O falar de Riba Côa – o léxico (111)

O Falar de Riba Côa - Paulo Leitão Batista - © Capeia Arraiana

Damos continuidade à apresentação do léxico «O Falar de Riba Côa» com as palavras e expressões populares usadas na raia ribacudana.
Entre os termos POJO e PREADO.

POJO – poejo; planta herbácea labiada, usada para chá, especialmente indicado para dores intestinais.
POLDRÃO – pessoa mal ajeitada (Júlio António Borges).
POLDRAS – pedras espaçadas que permitem atravessar a pé enxuto um curso de água. Também se diz alpondras (Joaquim Manuel Correia) e espoldras (Duardo Neves).
POLEIRO – galinheiro.
POLHA – galinha – termo da gíria de Quadrazais (Franklim Costa Braga).
POLMO – molho grosso, feito com leite, água, ovos e farinha (José Pinto Peixoto).
POLRETA – borla da rodilha ou molide (Clarinda Azevedo Maia e Júlio António Borges).
POLVORINHO – redemoinho de vento e poeira (Júlio António Borges).
PONTA – pequeno rebanho de cabras ou ovelhas.
PONTADA – dor aguda e de pouca duração.
PONTÃO – ponte estreita, para passagem pedestre, formada por lajes de granito, apoiadas em cunhais da mesma pedra.
POPELINA – tecido de algodão usado na confecção de blusas para as mulheres.
PÔPO – habitante de Aldeia da Ribeira (Júlio Silva Marques).
PÔR A PATA NA POÇA – fazer asneira; enganar-se.
PORCADA – qualquer coisa que entrou para os olhos (Adérito Tavares). porcaria; lixo; resíduo de palha traçada que fica na eira após a malha (Clarinda Azevedo Maia). Manada de porcos; vara; o m. q. marranada.
PORCELANA – esmalte (Clarinda Azevedo Maia).
PORCHINELO – chinelo (Leopoldo Lourenço).
PORCO BRAVO – javali.
PORCO COIMBREIRO – porco que era comprado na primavera de uma vara que passava pelas aldeias (António Maria das Neves).
PORCO MONTÊS – javali.
POR DÁ CÁ AQUELA PALHA – por uma insignificância.
POR MOR DE – por causa de; porque. Abreviatura de «por amor de», segundo Júlio Silva Marques.
PORRADA – sova; pancada. Grande quantidade: apanhei uma porrada de peixes.
PORRO – sujidade entranhada. «Se querias os porros lavados, tinhas-me dito» (Carlos Guerra Vicente).
PÔR-SE NA ALHETA – fugir.
PORTA – cada um dos locais de espera nas batidas de caça grossa; aquele que aí fica de atalaia.
PORTADO – porta interior de uma habitação (Clarinda Azevedo Maia – Aldeia do Bispo).
PORTA FALSA – varanda (Clarinda Azevedo Maia – Forcalhos).
PORTAL – abertura na vedação de uma propriedade rústica para passagem de pessoas e animais.
PORTALEIRA – portal grande, abertura de entrada nas propriedades, por onde passam os carros de vacas.
PORTO – passagem sobre um rio (Clarinda Azevedo Maia). Este termo está presente na toponímia da região (Porto de Ovelha, Porto da Carne, Porto Mourisco), normalmente em locais onde existiam pontes e postos de portagem para a cobrança de impostos.
POSTE – armadilha feita com pedras, para caçar coelhos (Júlio António Borges).
POSTIGO – porta pequena. Meia porta exterior à porta principal das casas. A porta ficava aberta durante o dia, mas o postigo permanecia fechado.
POTE – recipiente de barro, de forma globular, vidrado por dentro, utilizado para armazenagem de líquidos, especialmente do azeite. Pessoa baixa e gorda.
POTE DE SIRIBANDA – coisa reles; sem préstimo – não vales um pote de seribanda (Rapoula do Côa).
POTREIA – produto de má qualidade, podre (Duardo Neves).
POTRILHO – faúlha; cisco (Júlio António Borges).
POUPO – trança de cabelo enrolada na nuca, forma de pentear usada pelas mulheres.
POUSADA – conjunto de quatro molhos de pão (de centeio). Júlio António Borges chama-lhe pousa e diz corresponder a cinco molhos. Lugar onde cada duas pessoas pousam as mancheias de cereal quando andam a ceifar. Conjunto de cinco filhos: tem uma poisada de filhos (Clarinda Azevedo Maia – Aldeia da Ponte).
POUSO – lugar onde se está. Mó inferior, sobre a qual roda a pedra andadeira. Lugar de paragem do cortejo fúnebre, para rendição dos «pegadores» do esquife, o que implicava «pousar« o corpo do defunto. Para lá do descanso, aproveitava-se a paragem para sufragar as almas, sendo os pousos assinalados por pequenas cruzes ou por «alminhas».
POVO – povoação.
PRAGANA – resto de espiga.
PRAGANUDA – cevada (Manuel Leal Freire).
PRAGAR – rogar pragas (Júlio António Borges).
PRANHA – prenhe; grávida.
PRANTADO – especado; plantado.
PRANTAR – colocar; pôr; plantar. «O povo da Beira diz sempre prantar (do Latim: plantare) em vez de pôr» (José Leite de Vasconcelos). «Prantem o chapéu, que Nosso Pai não anda na rua» (Joaquim Manuel Correia).
PRATAZIL – prato muito cheio (Júlio António Borges).
PRÁTICA – homilia; discurso, sermão.
PRATICANTE– estudante de medicina que já exerce nas aldeias espanholas.
PREADO – cão raivoso; danado. Pessoa muito activa.
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Paulo Leitão Batista, «O falar de Riba Côa»

leitaobatista@gmail.com

2 Responses to O falar de Riba Côa – o léxico (111)

  1. Hoje, é uma mão-cheia delas.
    São estas as palavras e expressões que conheço do Casteleiro:

    POLDRAS, POLEIRO, POLMO (este pôlmo lê-se assim, como escrevi. Mas no Casteleiro diz-se «pólme»), PONTADA, PONTÃO, POPELINA (e popeline), PÔR A PATA NA POÇA, PORCO BRAVO, PORCO MONTÊS, POR DÁ CÁ AQUELA PALHA, POR MOR DE, PORRADA, PÔR-SE NA ALHETA, PORTA, PORTAL, POSTIGO, POTE,
    POTREIA, POVO, PRAGANA, PRANHA, PRANTADO, PRANTAR, PRATAZIL, PRÁTICA (O Sr. Padre hoje na prática falou lá mai bem c’ò quêi), PREADO.

    Muitas, hem?!!!!

  2. Alberto Pachê diz:

    Quero aqui deixar a minha contribuição em relação a variantes de alguns termos utilizados na aldeia de Vale de Espinho. Poldras em V.de Espinho diz-se Poldres.Também existe uma zona com o nome de Porto,e de facto existe lá uma ponte sobre um riacho.Povo,zona da aldeia onde habitavam as pessoas com mais posses,ao contrário da Barreira que era o local dos mais pobres..

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