As grandes riquezas de África – opulência e miséria

Manuel Leal Freire - © Capeia Arraiana

Mau grado a enorme extensão de terras desérticas e pantanosas que cobrem quase um terço daquele continente, a África é, mesmo sob o ponto de vista agrícola, muito rica.

África (foto D.R.)

África (foto D.R.)

O vale do Nilo é uma das áreas mais produtivas do globo.
Aliás, o vinho, o azeite, o trigo, grandes pomares de citrinos, tâmaras e figos caracterizam toda a África Mediterrânea.
Ao sul do Sará, a cana de açúcar, o algodão, o milho, o feijão, as frutas tropicais… estão um pouco por todo lado.
A caça – míuda e grossa – fornece, para além de carne em abundância e quase à mão, peles de alto preço, não falando já do marfim.
A costa, da Mauritânia ao Suez, voltejando assim o Continente, abunda nas mais variedades espécies piscícolas, atraindo as mais bem apetrechadas frotas pesqueiras de todo o Mundo.
De resto, até os cursos de água, desde os muito volumosos como o Zaire aos pequenos riachos proporcionam a obtenção de peixes comidos geralmente secos.
As florestas com o ébano, o pau santo e outras árvores exóticas permitem uma boa entrada de divisas.
Mesmo assim, a grande riqueza de África são as jazidas de petróleo e de metais preciosos ou raros. Quase todos os países da costa ocidental, com especial relevo para a nossa antiga província de Angola e a ex-colónia inglesa, hoje dividida por Nigéria e Gana, são riquíssimos no chamado ouro negro.
E até pequenos arquipélagos, caso, v g, de São Tomé e Príncipe, têm nas suas águas territoriais fabulosas reservas daquele líquido essencial no mundo de hoje.
E o ouro, os diamantes, o tungesténio, a autonite, o tobernite e outros minérios, alguns dos quais só existentes em subsolo africano – e daí os golpes e contragolpes pelo governo de certos estados até minúsculos – têm naquele continente as maiores reservas.
Mau grado tamanhas riquezas, a fome grassa nalguns estados, podendo mesmo afirmar-se ser toda a África um continente subdesenvolvido.
As independências precoces, a má delimitação de fronteiras, a corrupção e tirania de muitos incompetentes alcandorados ao poder por interesses estrangeiros, encapotados sob as mais diversas siglas – eis algumas das causas que fazem coincidir no mesmo território fortunas sardanapalescas e milhões de famílias sem o mínimo essencial.
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«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

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