O falar de Riba Côa – o léxico (118)

O Falar de Riba Côa - Paulo Leitão Batista - © Capeia Arraiana

Damos continuidade à apresentação do léxico «O Falar de Riba Côa» com as palavras e expressões populares usadas na raia ribacudana.
Entre os termos REINADIO e RESPINGAR.

REINADIO – que gosta de brincar; pândego. «Sempre reinadio e brincalhão» (Abel Saraiva).
REJA – relha do arado (Clarinda Azevedo Maia – Forcalhos).
RELA – espécie de rã, que vive nas ervas. Brinquedo de criança; reladoiro; pessoa maçadora; pelga (Júlio Silva Marques). Haste de madeira com roda dentada e tabuínha, que substituía a matraca na Semana Santa (Clarinda Azevedo Maia – Aldeia da Ponte).
RELAMBÓRIO – conversa fiada; paleio: «buzinou-lhe aos ouvidos o relambório do costume» (Abel Saraiva).
RELÂMPADO – relâmpago (Clarinda Azevedo Maia).
RELAMPEGAR – relampejar (Francisco Vaz).
RELAXADO – pessoa indiferente aos deveres; desorganizado; desmazelado.
RELEGO – moderação; respeito; pudor. «Tem relego na língua!» (Júlio Silva Marques).
RELENTO – ar da noite. Estava ao relento!.
RELHA – ponta de ferro do arado, que rasga os sulcos na terra. Cada uma das peças que une as cambas ao miulo nas antigas rodas dos carros de vacas – as relhas foram depois substituídas pelos raios, dando origem às chamadas rodas de galera (Norberto Gonçalves).
RELOCADO – adoentado; amaleitado (Júlio António Borges). Oco; sem nada (Leopoldo Lourenço).
RELUMBRAR – brilhar; cintilar; resplandecer (do Castelhano).
REMANSO – parte do rio em que a água corre devagar ou estagna.
REMANESCER – infiltrar-se na terra, esvair-se (a água).
REMEDEIO – arranjo; rendimento; governo da casa.
REMÉDIO – veneno para caldear as plantas, de forma a eliminar os parasitas.
REMELA – humor viscoso que se forma nos olhos. Também se diz ramela.
REMELACHA – beterraba (Clarinda Azevedo Maia).
REMELADO – com remela. Indivíduo natural de Pouca Farinha.
REMOCAR – responder; refilar; resmungar (Júlio António Borges). Também se diz remoncar.
REMOER – ruminar.
REMOINHO – pé de vento que roda em círculos; burburinho.
REMONTA – cobrição. Gado de remonta (Rebolosa).
REMUNHAR – redemoinhar; andar à volta (Clarinda Azevedo Maia).
RENDALHO – renda mal feita (Júlio António Borges).
RENGO – porco pequeno, magro e novo (Duardo Neves).
RENOVO – culturas agrícolas que estão na horta; hortaliças.
RENTE – cilada; armadilha (Júlio António Borges).
REPASTO – pequena refeição tomada antes de deitar (Clarinda Azevedo Maia – Vale de Espinho – a mesma autora registou respasto com um outro sentido).
REPENICAR – repicar; toque dos sinos em tom festivo (Júlio António Borges).
REPENTISTA – quadrador que improvisa versos e cantigas ao desafio.
REPOLIR – estar ansioso; desejar.
REPONTÃO – resmungão; que responde torto à pessoas (Júlio António Borges).
REPONTAR – retorquir; responder.
REPULGAR – minguar; diminuir (Júlio António Borges).
REPUXADA – resposta repentina e mordente (Duardo Neves).
RESCA – sol forte; feixe de luz solar muito intensa; réstia.
RESCENDER – exalar mau cheiro.
RESCOVÂNCIA – festa; pândega (José Pinto Peixoto).
RESGALGAR – andar em contínua brincadeira, sem tino (Francisco Vaz).
RESGUARDA – muro lateral que serve de antepara ou guarda em pontes e balcões de casas. Clarinda Azevedo Maia registou nas Batocas o uso do masculino (resguardo) com o mesmo sentido.
RESINGAR – resmungar (Júlio António Borges).
RESMALDA – rapariga indolente, desajeitada (Duardo Neves).
RESMOEIRO – chuva miúda, chuvisco (Clarinda Azevedo Maia – Fóios).
RESPASTO – comida que, no Verão, se dá às cabras de manhã cedo (Clarinda Azevedo Maia – Aldeia da Ponte).
RESPIGADEIRA – mulher que, nas ceifas, apanha as espigas caídas. Mais a Sul (Monsanto) dizem espigadeira (Maria Leonor Buescu).
RESPIGÃO – espigão; pele levantada junto às unhas (Júlio António Borges).
RESPIGAR – apanhar as espigas caídas no restolho após a ceifa. Diz-se quando os cachos de uvas começam a nascer (Clarinda Azevedo Maia).
RESPIGO – pequeno cacho de uvas.
RESPINGAR – rezingar; refilar; responder com maus modos (Júlio António Borges).
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Paulo Leitão Batista, «O falar de Riba Côa»

leitaobatista@gmail.com

One Response to O falar de Riba Côa – o léxico (118)

  1. E na minha aldeia (o Casteleiro), quais destes vocábulos são aplicados?
    Acho que bastantes desta vez:
    REINADIO, RELA, RELAMBÓRIO, RELÂMPADO (e há aquela de um tipo estar arrelampado: desorientado, acho), RELAXADO, RELENTO, RELHA, REMEDEIO (E diz-se esta: «É um triste remedeio»: é uma solução que pouco o é), REMÉDIO, REMELA, REMELADO, REMOER, REMOINHO, RENOVO (acho que era mais aplicado ao feijão em pequenino), RENTE, REPENICAR, REPOLIR (está a repolir – é assim que se usa lá, não como verbo autónomo), REPONTAR, RESCA, RESINGAR, RESPIGAR, RESPIGO, RESPINGAR.

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