Bismula – a passagem do Padre Hélder Lopes

António Alves Fernandes - Aldeia de Joane - © Capeia Arraiana

O Padre Hélder Lopes veio para a zona raiana do Sabugal, oriundo do Colmeal da Torre (Belmonte), das cercanias do Centum Cellas, monumento enigmático, ao qual muitos historiadores atribuem diversas funções, sem chegarem a consenso.

O Padre Helder na procissão da festa da Bismula (foto de Sónia Tomé)

O Padre Helder na procissão da festa da Bismula (foto de Sónia Tomé)

Durante um ano, integrado na paróquia do Sabugal, desempenhou funções pastorais como diácono. No final deste estágio, foi nomeado para a Unidade Pastoral do Planalto do Côa, que integra as paróquias de Badamalos, Bismula, Rapoula do Côa, Ruivós, Ruvina, Vale das Éguas e Vilar Maior, onde desempenhava um trabalho muito meritório. Ainda nesta última Quaresma, mobilizou mais de duzentas pessoas e conseguiu concretizar ao vivo, em Vilar Maior, a Paixão de Cristo segundo São Mateus, presenciada e vivida por milhares de pessoas.
Ao fim de seis anos de trabalho pastoral, partiu para o Seminário da Guarda, onde foi nomeado Vice-Reitor, funções que iniciará em Setembro próximo.
Descemos às ruas da Bismula e fomos auscultar a opinião dos bismulenses sobre a ação do Padre Hélder Lopes.
João António Barradas: «É uma excelente pessoa e muito comunicativa».
Manuel Fernandes: «Esta aldeia que não lhe teve o respeito suficiente. Devia ter sido mais acarinhado. Entrou e esteve numa Bismula profundamente dividida por motivos políticos, mas o Padre Hélder Lopes soube agir sempre com muita independência.»
Benedita Teixeira: «É um bom padre, muito alegre, animou as gentes deste povo, reanimou algumas tradições, que se vão perdendo. Comunica sem imposições.»
Joaquim Ramos Trindade: «Tenho acompanhado pouco a vida do Padre Hélder, porque passo a maior parte do tempo na França, mas reconheço, pelo que vejo, tratar-se de boa pessoa.»
Maria Rita Martins Brigas: «Gostava que aqui ficasse. Como sabes, fui catequista, mas com ele aprendi algo de novo, na catequese para adultos. Organizava passeios e excursões acompanhando as pessoas, criando um grande espírito de unidade. Ninguém fez o que ele fez na Bismula.»
António Dias: «Não nos podemos esquecer que tinha muitas paróquias, e não tinha o tempo necessário para estar mais junto de nós, não tinha tempo para tantos assuntos. Andava sempre numa correria. Chegou a hora de partir, porque teve ordens para sair. Quem trabalha tem de ser recompensado e o Padre Hélder é um bom trabalhador.»
Maria de Lurdes Martins Polónia: «É um bom sacerdote. É uma pessoa cumpridora e organizada. Tem respeito por todos os bismulenses. É cuidadosa na sua missão de Pároco.»
Maria Bernardete Fernandes: «Para um padre jovem encontro-o como um homem de muita Fé. É um homem de convicções fortes e firmes. É um homem com sentimentos. É um seguidor de D. João Oliveira Matos.»
Maria Rosa Gralha dos Reis: «Quando chegou era um pouco autoritário, o que foi diluindo. As suas ideias aproximaram-se das pessoas e aceitação foi melhorando. É uma pessoa com muita dinâmica. Tem uma cultura acima da média. Muito expressivo. É um homem que fortalece as pessoas na Fé.»
Maria Otília Ramos: «É um homem inteligente, trabalhador, humilde e consciencioso. Amigo principalmente dos mais idosos e pobres. No Lar de Nossa Senhora do Rosário da Bismula, mensalmente celebrava a Eucaristia e fazia Festa com todos os utentes. É um homem de Fé que procurava enriquecê-la. Cada homilia era uma catequese. Deu vida à Casa de Cristo Rei, na Ruvina, fez renascer as ideias de D. João de Oliveira de Matos, com a Escola da Fé, a Catequese de Adultos, Retiros Espirituais e Celebração da Semana Santa. Deu vida a estas Paróquias envelhecidas.»
Nas Festas Anuais da Bismula, em honra da sua Padroeira – Nossa Senhora do Rosário, com centenas de emigrantes na assistência, o Padre Hélder Lopes deu graças a Deus por ter sido Pároco durante seis anos.

No dia 31 de Agosto, na Igreja Paroquial de Ruivós, às 14:00 horas, será a Eucaristia de Despedida, congregando todos os paroquianos de Badamalos, Bismula, Rapoula da Côa, Ruvina, Vale das Éguas, Vilar Maior e Ruivós. No final, na Ruvina, na Casa de Cristo Rei, haverá um convívio para quem quiser participar.
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«Aldeia de Joanes», crónica de António Alves Fernandes

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