Exemplos

Fernando Lopes - A Quinta Quina - © Capeia Arraiana

Não vos vou falar de Eusébio. Nestes dias foram mais que muitas, e justas, as palavras sobre esse genial futebolista e ser humano. Mas não posso de expressar o quanto me incomodou as palavras proferidas pela Presidente da Assembleia da República. Disse esta senhora, em pleno funeral de Eusébio, quando questionada sobre a trasladação do corpo para o Panteão Nacional, que sim, mas que os custos eram muito elevados. Mesmo que o sejam, não era o local nem o momento para o dizer.

Assunção Esteves com Luís Filipe Vieira

Assunção Esteves com Luís Filipe Vieira

Quanto aos custos, é importante saber que o orçamento da Assembleia da República é de cem milhões de euros! Local, onde se come e bebe à grande a preços irrisórios, por onde se desperdiçam milhões com mordomias, preocupa-se a sua presidente com os custos da trasladação do corpo de Eusébio para o Panteão?! Mas que moral! Tão preocupada com os custos para o erário público de uma senhora que se reforma aos 42 anos de idade, que optou pelo valor da reforma em vez do vencimento de Presidente da Assembleia da República, que é menor, mas é a actividade que exerce?! São estes os exemplos.
Mas esta semana trouxe mais uma aparição propagandística do ministro Crato. Depois de pregar publicamente contra os computadores Magalhães do tempo de Sócrates, aparece agora a oferecer tablets. Não, não é uma campanha nacional. Foi escolhida uma escola, os tais projectos pilotos, onde se ficou a saber que a Samsung ofereceu os tablets e a Leya os conteúdos. É uma experiência, sim, mas só lamento que tal projecto não tenha sido levado a cabo numa escola do interior. Mas importa recordar as palavras do sr. ministro «não há nada que substitua o professor e o contacto humano». É verdade. Mas lamento que não o tenha dito diante dos tais «humanos» professores a quem tanto mal tem feito. São os exemplos.
Só mais uma nota, Portugal emitiu dívida. O mesmo é dizer que foi aos mercados financiar-se. Depois de um bom resultado da Irlanda nos mercados, de notícias favoráveis das agências de rating, parece que os ventos foram favoráveis para Portugal. O que me custa a entender, para além desses videntes obscuros que definem os rating’s, por que motivo não podem os estados da união monetária que formam o Banco Central Europeu financiar-se ao mesmo custo que os bancos privados? Estes financiam-se a 1% e depois vão comprar dívida aos estados a juros muito mais elevados. Fará sentido? Desta forma obrigam-se os países a empobrecer, enriquecendo os grandes grupos financeiros. São exemplos.
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«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

One Response to Exemplos

  1. Jfernandes diz:

    Caro FLopes:
    Muito bem observado.
    Quanto´ao financiamento dos Estados, não se percebe, na verdade porque razão um Estado se tem que financiar aos valores de mercado e os particulares desse Estado (os Bancos) se podem financiar aos valores fixos de 1%. O que na verdade acontece é que o Estado,(Nós todos) paga o diferencial desse financiamento.
    Mas, já agora por que razão os Bancos não são taxados com os impostos iguais aos de qualquer empresa privada? Será que eles não são empresas comerciais que comprm e vendem dinheiro?
    É este o país que temos e que terá de mudar dê lá por onde der.
    JFernandes

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