Plano municipal de apoio às paróquias

Paulo Leitão Batista - Contraponto - © Capeia Arraiana (orelha)

O apoio às paróquias do concelho do Sabugal por parte da Câmara Municipal significa uma aproximação à população e aos seus anseios, além de contribuir para a preservação de um importante património que corre o risco de degradação.

As obras na Igreja de Badamalos tiveram o apoio da Câmara

As obras na Igreja de Badamalos tiveram o apoio da Câmara

A Igreja desenvolve, há que reconhecê-lo, um papel importantíssimo na área social e cultural. A Igreja é de resto a principal depositária da história das nossas freguesias. Antigamente os únicos registos dos movimentos populacionais eram efectuados nos cartórios paroquiais – registos de baptizados, de casamentos e de óbitos. Era a Igreja que detinha o principal património cultural, muito dele adquirido com a subscrição de toda a população – igrejas, capelas, altares, imagens de santos, retábulos e demais arte sacra. A Igreja era o principal apoio dos mais carenciados, nalguns casos com serviços de protecção aos mais pobres e de recolha e amparo de crianças órfãs ou enjeitadas, nomeadamente através das misericórdias. Era nos seminários que os jovens aldeãos mais carenciados tinham a oportunidade de estudar, mesmo quando a vocação sacerdotal escasseava. Era na catequese que as crianças aprendiam o essencial da vida em comunidade e era muitas vezes por intermédio do clero que o povo se unia e fazia frente comum pelas causas válidas.
É pois muito justo que a Câmara apoie as paróquias, tanto mais num tempo em que as pessoas das aldeias rareiam e os sacerdotes também, mas mantém-se vivo o culto e a fé.
Nada melhor do que elaborar com as paróquias um plano anual para os apoios a conceder, ao invés de seguir o caminho errático que se tem tomado, em que se apoiam iniciativas ocasionais, de requalificação de uma capela, de organização de uma festividade ou do arranjo de uma casa paroquial. Tudo fruto das influências, das pressões, das «cunhas», e não de um levantamento e discussão das principais e reais necessidades.
Há no país exemplos bem sucedidos deste tipo de acção.
A Câmara de Ílhavo apoia as obras de requalificação das igrejas seguindo um plano estabelecido com as paróquias, assente na ideia de contribuir para a valorização urbana e patrimonial desses edifícios de especial importância para os cidadãos.
A Câmara de Coimbra assina regularmente protocolos com as paróquias com vista a implementar contratos-programa que incluem a comparticipação financeira para apoio a obras de reparação de igrejas e capelas.
A Câmara de Silves desenvolve um programa designado «Memórias Escondidas» pelo qual realiza com as paróquias um intenso trabalho de preservação e organização dos arquivos paroquiais, envolvendo os técnicos de arquivo do Município.
A Câmara de Arronches assina protocolos de cooperação com as paróquias para a recuperação do espólio religioso fora de uso e proveniente das ermidas e igrejas desactivadas, para assim evitar a sua degradação ou sujeição a actos de furto ou de vandalismo.
Referimos apenas alguns dos muitos e bons exemplos que há pelo país e que podem servir de referência à nossa própria acção.
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«Contraponto», opinião de Paulo Leitão Batista

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