O falar de Riba Côa – o léxico (136)

O Falar de Riba Côa - Paulo Leitão Batista - © Capeia Arraiana

Damos continuidade à apresentação do léxico «O Falar de Riba Côa» com as palavras e expressões populares usadas na raia ribacudana.
Entre os termos VACADA e VELO.

VACADA – manada de vacas.
VACA DA AGUARDENTE – vaca largada na manhã da capeia, logo após o encerro (Aldeia da Ponte).
VACA ESPANHOLA – faúlha (Clarinda Azevedo Maia – Forcalhos). Também se diz chispa.
VACARIL – manada de vacas (Clarinda Azevedo Maia – Aldeia da Ponte).
VÁGADA – desmaio; vertigem (Júlio António Borges).
VAGA-LUMO – pirilampo (Clarinda Azevedo Maia).
VAGEM – feijão verde. Costuma dizer-se bagem.
VAGINA – vagem de feijão; feijão verde. «Uma cestinha de vaginas» (Porfírio Ramos).
VAI À TRANCA – vai-te lixar; chateia outro; desaparece.
VAI-NO-VEM – entretanto; entrementes; enquanto vai e não vem.
VALDESPINHEIRO – indivíduo natural de Vale de Espinho (Clarinda Azevedo Maia).
VALIA – valor; merecimento; importância; também se diz balia.
VAQUEIRO – guardador de vacas (Clarinda Azevedo Maia – Lageosa).
VARA – aguilhada; medida de comprimento correspondente a 1,10 metros – José Pinto Peixoto diz corresponder a 1,50 m.
VARAL – vara para secar o enchido; pau comprido para varejar a azeitona ou os ouriços dos castanheiros.
VARDISCA – ramo tenro; rebento flexível; vergôntea; o m. q. vergunta.
VARDISCADA – agressão com o uso da vardisca.
VAREIRO – vara móvel da picota, a que se segura o balde de tirar água (Clarinda Azevedo Maia – Batocas).
VAREJA – mosca varejeira. Operação de varejamento da azeitona.
VAREJAR – bater com vara nos ramos mais altos da oliveira para derrubar a azeitona. Clarinda Azevedo Maia recolheu, com o mesmo sentido, a expressão batucar, enquanto que Júlio Silva Marques refere esvarjar.
VARGEM – várzea; planura cultivada.
VARINO – capote com mangas de pano fino, em geral azul (José Pinto Peixoto).
VARREDOR – pau de varrer o forno (Clarinda Azevedo Maia). O m. q. varredouro.
VARREDOURO – pau comprido, com pano molhado atado na extremidade, usado para varrer as brasas do forno quando já quente. O pano era encharcado numa pia com água que existia junto ao forno. Francisco Carreira Tomé e Manuel dos Santos Caria referem bardoiro. Leopoldo Lourenço chama-lhe trapo. Clarinda Azevedo Maia refere varredor e lambelho.
VARUDO – alto; forte; o m. q. vergalhudo.
VASAL – armário onde se coloca a loiça e os cântaros da água; cantareira.
VASALICOS – pequenos objectos (Leopoldo Lourenço).
VASCULHO – mulher suja e desajeitada, sem apresentação. Júlio António Borges acrescenta: saco com palha que o pastor põe entre os pés para apoiar o cântaro durante a ordenha. Vasculho de trapo: varredouro do forno (Joaquim Manuel Correia).
VASSOUREIRO – indivíduo natural da Arrifana. Segundo Júlio Silva Marques também se lhe chama lagarto.
VAZIO – conjunto de ovelhas do rebanho que estão vazias (não estão prenhes) e que não carecem de muitos cuidados (Vítor Pereira Neves). O gado vazio, não dando leite, a dada altura é separado do gado alavão. Estômago; barriga – apanhou-o com a faca pelo vazio.
VEDALHA – oferta; presente (José Pinto Peixoto). Geralmente a vedalha era a prenda dos padrinhos aos afilhados, ou a prenda que recebiam os noivos no casamento.
VEDA – tempo em que é proibido caçar.
VEDAR – tapar; estancar; desmamar uma cria ou uma criança.
VEDOR – especialista na sondagem de águas subterrâneas. Usa uma varinha tenra (vardisca), que segura pelas extremidades, e vai percorrendo o terreno com os braços levantados, até que a vara dobre, o que significa que ali por baixo passa um veio de água.
VEIGA – várzea; terreno fértil, plano e regadio.
VEIO – filete ou ramo de água subterrâneo.
VELADOR – tábua com pregos onde se pendurava a candeia, escolhendo-se a altura mais propícia.
VELAR AS ÁGUAS – dividi-las, pô-las à adua (Joaquim Manuel Correia).
VELEIRO – suporte de madeira com vários buracos para se disporem as velas na igreja (António Cerca).
VELGA – nesga de terreno que permite ao semeador atirar com a semente de um bordo ao outro (Manuel dos Santos Caria).
VELO – lã de ovelha tosquiada, a que também se chama tosão.
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Paulo Leitão Batista, «O falar de Riba Côa»

leitaobatista@gmail.com

One Response to O falar de Riba Côa – o léxico (136)

  1. Usadas no Casteleiro, destas todas, só as seguintes:

    VACADA, VAGA-LUMO (mas dito vagalume), VAGEM, VAI-NO-VEM (mas usa-se para isto um termo bem mais engraçado: dabeinão), VALIA, VAQUEIRO, VARA, VARAL, VARDISCA, VARDISCADA (também dito vardasca e vardascada), VAREJA, VAREJAR, VARGEM )mas dito varge), VARREDOURO, VASCULHO (mas com b: basculho), VEDAR, VEDOR, VEIO, VELGA (pronunciado assim:; belga) e VELO.

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