morrem. A Raquel não nasceu em berço de ouro.
Boa semana e se alguém vir um avião algures… talvez a minha amiga cebolinha de Vila Boa vá lá dentro.
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«Calhaus há muitos… Seixo há um», crónica de Letícia Neto

2 Responses to Raquel Pereira – uma cebolinha no Dubai

  1. Soraia Pestana diz:

    Um texto muito bom! Parabéns Leticia! Parabéns também à minha pitinha , fico feliz por teres concretizado aquilo que tanto desejavas ! Um beijinho grande

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