Calhaus há muitos… Seixo há um

Letícia Neto - Seixo do Côa - Sabugal - Capeia Arraiana - orelha

Olá a todos os leitores do Capeia Arraiana e olá a todos os outros também. Sou a Letícia, uma rapariga com um quarto de século cumprido e muito por cumprir.

Letícia Neto - Seixo do Côa - Capeia Arraiana

Calhaus há muitos… Seixo há um (Letícia Neto)

Aos 18 anos, como tantos outros, deixei a casa dos meus pais para perseguir o mais profundo desejo de um dia vir a ser uma jornalista a sério. Esse percurso começou na Covilhã, com a minha entrada no curso de Ciências da Comunicação da Universidade da Beira Interior e prosseguiu em Lisboa, onde me encontro desde 2012, ano em que entrei no Mestrado de Estudos dos Media e do Jornalismo. Vim estagiar para o jornal «A Bola» e por cá continuo, já lá vão quase dois anos. O percurso está no entanto longe de acabar. Sempre gostei de escrever e sei que sempre me destaquei por aí. Houve tempos em que era uma escrita mais criativa, hoje em dia escrevo sobre coisas mais palpáveis, mesquinhas e mundanas. Espero não vos aborrecer (muito) mas se isso vier a acontecer… é apenas um direito que, felizmente, nos assiste a todos.
O nome da minha coluna não podia deixar de incluir a palavra Seixo, uma vez que sou natural da mais bela das aldeias do nosso concelho, que, ao que me parece, não é devidamente valorizada. Até nos chamam calhaus. Quando andava na escola do Sabugal, tive um professor de português, cujo nome não vou referir (Fernando Escaleira!) que chamava calhaus aos alunos. Sempre achei graça. Porque sempre achei que ser calhau era sinónimo de algum carisma no conceito dele. Mais tarde e com a perda de inocência, comecei a achar que, se calhar, não somos devidamente valorizados. Mas continuei a adorar ser calhau. E continuo. Dou valor a cada calhau. A simplicidade, o saber das luas, a humildade, a inteligência… são coisas fáceis de valorizar quando chegamos à selva citadina. Vou sempre que posso passar os fins-de-semana à minha terra, ao meu Seixo. Todos os que comigo convivem sabem o nome do lugarzinho de onde vem a provinciana que diz coelho, fecho e vermelho e não coalho, facho e vermalho.
Temos o rio Côa ali ao lado, temos as Termas do Cró (tema sobre o qual me pronunciarei um destes dias), temos uma vista do caraças da Torre e da serra da Estrela, temos as coisas arranjadinhas. Temos uma das esplanadas mais agradáveis do mundo. Temos moinhos com história, pontes e pontões, a ribeira. As nossas tradições. As nossas próprias palavras. Somos únicos. Nem melhores nem piores, é uma outra coisa. Estamos perto da raia e vivemos muito bem sem touradas nas festas, ainda que não deixemos de ir a uma ou outra. Isso diz muito da nossa diferença.
Lemo-nos por aí…
:: ::
«Calhaus há muitos… Seixo há um», crónica de Letícia Neto

:: ::
«Sou a Letícia, uma rapariga com um quarto de século cumprido e muito por cumprir.» Promete defender a sua aldeia e esclarecer, definitivamente, que o seixo não é um calhau qualquer. Se acrescentarmos que é natural da freguesia de Seixo do Côa, concelho do Sabugal, está feita (e bem feita) a apresentação da nova cronista do Capeia Arraiana. Bem-vinda Letícia! O espaço é teu. Livre e sem condicionalismos.
jcl e plb

10 Responses to Calhaus há muitos… Seixo há um

  1. JFernandes diz:

    Boa noite.
    Não a conheço.
    Mas o facto de ser mais uma pessoa jovem, da nossa zona, que passa a integrar uma equipa cujo objectivo global todos conhecem e perseguem – a defesa das nossas terras – leva-me a dar-lhe as boas vindas.
    Outro facto contribuiu também para isso: A semana passada foi divulgado um texto meu sobre o Seixo do Côa aqui: Seixo do Côa.
    jfernandes

  2. fernando capelo diz:

    Gostei, para além de ser amigo do Fernando Escaleira.

  3. Ramiro Matos diz:

    O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
    Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
    Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.

    Cara Letícia
    Assim escrevia Alberto Caeiro (Heterónimo de Fernando Pessoa), assim escreve você.
    E tem razão. Como é bom ser do Seixo do Côa ou de qualquer outra aldeia deste nosso Concelho.
    Amar a nossa terra é, antes do mais, saber que pertencemos a algo maior do que nós, mas que nos faz maiores.

    Ramiro

  4. Adorável LETICIA NETO, uma menina da minha Terra, desejo os maiores Sucessos e estou muito contente pela tua Garra.

    VIVA O SEIXO DO COA.

  5. antonio barreiros diz:

    espero que sim que tenhas muitos para cumprir

  6. Élio diz:

    Bom dia Leticia:
    Votos de que tudo corra bem no teu Mestrado..
    Não te conheço por já ter entrado na casa do meio século, mas sou teu vizinho…da Rapoula..que também vim para a grande cidade ao chegar à vintena…
    Conheço bem a tua aldeia, mas esqueceste-te da figura mais tipica …o Brigido…!!!!!
    Boa continuação

  7. Carla Mendes diz:

    Também não exageremos: “coalho”, “facho” e “vermalho”!!!! É só dar uma entoação diferente ao “e”. Mas eu vou conseguir virar-te 😉

Deixar uma resposta