A espadelada

Manuel Leal Freire - © Capeia Arraiana

Manuel Leal Freire brinda-nos com uma vaga de sonetos em louvor da Madre-Natura. Em cada semana, ao domingo, a poesia do bismulense de pena firme e de memória prodigiosa deslumbra-nos com a exortação às árvores, arbustos, ervas, e também aos animais, que fazem parte da Natureza deste nosso recanto raiano.

Espadelada no linho

Espadelada no linho

A ESPADELADA

Meu pai só para o bem me aconselhava
O perigo vem do luar quando rebrilha
Assim, quando alta noite espadelava
Os meus humores pediam uma mantilha.

O coração ab imo fervilhava
Os moços rodeavam qual matilha
O assédio mais e mais se acentuava
As tocatas eram armadilha

Mas contra o perigo eu tinha bem presente
Gravava-se a ferro em minha mente
Meu pai e eu lhe dou muitos louvores

Ele disse que em noite aluarada
É grande a tentação na espadelada
Por ela é que se enlaçam os amores

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«Poetando», Manuel Leal Freire

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