O falar de Riba Côa – o léxico (120)

O Falar de Riba Côa - Paulo Leitão Batista - © Capeia Arraiana

Damos continuidade à apresentação do léxico «O Falar de Riba Côa» com as palavras e expressões populares usadas na raia ribacudana.
Entre os termos ROBEN e RUVINAS.

ROBEN – bata usada pelas mulheres no serviço doméstico (Clarinda Azevedo Maia).
ROBLE – carvalho.
ROCA – utensílio usado para fiar o linho, feito de uma cana, convenientemente equipada com o cartapel, o siso e o fuso.
ROÇADOIRA – podoa com cabo comprido, própria para roçar mato. Também se diz roçadeira.
ROÇAR – esfregar (o soalho); cortar mato com roçadoura; tocar de leve em algo ao passar.
ROCIO – orvalho; chuva miúda, chuvisco (Clarinda Azevedo Maia – Aldeia do Bispo).
ROÇO – produto obtido da roça; sulco na pedra para guiar o corte.
RODA – nora (engenho de tirar água do poço). Pessoas dispostas em círculo, de mãos dadas, cantando e dançando.
RODADO – conjunto das rodas de um carro ou de uma carroça.
RODA-VASSOURAS – rodapé (Clarinda Azevedo Maia – Aldeia do Bispo – que, fiel à dicção popular, registou roda-bassoiras).
RODEIO – local sombrio onde o gado se junta pela hora do calor.
RODEIRA – rasto deixado pelas rodas de um carro; caminho ruim.
RODILHA – roda feita em tecido, própria para segurar na cabeça das mulheres qualquer objecto que transportem; o m. q. molide. Pano de cozinha; pano de limpar ao pão ao sair do forno (Clarinda Azevedo Maia – Fóios – que registou ainda que nos Forcalhos se diz rodilho).
RODILHÃO – amontoado de algo enrodilhado. Rodilhão de silvas. Duardo Neves refere rebulhão.
RODILHICE – dito; intriga (Júlio António Borges).
RODO – utensílio de madeira com que se puxa a cinza do forno. Clarinda Azevedo Maia registou, nos Forcalhos, azorrador com o mesmo sentido.
RODRIGA – estaca para árvore; videira ou feijoeiro (Júlio António Borges).
RODRIGAR – prender as videiras às rodrigas (Júlio António Borges).
ROGAR – oferecer qualquer coisa que se quer vender.
ROLA – homem ingénuo; pateta; palerma; parvo.
ROLHEIRO – conjunto de cinquenta molhos de centeio, que se amontoam no restolho, após a ceifa, onde aguardarão pela acarranja. Vítor Pereira Neves refere relheiro. Um rolheiro corresponde a um carro completo, pelo que, na acarranja, é necessário ir à eira tantas vezes quantos os rolheiros formados no restolho.
ROLHO – peça de madeira onde se lavam os minérios (Clarinda Azevedo Maia – Batocas).
ROMALDEIRA – antiga dança, muito praticada nos bailes. «Dançam o fandango, a chula, a romaldeira, o saloio e variados jogos de roda» (Joaquim Manuel Correia).
ROMANA – balança com ganchos e um braço comprido onde corre o pilão, utilizada para pesagem de sacos e grandes volumes.
ROMANCE – entoação de uma cantiga. «Dar bem os romances» (Clarinda Azevedo Maia – Forcalhos).
ROMÃO – galo preto de crista derrubada, que, cantando, afugenta as bruxas (Franklim Costa Braga).
ROMBO – rolha de cortiça (Júlio António Borges).
RONCHA – pequena concentração de vegetação. Mais a Sul (Monsanto) designa a ceifa que é feita a eito (Maria Leonor Buescu).
RONDA – costume antigo que consiste num passeio nocturno de rapazes a cantar e tocar pelas ruas da aldeia. A ronda parece derivar de práticas militares antigas, em que um grupo fazia a inspecção nocturna à aldeia. A ronda dos rapazes obedecia a regras rigorosas, escrupulosamente cumpridas.
RONHA – manha; malandrice; malícia. Tás com a ronha?. Doença contagiosa que afecta sobretudo a pele das ovelhas (sarna das ovelhas).
RÓPIA – arreganho; orgulho; altivez, farronca.
ROR – grande quantidade; multidão. Ror de gente.
ROSCA – bolo trigueiro, em forma de coroa, que se comia em dias festivos; verme que corta as hastes do renovo. Nas terras do Campo significa bebedeira (Maria Leonor Buescu).
ROSMANO – rosmaninho; planta aromática espontânea com a qual é tradicional fazer as fogueiras nas noites festivas de S. João e de S. Pedro. Clarinda Azevedo Maia registou resmano.
ROSQUILHA – doce em forma de argola, feito de ovos, mel, farinha, azeite e açúcar, muito frequente nos casamentos (Clarinda Azevedo Maia – Batocas).
ROSTILHADA – grande porção de coisas (Franklim Costa Braga). Também se diz rosquilhada.
ROTAR – arrotar.
ROTO – indivíduo que come muito. Maltrapilho. Arroto.
ROUPEIRO – pastor, que para além de guardar o rebanho, tem a seu cargo a tarefa de fazer os queijos (Vítor Pereira Neves).
ROUPINHA – casaco curto, usado pelas mulheres mais ricas. «Sobre as roupinhas nunca faltava o lenço dos ombros de grandes ramagens» (Joaquim Manuel Correia).
RUÇA – geada. Caiu uma ruça!: diz-se perante uma grande geada. Mulher de cabelo louro. Libra – termo da gíria de Quadrazais (Nuno de Montemor). Franklim Costa Braga traduz, na mesma gíria: lebre.
RUDO – duro; mal cozido ou mal assado. As batatas estão rudas.
RUGIDEIRA – brinquedo (Júlio António Borges).
RUNFO – lume – termo da gíria de Quadrazais (Nuno de Montemor).
RUVINAS – chatices; discussões; zangas.
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Paulo Leitão Batista, «O falar de Riba Côa»

leitaobatista@gmail.com

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