Demitam-nos!

Fernando Lopes - A Quinta Quina - © Capeia Arraiana

Somos mesmo um país de brandos costumes. Um povo sereno. O que não significa ser ponderado, nem significa ser reivindicativo e, nem exigente.

O homem messiânico da educação errou em toda a linha

O homem messiânico da educação errou em toda a linha

O governo da nação empenha-se em demonstrar a sua incompetência, a sua arrogância e, essa auto-convicção de salvadores da pátria.
Num país com uma sociedade mais interventiva e exigente, o ministro da educação já se teria demitido ou já teria sido demitido. As razões para tal ter acontecido são várias. A desordem que tem vindo a causar na escola pública desde que tomou posse é por demais evidente. O processo de colocações de professores tem sido kafkiana. Para além de ter reduzido o investimento na educação ao mínimo, ter criado forma de despedir milhares de professores, inventado uma lei para a vinculação de professores utópica e reduzir o tempo de serviço prestado por milhares de professores a nada, dá-se ao luxo de mentir no parlamento imediatamente após ter pedido desculpas. Depois vem, pavoneando-se de superior, engendrar uma explicação linguística para dar o dito por não dito. Basta! O homem messiânico da educação errou em toda a linha. É possível perceber que todo o seu discurso, antes de ser ministro, não passava de balelas e que não tem nenhuma ideia para a educação em Portugal. Talvez uma: acabar com a escola pública. Poderia, pelo menos, apresentar alguma dimensão de humanidade e perceber que os professores são pessoas e não meros números de ordem. Mas se até nos números falha… e é a sua especialidade! O que resta é o início de um ano lectivo num caos.
O mesmo se passa com a ministra da justiça. O novo mapa dos tribunais – a tão afamada reforma – está transformada num pandemónio. Um mês e meio depois do seu arranque, ainda ninguém se entende. Contudo, e para que os juízes não façam muitas ondas, lá se vai arranjando mais um acréscimo aos seus vencimentos. E, no entanto, ouvimos a senhora ministra, todos os dias, falar de que tudo está a correr normalmente, que não foi um caos, que houve aqui e acolá um problemazito. O que resta é uma justiça emperrada, mais longe dos cidadãos, principalmente os do interior (a quem se trata por cidadãos de segunda ou terceira), processos que, pelos vistos, foram para as calendas gregas. Será que aqui, como na educação (o ministro disse que já pediu um juiz para decretar o valor da indemnização aos professores mal colocados por culpa do ministério) a ministra também vai pedir ao Conselho Superior da Magistratura um juiz para decretar o valor da indemnização aos cidadãos prejudicados pela incompetência do ministério da justiça?
Se houvesse vergonha e sentido de responsabilidade ter-se-iam demitido. Não o fizeram. Nem o primeiro-ministro os demite. Desta forma, ou o primeiro-ministro não encontra ninguém para os substituir ou está convencido que estão a fazer um belo trabalho. Se é esta a visão de Passos Coelho, então mostra cegueira. O que confirma a falta de competência. Se assim é, não admira que os seus ministros o sejam também.
O país vai pagar caro esta (des)governação.
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«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

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