Nasci e cresci num tempo e lugar ignoto

Alcínio Vicente - Aldeia do Bispo - © Capeia Arraiana

Mais um poema e uma pintura de Alcínio Vicente, em que nos fazem viajar no tempo.

Pintura de Alcínio

Pintura de Alcínio

Nasci e cresci num tempo e lugar ignoto
Nos dias em que não havia memória
Esse tempo não contou para a história
A vida era como um dia e uma noite sem glória
O meu mundo tinha o tamanho da minha ilusão
A grandeza do alcance visual
Limitado como o golpe de asa dum pardal
Das copas do arvoredo até às serranias da raia de Portugal
A vida corria como os elementos da natureza
Ia e vinha como o sol a sombra a noite e o luar
Tempos sem registos impactantes para amar
Existem nos arquivos de quem a viveu sem a contar
Não havia futuro só presente e passado
Que fluía como as estações e ficava tudo acabado
Por isso ando fora do tempo biológico
Atrasado na data, sem poder acertar o relógio
Vivia-se e morria-se como um hiato
Sem nada escrito na página onde cada um mora
A vida passava-se dia após dia hora após hora
Sem pensar em se chegar ao agora
Hoje o mundo e o tempo estão sempre abertos
Sabe-se o que acontece em cada momento
À distância de carregar com o dedo no novo invento
A vida era feita a preto e branco
Escrita numa frágil e minúscula ardósia
Que a esponja apagava em qualquer momento
O que é a vida senão uma ilusão sombra ou ficção?
Continuo amar a minha terra a minha gente com paixão.

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«Vivências a cor», de Alcínio

One Response to Nasci e cresci num tempo e lugar ignoto

  1. VITORINO LUIS diz:

    PARABENS DO AMIGO VITORINO UM ABRACO E A TODO POVO DE ALDEIA DO BISPO

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