O falar de Riba Côa – o léxico (130)

O Falar de Riba Côa - Paulo Leitão Batista - © Capeia Arraiana

Damos continuidade à apresentação do léxico «O Falar de Riba Côa» com as palavras e expressões populares usadas na raia ribacudana.
Entre os termos TENADA e TESÃO.

TENADA – cabanal; telheiro; choupana (Carlos Alberto Marques). Monte de lenha suspenso e apoiado em paus espetados no chão (Clarinda Azevedo Maia – Vale de Espinho).
TENÇOADO – intencionado (Júlio António Borges).
TENDA – loja de negócio; comércio (Clarinda Azevedo Maia – Forcalhos). Barraca de feira ambulante.
TENDAL – lençol de linho com que se cobre a massa do pão enquanto fermenta.
TENDEIRO – vendedor ambulante, que instala a tenda nos mercados.
TENDER – estender e dar forma ao pão amassado, após finto (fermentado, lêvedo), para o levar ao forno.
TENEDOR – garfo (Júlio António Borges).
TENOR – ideia fixa; desejo; pensamento. Andava com aquele tenor. José Pinto Peixoto escreve tinor.
TENTO – cuidado; atenção; juízo. Ter tento na língua: tomar cuidado com o que se diz.
TER COIMBRA E TARIMBA – ter conhecimentos, aliando o saber à experiência – Coimbra dos estudantes, tarimba dos militares.
TERÇÃ – febre com acessos de três em três dias (Júlio António Borges).
TERÇÃO – congestão (Júlio António Borges).
TERÇAS – trato de trabalho cujo produto é dividido em três partes – duas para o dono, uma para o trabalhador. O proprietário dispunha as terras e os meios de cultivo e o outro contratante garantia o trabalho.
TERÇO – oração, que é a terça parte do rosário (150 Avé Marias). O terço servia como medida de tempo e de distância. «De Alfaiates ao Soito, quanto tempo leva? – Seis terços» (Francisco Vaz).
TERÇOLHO – terçol; terçogo; tumor formado nas pálpebras. Júlio António Borges refere terçó.
TERES – posses; riqueza; haveres. Gente de muitos teres.
TERLOQUE – variedade de sapo (Clarinda Azevedo Maia – Fóios).
TER MÃO – suster; segurar qualquer coisa.
TERMINAR – determinar; resolver; marcar; aprazar. Já terminámos o dia da matança.
TÉROLERO – pessoa que fala demais; tagarela (Júlio António Borges).
TERRÁBIA – nabo (Clarinda Azevedo Maia – Lageosa). Beterraba.
TERRANHEIRA – pedras que se amontoam nas terras lavradas (Carlos Guerra Vicente).
TERREAR – aparecerem os campos da cor da terra, o que geralmente acontece no Inverno quando a geada queima a vegetação. Em Janeiro sobe ao outeiro: chora se vires verdegar, canta se vires terrear (adágio).
TERREIRO – térreo; diz-se da casa que tem um só piso (Clarinda Azevedo Maia). Largo ou praça dentro da aldeia – era no terreiro que se faziam os bailes e a canalha se encontrava para brincar.
TERREJAR – o m. q. terrear (Júlio António Borges).
TERREÓLA – pequena aldeia.
TERRINCA – amêndoa em formação (Júlio António Borges).
TERRINCAR – bater os dentes (Joaquim Manuel Correia). Júlio Silva Marques, por sua vez, traduz: «barulho feito com os dentes ao premir e deslizar fortemente um maxilar sobre o outro. Se tal for feito por homem irado o melhor é fugir. Quando a criança fazia isso durante o sono era sinal que tinha bichas.»
TERRINCO – grande barulho produzido pelo trovão (Júlio António Borges).
TERROLHA – construção semicircular e cónica, em pedra, com altura de um homem e com cerca de um metro de diâmetro, local onde os pastores se abrigavam e servia, eventualmente, para guardar borregos e cabritos recém-nascidos (Júlio Silva Marques).
TERSÃO – diarreia; soltura (Júlio António Borges).
TESÃO – rede móvel para apanhar peixes no rio, arrastada por uma só pessoa, por meio de duas varas (Rebolosa); o m. q. tosão.
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Paulo Leitão Batista, «O falar de Riba Côa»

leitaobatista@gmail.com

One Response to O falar de Riba Côa – o léxico (130)

  1. No Casteleiro, que eu saiba, conhecem-se alguns destes termos:

    TENDA, TENDEIRO, TENOR (acho que significava também juízo), TENTO, TERÇAS, TERÇO, TERÇOLHO, TERES, TER MÃO, TERMINAR (e também torminar e trominar), TERRÁBIA (mas não é nabo: é beterraba), TERREIRO (o largo principal da minha terra chamava-se Terreiro, o Terreiro de São Francisco), TERREÓLA.

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