As cloacas da nossa democracia

António Emídio - Passeio pelo Côa - © Capeia Arraiana

Presentemente a nossa Democracia, imperfeitíssima, assemelha-se mais a um teatro de marionetas cujos cenários estão a cargo dos corifeus da comunicação social. Os espectadores, contribuintes, pagantes, somos todos nós, o Povo. Os actores são a maior parte dos homens e mulheres da elite político-económica. Há pelo menos dez anos que está em cena o drama – As cloacas da nossa democracia.

Os novos emigrantes

Os novos emigrantes

Começo pela cloaca máxima. Portugal não passa de um protectorado alemão, de uma feitoria chinesa, de um quartel norte-americano e de uma vitima do Fundo Monetário Internacional.
Agora outras cloacas:
– Ter que recorrer à emigração, principalmente os mais jovens, para poderem sobreviver. Um regresso aos anos 60 do século passado. Uma involução que na sua origem está a repartição injusta da riqueza e a ofensiva brutal que o Neoliberalismo levou a efeito contra a justiça social.
– Apoio incondicional da justiça aos ricos e poderosos, e uma perseguição feroz às classes populares e médias – reporto-me a crimes económicos.
– Corrupção.
– Destruição da política educativa e de saúde.
– Desemprego, salários baixos, precariedade laboral, pensões de reforma miseráveis e pobreza galopante.
– Não há quase nenhum sector da sociedade portuguesa que não seja mal tratado e esteja em retrocesso social e político, isto é insustentável.
– Deixei para o fim o sectarismo e o extremismo. O sectarismo é uma cloaca tóxica, envenena a nossa convivência cívica, porque um sectário é um extremista intolerante, mas a intolerância não vem só de uma obediência cega a uma qualquer ideologia, vem também de uma ambição levada a cabo por incompetentes mais interessados em privilégios e corrupções do que num bom serviço público. Um sectário não luta por um ideal, luta por um interesse particular, e por esse interesse difama. Humanamente é um deserto ético, moralmente um delinquente, intelectualmente uma nulidade.
Quem resta? Quem são os heróis neste País? São os que todas as manhãs se levantam cedo para irem para o trabalho, para as repartições públicas, para os hospitais, para as escolas, para as empresas, são os imigrantes sem segurança social e laboral, são os reformados que vivem com misérrimas pensões, são os que vivem em plena solidão como os viúvos e viúvas. Estes são os heróis.
Estas palavras já estão puídas, já não interessam a ninguém, mas têm uma coisa, estão actuais e são verdadeiras.
Hoje termino com palavras do humorista brasileiro Jô Soares : «As pessoas estão tão acostumadas a ouvir mentiras, que sinceridade de mais choca e faz você parecer arrogante».
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«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

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