O falar de Riba Côa – o léxico (109)

O Falar de Riba Côa - Paulo Leitão Batista - © Capeia Arraiana

Damos continuidade à apresentação do léxico «O Falar de Riba Côa» com as palavras e expressões populares usadas na raia ribacudana.
Entre os termos PILHAR e PIRRALHO.

PILHAR – agarrar, apanhar, alcançar. Aqui te agarro além te apilho. «Se forem breve ainda o pilham» (Joaquim Manuel Correia).
PILHEIRA – local onde se deposita a cinza do lume. Normalmente consistia numa abertura na parede, junto da lareira.
PILOTA – estopada, estafadela, partida desgastante (Duardo Neves).
PIMPÃO – valentão; fanfarrão.
PINANTE – chapéu – termo da gíria de Quadrazais (Nuno de Montemor).
PINÇÃO – pé de cacho depenicado; sem uvas; o m. q. piçó (Júlio António Borges).
PINCHADO – perfurado com o corno (na tourada).
PINCHAR – saltar. Picar; ferir.
PINCHE – moço de recados; rapaz novo (José Pinto Peixoto). Rapaz vivo, bem apresentado (Leopoldo Lourenço). Francisco Carreira Tomé registou pincho. Abel Saraiva chama pinche a cada um dos rapazes que na malha tinham a função de carregar às costas a palha para formar o palheiro: «Nunca vi pinches tão reles! Nem os burros dos ciganos são tão tropeçudos!».
PINCHO – trinco, ou ferrolho, da porta na forma de lingueta que levanta quando rodada a aldraba. Salto (Leopoldo Lourenço). Duardo Neves refere apincho.
PINGA – vinho. Tomas uma pinga?.
PINGADA – fatia de pão torrado embebido no molho resultante da cozedura do bucho (Aldeia Velha).
PINGANÉL – pingente ou estalactite de gelo que pende dos beirais (Júlio António Borges); o m. q. escarapeto.
PINGÃO – pelintra; pacóvio (Pínzio). Pessoa alta; vestido que cai mal (Júlio António Borges). Pingo de gelo que pende do beiral (Leopoldo Lourenço).
PINGAR – cabecear com sono.
PINGENTE – reles; sem préstimo; vagabundo mal apresentado.
PINGO – gordura de porco; banha (Júlio António Borges).
PINGUDO – peça de vestuário que descai (Júlio António Borges).
PINO – pau grosso do mangual, que bate no cereal (Clarinda Azevedo Maia – Aldeia Velha); o m. q. pírtigo.
PINÓIA – galdéria; mulher vadia, de má vida.
PINOCA – esgalho de um cacho de uvas (Duardo Neves). Ramos de castanheiro com ouriços (Aldeia Velha).
PINOTE – salto de besta; pulo; cabriola. A mula desatou aos pinotes.
PINTALGAR – começar a amadurecer – os frutos (Francisco Vaz).
PINTANÇO – tipo de entremez – peça dramática de teatro (Júlio Silva Marques).
PINTAR – arroxear dos bagos das uvas no início da maturação (Duardo Neves). Aparecimento dos primeiros pêlos junto aos órgãos sexuais dos adolescentes.
PINTAR A MANTA – provocar desordem, espalhafato, alarido.
PINTEIRO – lugar onde se colocam os pentes (Clarinda Azevedo Maia – Aldeia da Ponte).
PIO – pia que armazena a água de uma fonte (bica) e serve de bebedouro para os animais.
PIONA – pão grande (Franklim Costa Braga).
PIORNO – planta silvestre, do género da giesta, mas picosa.
PIOSCA – pião pequeno.
PI-PI – galinha, ou outra ave (linguagem infantil). Fórmula de chamamento das galinhas.
PIRÂMOLA – pirâmide formada com quatro molhos de linho empinados, após curtir na ribeira (José Pinto Peixoto).
PIRANGA – pelintra; preguiçoso, calaceiro (Duardo Neves).
PIROLIZ – ave a que são atribuídos poderes adivinhatórios sobre a morte de alguém. «É o piroliz, cujo nome provém da sua forma de cantar: piroli… piroli… piroli…» (António Cerca).
PIRRAÇA – partida; caçoada; desfeita.
PIRRALHO – criança; garoto (Júlio António Borges).
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Paulo Leitão Batista, «O falar de Riba Côa»

leitaobatista@gmail.com

One Response to O falar de Riba Côa – o léxico (109)

  1. No Casteleiro conhecem-se alguns destes regionalismos também.

    Por exemplo: PILHAR (mas a significar roubar: «Olho que vês, mão que pilhas»), PILHEIRA, PIMPÃO, PINCHAR, PINCHO, PINGA, PINGENTE («És um pingente encardido»), PINOTE, PINTALGAR, PINTANÇO (a significar guerra numa casa ou no meio da rua: «Armaram lá um pintanço dos diabos»), PINTAR, PINTAR A MANTA, PIO, PI-PI, PIRANGA (andar na piranga é andar no ló-ró, na passeata e não fazer nada), PIRRAÇA, PIRRALHO.

    Só isto! Boa tarde…

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