Memórias sobre o Concelho do Sabugal (40)

:: :: QUINTAS DE SÃO BARTOLOMEU :: :: O livro «Terras de Riba-Côa – Memórias sobre o Concelho do Sabugal», escrito há mais de um século por Joaquim Manuel Correia, é a grande monografia do concelho. A obra fala-nos da história, do património, dos usos e dos costumes das nossas terras, pelo que decidimos reproduzir a caracterização de cada uma das aldeias nos finais do século XIX, altura em que o autor escreveu as «Memórias».

Igreja Matriz das Quintas de São Bartolomeu - Censos 1758 - Capeia Arraiana

Igreja Matriz das Quintas de São Bartolomeu (Sabugal)

É uma pitoresca aldeia três quilómetros a noroeste do Sabugal, formada de cinco Quintas ou pequenas povoações: Quinta do Santo, Barrocal, Curral, Redonda e do Meio.
A Quinta do Santo é a principal e situada no ponto mais elevado. É esta freguesia abundante em águas potáveis e para irrigação, banhada como é por um ribeiro que fertiliza as suas mimosas hortas e lameiros. Tem muitas árvores frutíferas, especialmente castanheiros. Passa a pequena distância a estrada que partindo da estrada distrital, perto da ponte dos Sargaçais, se dirigia à estação da Cerdeira, chegando apenas ao alto das Vinhas entre esta povoação e a nova freguesia do Baraçal, porque os recursos do Estado não chegam para mais.
No verão muitas famílias visitam as Quintas, aproveitando a estrada a que nos referimos ou o caminho antigo. Perto da povoação passa a caudalosa ribeira dos Sargaçais, que a pequena distância se une ao rio Côa. Nas margens dessa ribeira, que nasce perto da Paã, há belíssimas veigas e lameiros. Junta-se-lhe o ribeiro das Quintas sobre o qual há uma ponte, a poucos metros da freguesia.

Igreja paroquial
É decente e de boas dimensões e tem altares regularmente ornados. No altar-mor vê-se S. Bartolomeu, orago da freguesia.
O cemitério está fora da povoação, em local apropriado, sendo de lamentar que não tenha melhor caminho.
A Feira de S. Bartolomeu, que se realiza no dia deste santo é sempre muito concorrida pela gente do Sabugal. Era costume haver nesse dia corrida do touro com forcâo e garrochas, corrida que tanto ali como noutras povoações tem o nome de folguêdo.
Existe ali um indivíduo de nome Joaquim, a quem numa dessas bárbaras corridas o touro martirizou, rasgando-lhe a face, que foi cosida a pontos naturais, ficando-lhe um gilvás que vai da bôca ao pé da orelha esquerda. «Não me ficou a boca doce do folguêdo», disse-nos ele um dia que estava com a sua alquitarra fabricando aguardente de bagaço, no que era exímio.
Ao norte da Quinta do Curral estão seis cruzes de granito, assentes sobre rochas. Algumas dessas cruzes estão ornamentadas com baixos relêvos. Eram destinadas ao exercício da Via Sacra. A esta Quinta melhor cabia o nome da Quinta das Cruzes.
O pároco, simples cura, mas a quem o povo chamava vigário, era da apresentação do Vigário da Vila do Touro, a cujo extinto concelho pertenceu. Recebia 6.000 reis de côngrua.
Em 1765 tinha 101 fogos e em 1889 tinha 150.
A escola do ensino elementar é mista. Foi criada em 1904. Esteve ali professora a Sr.a D. Maria Amália Tomé que foi depois para a Carvoeira, concelho de Mafra, onde estava a Sr.a D. CÂNDIDA FORTE QUINTELA, do Sabugal, que tomou posse da cadeira em 1901, se a memória nos não falha.
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Joaquim Manuel Correia

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