Pelourinhos em Terras de Riba Côa (35)

José Fernandes - Do Côa ao Noémi - © Capeia Arraiana

:: :: GONÇALO :: :: – Nesta Terra não há pelourinho. Mas isso não constituiu qualquer problema para que esta povoação se tivesse desenvolvido de forma notável. É a única freguesia do concelho da Guarda que tem o título de Vila. O vime e principalmente os cestos de vime são a principal riqueza desta terra.

Gonçalo – Terra dos cestos de vime

Gonçalo – Terra dos cestos de vime

A freguesia de Gonçalo é a única do concelho da Guarda que possui a categoria de Vila. Por norma a categoria de vila tem sido adquirida ao longo do tempo por uma de duas formas: Criação de Município com sede nessa localidade ou, como tem acontecido nos últimos anos, pela aquisição de determinados indicadores de natureza económica dessa localidade. Gonçalo nunca foi concelho. Pertenceu ao concelho de Valhelhas até 1855. A elevação de Gonçalo à categoria de Vila resultou assim do seu desenvolvimento económico.

Gonçalo no concelho da Guarda

Gonçalo no concelho da Guarda

A inclusão de um texto sobre Gonçalo nesta série dos Pelourinhos teve essencialmente a ver com o facto referido anteriormente a que que resolvi associar um outro também importante e que de algum modo terá também contribuído para o desenvolvimento económico de Gonçalo: A quase sustentabilidade da população residente ao longo dos últimos anos, quando a generalidade das aldeias está a perder todos os dias pessoas.
Será que a chamada fonte da fertilidade de Gonçalo tem alguma coisa a ver com isto? Certamente que não. Mas que alguma coisa de diferente se passa nesta terra não tenho dúvidas.

Fonte da fertilidade

Fonte da fertilidade

Gonçalo é conhecido como sendo a capital da Cestaria. Na verdade, e desde tempos imemoriais que esta arte popular se vem desenvolvendo nesta terra. E não se diga que tal aconteceu apenas pela necessidade de transportar alimentos e outros produtos agrícolas. Não não foi apenas por esse motivo pois assim fosse podia existir cestaria em qualquer povoação rural desta zona.
Foram certamente um conjunto de situações que levaram a que a população deste local desenvolvesse este tipo de arte popular a que naturalmente não será estranho o desenvolvimento natural do vime naquela zona, principalmente nas zonas mais húmidas.
Desde meados do século XIX que a cestaria sempre teve em Gonçalo um apoio inequívoco da parte das autoridades daquela comunidade.
Por exemplo, em 1885 o delegado escolar da freguesia fixou os horários da escola de forma a que os estudantes pudessem conciliar a aprendizagem das letras e números com a profissão da terra “ o Cesteiro”.
Diz-se que a generalidade dos cesteiros do nosso país tiveram as suas raízes em Gonçalo e é muito provável que assim fosse pois aqui, mesmo quem não era cesteiro sabia fazer cestos.
A cestaria foi de tal modo importante que mesmo hoje os Gonçalenses ainda não desistiram de conseguir a atribuição do estatuto de capital europeia da Cestaria.

Cabaz de vime

Cabaz de vime

De vime se faz quase tudo em Gonçalo. Os artistas da cestaria inventaram e conceberam cestos e outros objectos adequados às necessidades que se iam colocando nos campos das redondezas. Saíram das mãos daqueles artífices cestas, cestos, cabazes, açafates, bancos, etc.

Cesta de vime

Cesta de vime

Uma das características dos cesteiros de Gonçalo é o facto de trabalharem sentados no chão. Veja (aqui) como são feitos os objectos que muitas vezes usamos.

Brasão de Gonçalo

Brasão de Gonçalo

O brasão de Gonçalo é uma brasão de Vila, pois possui 4 torres a encimá-lo como de resto acontece com os brasões dos Municípios. O brasão não podia deixar de fazer uma referência destacada à Cestaria. O Carvalho é também uma referência na zona por isso merece uma referência central. As armas desta vila foram publicadas o Diário da República III série de 07/07 de 1999.
Situada no limite do distrito da Guarda com o de Castelo Branco, numa zona próxima do Rio Zêzere, Gonçalo vai continuar a crescer em termos populacionais ou pelo menos diminuir menos que as restantes. Mesmo assim, esta terra tem sempre lugar para mais um. Vamos a Gonçalo, ver os Cesteiros.
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«Do Côa ao Noémi», opinião de José Fernandes (Pailobo)

jfernandes1952@gmail.com

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