Memórias sobre o Concelho do Sabugal (33)

:: :: MOITA :: :: O livro «Terras de Riba-Côa – Memórias sobre o Concelho do Sabugal», escrito há mais se um século por Joaquim Manuel Correia, é a grande monografia do concelho. A obra fala-nos da história, do património, dos usos e dos costumes das nossas terras, pelo que decidimos reproduzir a caracterização de cada uma das aldeias nos finais do século XIX, altura em que o autor escreveu as «Memórias».

Igreja Matriz Moita (Sabugal) - Capeia Arraiana

Igreja Matriz da Moita (Sabugal) – Foto: (D.R.)

Edificada na encosta ocidental de uma das ramificações da serra de Opa e a 12 quilómetros a sudoeste do Sabugal, a Moita esconde se entre o arvoredo que de todos os lados a cerca, mal podendo ver-se de fora. Os seus terrenos são férteis e o clima dos melhores, produzindo bom vinho e todos os géneros agrícolas. Tem gados das diferentes espécies, sobretudo ovino, bovino e caprino.
Fazia parte do concelho de Sortelha. Era este lugar devasso, e foi feito Honra por Soeiro Paes (Vid. «Dioc. e Dt.º da Guarda», p. 42).
A igreja está muito decente. O orago é S. Pedro. Era o pároco de apresentação real, recebendo 17.000 reis de rendimento.
Tinha em 1765 apenas 60 fogos e 240 almas e actualmente 112 e 375 almas. Tem muitas árvores frutíferas cujos frutos são muito saborosos, especialmente figos, peras, maçãs, cerejas e ginjas.
Muito descurada tem sido a instrução nesta freguesia, onde não tem havido escola, apesar de ter uma população regular.
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O Diário de Notícias referindo-se a um achado arqueológico nesta freguesia, publicou a seguinte notícia:
CASTELEIRO (SABUGAL), 6 – Na vizinha freguesia da Moita, quando há dias, Manuel Pedreiro procedia a escavações no seu chão do Pombal encontrou enterrados um pote, um sacho em forma de triângulo e uma imagem de bronze do tamanho dum palmo. Trata-se dum achado arqueológico.
Referindo-se ao achado, o mesmo jornal, no dia 18-Julho-35, voltava a publicar:
CASTELEIRO (SABUGAL), 11 – Estiveram ontem, nesta localidade, os srs. administrador do concelho e secretário da Câmara Municipal, que tomaram conta duma imagem de santo em bronze, de várias aguçadeiras, uma pedra de lousa e outros objectos constantes do achado arqueológico a que já nos referimos.
E ainda sobre o mesmo achado arqueológico, o Século publicava também:
CASTELEIRO, 12 – C. – O sr. administrador do concelho do Sabugal recebeu uma comunicação para tomar as medidas necessárias, a fim de evitar o extravio ou danificação de alguns objectos encontrados no Casteleiro, por Manuel Pedreiro, os quais deviam ter valor arqueológico. Aquela autoridade apressou-se a cumprir o que lhe era pedido, e verificou que o achado não se dera nesta localidade, mas sim na vizinha povoação da Moita e já há quatro anos, conforme afirmou o Manuel Pedreiro. Este, entregou ao sr. administrador do concelho todos os objectos encontrados.
Devido à amabilidade do sr. dr. Mendes Guerra e daquele, conseguimos obter para O Século o desenho dos achados e conversámos com o Manuel Pedreiro, que nos contou que andava, há quatro anos, a alqueivar umas terras para centeio, no Chão de Pombal, quando encontrou, num cabeço, vários objectos e, um pouco mais ao lado, um pote de barro, tapado, que continha cinza. Também já no mesmo local havia descoberto metade duma vazilha, em bronze, que parecia uma caldeira de água benta, bem como uma colher do mesmo metal, artisticamente trabalhada, na serra d’Opa.
É curioso registar que na mesma propriedade, pertencente, do lado oeste, ao sr. dr. Mendes Guerra, têm aparecido inúmeros vestigios de antigos fornos de fundição de estanho, que, segundo parece, são de origem romana.
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Joaquim Manuel Correia

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