Quando Lisboa amanhece

Alcínio Vicente - Aldeia do Bispo - © Capeia Arraiana

Um poema de Alcínio Vicente falando de Lisboa, essa cidade capital de Portugal detentora de uma beleza especial quando amanhece.

Lisboa ao amanhecer - pintura de Alcínio

Lisboa ao amanhecer – pintura de Alcínio

Quando Lisboa amanhece teu rosto resplandece
Envolta em formosura das casas à rua
Canta no seu fado saudade e amargura
Que no silêncio da noite ecoa até à lua
És Lisboa agora sem fadistas e poetas
Invadida por financeiros e agiotas

Cacilheiro com Lisboa ao fundo

Cacilheiro com Lisboa ao fundo

Bolsistas cantam milhões
As tuas ruas são confusão
Carros e gente em turbilhões
Calaram se os cantos das gaivotas
Versos de poetas são letras mortas
Cobrem se de branco as paredes
Outrora foram telas de pintores
Hoje cartazes com promessas de notas
Lisboa abandonaram te sozinha no cais
Nas peias do nevoeiro
Esperando com ansiedade
O sol e a brisa do Tejo que te ilumina
Lisboa és uma gaivota ferida
Esquecida no cais de partida
À espera em vão da saudade perdida
Que anda há séculos nos mares à deriva
Princesa porque esperais?
Sois alma abandonada
Roubaram te para sempre os ideais
És presa ferida no meio de chacais
Vem menina contemplar a mansa natureza
Solta a amarra dos políticos e burocratas
Esquece os obesos de prata
Vem contemplar a beleza da minha fragata.

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«Vivências a cor», de Alcínio

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