Não tenho net e então?

Letícia Neto - Seixo do Côa - Sabugal - Capeia Arraiana - orelha

Nesta última vez que escrevo antes do Natal, aproveito para desejar a todos umas festas quentinhas. De preferência junto a uma fogueira gigante (ou madeiro, se preferirem) nas vossas aldeias ou apenas nas vossas casas. Ou ainda (levando ao extremo o lado romântico da quadra natalícia) nos vossos corações. Esta é mesmo uma época especial e os nossos imigrantes e emigrantes entopem as A23 desta vida para voltar ao ponto de origem.

A Cidade Natal, na Guarda, por estes dias - Letícia Neto - Capeia Arraiana

A Cidade Natal, na Guarda, por estes dias

Eu sei que por vezes, e sobretudo de inverno, as pessoas que vêm ao nosso concelho acham isto uma «seca». E pode ser! Mas só se deixarem. «Como vamos ocupar o tempo durante os próximos oito dias?» Eu sei por experiência própria que há muita gente que teme não ter o que fazer quando ainda por cima a internet não é lá aquele portento tecnológico que costuma ser noutros locais do país. Mas eu estou aqui para ajudar as pessoas mais pessimistas.
Tirando o óbvio (a serra da Estrela), há mais coisas por aí. Este ano por exemplo, na Guarda, há a cidade Natal, junto à Sé, que até renas verdadeiras tem! E tem friozinho. Tem a casa do Pai Natal, tem trenó, tem carrosséis e até uma mini pista de gelo. Estando por lá podem sempre aproveitar para lanchar. Há lojinhas abertas com todo o tipo de doçaria e pastelarias com o doce típico de que já vos falei, o D. Sancho, e de que há versões de ir às lágrimas (sobretudo para quem gosta de queijo da serra). Junto à rua das lojas e PSP (ou GNR) há ainda uma original exposição de bonecos de neve. Se não quiserem ir à Guarda podem visitar a exposição de árvores de Natal com material reciclado que está também junto ao presépio gigante no Largo da Fonte no Sabugal.
Aos sítios a visitar podem juntar a aldeia histórica de Sortelha. Mais longe mas ainda acessível podem visitar Belmonte. Seia e os seus museus. Mais perto podem aproveitar caminhadas nas serras. Na serra do Seixo, por exemplo, dá para ver a neve na Serra da Estrela e numa outra, espanhola, cujo nome não sei. Durante as caminhadas ou passeios de carro podem passar pela Ponte Sequeiros, em Valongo, podem passar por Vila Boa (que terá, segundo consta, a maior fogueira de todos os tempos!), podem ir à Barragem de Alfaiates, parar algures para beber um chá ou almoçar no Viveiro das Trutas.
Mais em casa podem aproveitar para ver como se fazem os enchidos (está na altura deles), ir para a cozinha com a criançada e fazer coscoreis a mais do que duas mãos! Entretanto e se a fome apertar em casa, tirem uma chouriça do fumeiro (no vosso ou no da avó) e assem nas brasas. Um lanche com mil estrelas Michelin.
Os homens e rapazes que se envolvam na entreajuda de ir à lenha para a fogueira. As meninas e mulheres (ou quem quiser – o meu irmão tem dez anos e adora ajudar na parte do gado) que ajudem no presépio da igreja ou nas iluminações de Natal. Podem também, em conjunto, organizar um almoço/jantar para a comunidade. Dá trabalho mas é uma boa forma de ocupar o tempo e as pessoas juntam-se.
Deixem de se preocupar com o wi-fi ou com a rede no telemóvel. Aqui só nos safamos com a TMN (sim, aqui continua a ser TMN) e nem era preciso. Quanto menos rede mais peixe. Mais bacalhau, mais conversa, mais risadas, menos parecer e mais ser. Podem tirar fotos e registar tudo e depois quando voltarem à cidade podem publicar e recordar com a ajuda da fibra. Sim?
Bom Natal a todos.
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«Calhaus há muitos… Seixo há um», crónica de Letícia Neto

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