O falar de Riba Côa – o léxico (128)

O Falar de Riba Côa - Paulo Leitão Batista - © Capeia Arraiana

Damos continuidade à apresentação do léxico «O Falar de Riba Côa» com as palavras e expressões populares usadas na raia ribacudana.
Entre os termos TAMANQUEIRO e TARIMBA.

TAMANCO – calçado grosseiro, feito em cabedal e com base de pau de amieiro, ferrado com brochas. Pau com suporte para colocar os pés e que as crianças usam para andar sobre a neve (Clarinda Azevedo Maia).
TAMANQUEIRO – indivíduo natural de Rendo.
TAMÃO – parte comprida do arado a que se prende a canga, para os animais fazerem tracção; o m. q. temão ou timão. José Prata acrescenta o termo teimão. Clarinda Azevedo Maia refere sinónimos: cabeçal (Lageosa), tirante (Vale de Espinho), chabilhal (Aldeia da Ponte), cabijal (Batocas).
TAMBORLEIRO – tamborileiro (Adérito Tavares); aquele que, nas festas da raia, rufa o tambor.
TAMOEIRO – tira forte de couro, redobrado em forma de U, usada para prender a cabeçalha ou o cambão à canga ou ao jugo, para as vacas puxarem. Adérito Tavares e Francisco Carreira Tomé referem tamoiro. Luís Gonzaga Monteiro da Fonseca escreve tanoeiro.
TAMOJEIRA – torga; urze; canaveira; planta da serra (Aldeia do Bispo).
TANADO – atado; pouco activo (Joaquim Manuel Correia). O tanado não é um mandrião, mas apenas alguém pouco diligente. O m. q. tansana.
TANAS – expressão que indica vulgaridade, contrariedade. Isto é mas é o tanas.
TANASSA – tenaz para ajeitar o lume. Também se diz tanaza. Costuma usar-se o plural: Dá cá as tanassas.
TANAZ – tenaz; espécie de tesoura grande, em ferro, com que ser mexe na lenha do lume. Também se diz tanaze.
TANGANHADA – pancada com tanganho; cacetada; paulada.
TANGANHO – pau ou cacete tosco. Grande quantidade – «Um tanganho de pão» (Júlio Silva Marques).
TANHEIRO – móvel de cozinha (espécie de caixote) onde se guardava o farelo para a vianda dos porcos (Abel Saraiva).
TANSANA – indivíduo atado; lambão; o m. q. tanado (Joaquim Manuel Correia).
TAPA-BOCAS – capa ou capote com que se agasalha a boca (Clarinda Azevedo Maia).
TAPADA – terra centeeira; terreno arável que não é regadio.
TAPADOIRA – tampa; testo (do Castalhano: tapadera).
TAPÃO – rolha (Clarinda Azevedo Maia).
TAPETE – manta de farrapos (Clarinda Azevedo Maia – Aldeia do Bispo).
TAPOILA – banco de madeira para as mulheres se ajoelharem a lavar roupa no ribeiro (Bendada).
TAPONA – bofetada; estalada; sopapo.
TARALHÃO – acaso; com descuido. Meteu-se a taralhão pelas moitas. Nome de pássaro. Também se diz tralhão.
TARALHOCO – pessoa que não regula bem; trapalhão; atabalhoado.
TARAMBELO – pequena peça do moinho que bate na mó chamando o grão que cai da caneleija para o buraco (Franklim Costa Braga e José Prata). Júlio António Borges refere tramelo, e Joaquim Manuel Correia trambêlo. Mais a Sul (Monsanto) designa-se por tingidoiro (Maria Leonor Buescu).
TARAMELA – aparelho para espantar os pardais (Júlio António Borges). Pessoa tagarela, que fala muito. Dar à taramela.
TARANHA – pessoa trapalhona; atabalhoada (Júlio António Borges).
TARANHEIRA – teia de aranha. Clarinda Azevedo Maia registou nos Fóios taraneira, com o mesmo sentido.
TARANTA – tolo; maluco (Clarinda Azevedo Maia – Forcalhos).
TARECO – gato.
TARECOS – louça que a noiva leva quando se casa – termo depreciativo (Clarinda Azevedo Maia – Forcalhos). Coisas velhas, de pouco valor. Testículos.
TARÉM – pessoa com pouca força e pouco jeito (Júlio Silva Marques).
TARIMBA – cama de madeira onde dormiam os ganhões, na loja das vacas. Serviço militar. Tenho Coimbra e tarimba.
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Paulo Leitão Batista, «O falar de Riba Côa»

leitaobatista@gmail.com

2 Responses to O falar de Riba Côa – o léxico (128)

  1. Hoje, sim, conheço (de se usarem na minha aldeia, o Casteleiro) bastantes destes vocábulos.
    Por exemplo:
    TAMANCO, TAMÃO, TAMOEIRO, TANAS, TANAZ (mas no plural: as tanazas!), TANGANHADA, TANGANHO, TAPADA, TAPONA, TARALHÃO, TARALHOCO (leitura localista: taralhouco), TARANTA, TARECO, TARECOS, TARIMBA.

  2. Alberto Pachê diz:

    É sempre bom saber.Na Aldeia de Vale de Espinho o termo é “tanazas” e não “tanassas”.
    Fica aqui o reparo.

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