O valor estratégico da Serra da Estrela

Paulo Leitão Batista - Contraponto - © Capeia Arraiana (orelha)

O importante e necessário esforço de valorização da Serra de Malcata como destino turístico no futuro, não deve turvar o olhar para o presente e, neste momento, a maior possibilidade do Sabugal captar turistas está na Serra da Estrela.

A neve traz pessoas à Serra

A neve traz pessoas à Serra

A Serra da Estrela tem um turismo regular, mas com picos sazonais, nomeadamente no Carnaval, Páscoa e fim-de-ano. Boa parte dos turistas que demandam a serra fazem-no em família com o objectivo de ver a neve.
Porém a subida à Torre para contemplar a neve e passear ou escorregar sobre ela, torna-se penoso nos momentos de grande afluência, porque a serra não reúne condições estruturais para receber muita gente. Faltam alternativas de acesso, locais de estacionamento, pontos de abrigo e de lazer que acolham os que procura as alturas.
Isso é particularmente visível no Carnaval, altura em que as escolas interrompem as aulas por três dias, o que proporciona às famílias uma escapadela com alojamento na região. E como a serra não comporta uma visita continuada, as pessoas fazem périplo pela região envolvente. Ganham com isso as aldeias históricas, incluindo Sortelha, mas também as terras onde há feiras e outras iniciativas com atractividade. Não é por acaso que nos dias do Entrudo há sempre feira do queijo em Seia, Gouveia, Fornos e Celorico da Beira. É também nessa altura que Pinhel apresenta a Feira das Tradições, Almeida aposta na Feira do Fumeiro e Manteigas tem a Expo Estrela, Mostra de Actividades Económicas.
O Sabugal poderia aproveitar melhor este manancial de gente que vem à região, mas teima em não apresentar iniciativas mobilizadoras e capazes de captar turistas.
Veja-se o caso de Pinhel, que vai este ano apresentar a 21ª Feira das Tradições, nos dias 5, 6 e 7 de Fevereiro. O certame desenvolve-se num grandioso e acolhedor espaço fechado, com capacidade para instalar duas centenas de stands, de empresas, associações e entidades oficiais, prevendo-se que seja visitado por 40 mil pessoas.
Do programa consta muita animação, a cargo dos grupos do concelho, mas também de bandas e DJs da actualidade, destacando-se como «cabeças de cartaz» a actuação dos Xutos e Pontapés, Diogo Piçarra e o DJ Mastiksoul.
É assim, como Pinhel faz, que se capta a vaga que procura a serra e depois deambula por estas terras, à procura de algo interessante e apelativo.
:: ::
«Contraponto», opinião de Paulo Leitão Batista

leitaobatista@gmail.com

3 Responses to O valor estratégico da Serra da Estrela

  1. João Duarte diz:

    Mas o Município do sabugal nunca quis entar na Reghião de Turismo da Serra da Estrela. Eu acho importante, mas quem dirige os destinos e os eleitores não acham…

  2. Silvestre Rito diz:

    Concordo com o que o Paulo diz, mas o problema da nossa zona é o mesmo de Portugal, ou seja cada um gosta de ter a sua quinta! em vez de haver cooperação e integração que a todos daria vantagem , cada um sobretudo os que estão bem não se importam com os ouros nem entendem que criando uma forte zona de turismo com outras valências ,que não só a sua ,iriam ganhar com isso.
    Poderiam e deveriam em minha opinião ser criadas rotas do contrabando , com visitas aos locais onde o mesmo se fazia, rotas ás aldeias históricas e outras alternativas em conjunto com a junta de turismo da serra.
    O problema é que estes não querem falar nem saber de ninguém e continuamos com o orgulhosamente sós que a ninguém beneficia!
    É pena porque circuitos integrados, incluindo serra , raia e aldeias históricas, tornar-se-iam mais cativantes e implementariam certamente o turismo da zona, mas para isso é necessário em primeiro lugar que as pessoas responsáveis estejam disponíveis o que me parece que não acontece.

  3. João Duarte diz:

    Nas eleições autárquicas, realizadas em 2013, havia , pelo menos um Programa Eleitoral que defendia as Rotas das Aldeias Históricas, as Rotas dos 5 Castelos, a criação de um Centro de Interpretação do Contrabando e da Emigração, a recuperação da gíria quadrazenha em conjunto com as escolas do concelho, e, inclusive, a criação de uma marca “Sabugal- 5 Castelos”, etc., etc. Também se pretendia que o Sabugal cooperasse com outros municípios vizinhos, com vista a atrair gente ao concelho. O eleitorado não quis quem defendia isso. Lamentações há muitas, mas na hora de escolher, o eleitorado escolhe quem acha que é melhor. E a escolha foi feita. Nada a apontar.

Deixar uma resposta