Não uma África, mas muitas Áfricas

Manuel Leal Freire - © Capeia Arraiana

Histórica, cultural, étnica, económica e culturalmente, África é um continente heterogéneo, muito heterogéneo mesmo. Do Cairo ao Cabo, da Mauritânia ao Suez, de Bissau ao Corno ou de Angola à Contra-Costa, são extraordinárias as diferenças ou mesmo frisantes os contrastes.

Continente Africano

Continente Africano

No Norte, temos Marrocos com os seus moleis, a Argélia que foi dos beis, a Tunisia dos dreis, o Egipto dos faraós, a Tripolitania e Cirinaica da colonização romana.
Em 1415, com a conquista de Ceuta, começa a influência portuguesa no Magrebe, para onde já na idade contemporânea convergiriam as ambições de Espanha e França, a primeira ainda remanescente em Marrocos, e a segunda só quase nos nossos dias deixando de administrar Argélia e Tunísia.
O Egipto foi tradicionalmente um protectorado britânico, apenas contestado pelo nasserismo, após a queda de Faruc, o último monarca.
Tripolitania e Cirenaica, fundidas na Líbia, foram colónia italiana, até quase o final da Segunda Grande Guerra, durante a qual foram cenário de grandes combates entre o Oitavo Exército Aliado, sob o comando de Montegomeri e as tropas de Rommel, o maior estratega do Eixo, brutalmente sacrificado pelas loucuras de Hitler.
No momento presente, o único dos estados mediterrânicos de África, perfeitamente estabilizado, é Marrocos.
A Argélia post-francesa não conseguiu ainda uma harmonia sociopolítica que a ponha a salvo de extremismos.
A Tunísia vive as continências da chamada revolução branca.
A Líbia post-Kadafi vive mergulhada num caos a demonstrar que a queda do ditador, económica, financeira e socialmente, teve péssimas consequências.
Finalmente, o Egipto está a braços com a irrupção da Irmandade Muçulmana.
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«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

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