Sob este céu azul

Alcínio Vicente - Aldeia do Bispo - © Capeia Arraiana

Mais um poema e uma pintura de Alcínio Vicente, desta vez numa reflexão intimista em que nos fala da natureza, dos sentimentos e emoções advindos de um viver de novo.

Pintura de Alcínio

Pintura de Alcínio

Sob este céu azul pardacento, sufocante
envolvente e baço, irrespirável e perscrutador
Com umas nuvens esfarrapadas ali paradas
Esperando o vento para as levar
Eu lutando no meio do meu mar azul profundo
Batalhando com as ondas que vão e vêm
Sem vislumbrar ancoradouro ou barco para navegar
E o pensamento corre sem parar
Voa, voa como estas andorinhas com voos rasantes
Que driblam o olhar
E estas folhas verdes da videira que não param de me acenar
E o pensamento vai lá à frente e eu sem rédeas para o refrear
Onde me quererá ele levar?
Se eu sou como a nuvem esperando que o vento
Me traga inspiração para pintar
E a rola canta nos pinhais
Desencadeando um mar de emoções
Que me leva para estados de alma
Que o tempo não apagou da memória
É como viver de novo tudo o que esses sons ou imagens
Aportam ao meu imaginário vestido com novas roupagens
Que o tempo e as vivências acrescentaram.

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«Vivências a cor», de Alcínio

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