O falar de Riba Côa – o léxico (122)

O Falar de Riba Côa - Paulo Leitão Batista - © Capeia Arraiana

Damos continuidade à apresentação do léxico «O Falar de Riba Côa» com as palavras e expressões populares usadas na raia ribacudana.
Entre os termos SAPA e SARRUDO.

SAPA – pessoa gorda e baixa.
SAPADA – pedaço de parede ou muro que caiu (Júlio António Borges).
SAPANDULHO – pessoa muito gorda (Júlio António Borges).
SAPATA – calçado de pano com rasto de borracha. Também se chama alpargata.
SAPATETA – sapato raso; chinela (Júlio António Borges).
SAPATO – revestimento em couro que envolve uma extremidade do pírtigo do mangual (Clarinda Azevedo Maia). Também se diz sedouro.
SAPE – interjeição usada para afugentar os gatos. Sape gato!
SAPINHOS – aftas das crianças. Passarinhos pequenos, ainda no ninho (Júlio António Borges).
SAPOILA – pessoa indolente; pouco habilidosa (Júlio António Borges).
SAPOSA – mulher tinhosa (Carlos Guerra Vicente).
SAQUEIRÃO – pedaço de estopa grosseira usada para filtrar líquidos ou coar a cinza para a barrela (Clarinda Azevedo Maia).
SARABATO – pessoa que fala com pronúncia em que salienta o esse (Júlio António Borges e Carlos Guerra Vicente).
SARAGOÇA – tecido grosseiro de lã escura, muito usado no vestuário dos homens. Nas terras do campo (Monsanto) designa vento frio e forte (Maria Leonor Buescu).
SARAGONHA – cegonha (Júlio Silva Marques). Duardo Neves escreve sarangonha.
SARALHOTO – troço de fezes duras (Duardo Neves).
SARAMPÊLO – sarampo. Também se diz saramplo.
SARANÇUM – pirilampo (Clarinda Azevedo Maia – Malcata).
SARANGONHA – cegonha (Clarinda Azevedo Maia).
SARANGONHO – pessoa de fora da terra; estranho (Clarinda Azevedo Maia – Lageosa).
SARANRUM – pirilampo (Clarinda Azevedo Maia – Malcata).
SARAQUITAR – andar de um lado para o outro (Júlio António Borges). O m. q. serigaitar e passaricar.
SARÇAL – silvado.
SARCELO – gelo pendente nas árvores e telhados (Leopoldo Lourenço).
SARDA – bofetada; estalada.
SARDANISCA – lagartixa.
SARDÃO – lagarto.
SARDINHEIRA – vendedora de sardinha, que corria as aldeias.
SARGUAÇO – planta do monte, de flor branca ou amarela (Clarinda Azevedo Maia). Clarinda Azevedo Maia regista ainda: seburgaço (Aldeia Velha), soguaço (Vale de Espinho), surgaço (Aldeia da Ponte).
SARILHO – instrumento usado para guindar pedras. Instrumento usado para enrolar os fios de linho, fazendo as meadas; o m. q. andarilho. Estrutura feita com quatro estacas onde os ceifadores dependuravam as trouxas.
SARMENTO – rebento de videira (Júlio António Borges).
SARNA – doença de pele provocada por um ácaro, que provocava uma forte comichão. «Parecia mal ter-se sarna, por isso, quem a tinha guardava segredo, o que era muito mau, por ser contagiosa» (José Pinto Peixoto).
SARNAR – saltar a fogueira na noite de S. João para se livrar da sarna e de outras doenças. Joaquim Manuel Correia usa o reflexo: sarnar-se. Clarinda Azevedo Maia refere que em Aldeia do Bispo era costume queimar rosmaninho dentro de casa na noite de S.João para o mesmo efeito.
SARNEAR – saltar a fogueira nas festas dos santos populares (Duardo Neves) – com origem na crença de que tal acto afasta a sarna.
SAROTO – animal sem cauda.
SARRABULHO – jogo de rapazes, que se joga com um pau e uma bola (Clarinda Azevedo Maia – Vale de Espinho).
SARRAFAÇAL – pessoa sem importância; reles; mal vestido.
SARRAFADA – pancada.
SARRAFO – pedaço de madeira, adequada para bater.
SARRÃO – bolsa feita com uma pele de ovelha por curtir onde o pastor leva a merenda; surrão.
SARRO – depósito que o vinho, ou outro líquido, deixa no fundo da vasilha (Júlio António Borges). O m. q. borra.
SARRUCA – corrente de relógio – termo da gíria de Quadrazais (Franklim Costa Braga).
SARRUDO – pessoa sisuda, carrancuda (Clarinda Azevedo Maia – Vale de Espinho).
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Paulo Leitão Batista, «O falar de Riba Côa»

leitaobatista@gmail.com

One Response to O falar de Riba Côa – o léxico (122)

  1. No Casteleiro, minha ladeie natal, conhecemos também muitos destes vocábulos, um avez mais.
    Mas não todos.
    E usa(va)m-se pelo menos os seguintes: SAPA, SAPATA, SAPE, SAPINHOS, SARAGOÇA (pouco usado e só há muuuuuuuuito tempo atrás), SARAQUITAR (mais ou menos – mas pronunciado: saquetar), SARDANISCA, SARDÃO, SARDINHEIRA (lá havia duas na minha infância), SARNA, SAROTO, SARRAFADA, SARRO.

    A propósito da interjeição «sape», para enxotar o gato, leiam esta cantilena da minha meninice:
    «Bechaninha gata / Que comeste hoje? / Sopinhas de leite. / Guardaste-me delas? / Guardei, guardei. / Onde as guardaste? / Atrás da arquinha. / Com que as tapaste? / Com o rabo da gatinha. / Sape, sape, sape, / Para casa da avozinha».

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