Ensino superior e desenvolvimento regional

Ramiro Matos - Sabugal Melhor - © Capeia Arraiana (orelha)

Notícias recentes falam do interesse na integração da Universidade da Beira Interior (UBI) com os Institutos Politécnicos da Guarda (IPG) e de Castelo Branco (IPCB), como uma estratégia de sobrevivência destas Instituições Universitárias.

IPG - Instituto Politecnico Guarda - Capeia Arraiana

IPG – Instituto Politecnico da Guarda (foto: D.R.)

Porque este é um tema que considero da máxima importância para o desenvolvimento do interior beirão, tecerei aqui algumas considerações sobre o mesmo.
E começo por dizer que discordo substancialmente das afirmações produzidas, não porque não considere importante para a Região a existência do ensino superior, mas, sobretudo, porque a possível integração deve ser feita, não a pensar na sua sobrevivência, mas sim no contributo que uma instituição forte como seria a UBI/IPG/IPCB pode dar para a criação/afirmação de uma Beira Interior desenvolvida e coesa territorial e socialmente.
Defendo um setor de educação e formação articulado e funcionando em rede e abrangendo todos os níveis escolares e de formação tecnológica que contribua para a dinamização de um sistema regional de inovação e competências, colocado ao serviço das estratégias regionais definidas.
Defendo a mobilização estruturante das Instituições de Ensino Superior para a sua Terceira Missão (transferência de conhecimento para o mercado e para a sociedade) e contribuição para o Desenvolvimento Local, Sub-Regional e Regional.
Defendo um setor de educação e formação tecnológica que seja um elo fundamental para (de acordo com a estratégia CRER 2020 da Região Centro):
– o desenvolvimento de uma estratégia integrada, concertada e sustentada de captação e manutenção de IDE na Beira Interior;
– a estruturação de um verdadeiro Ecossistema Regional da Qualidade, Inovação e Empreendedorismo, de natureza multinível e polifacetado;
– a dinamização de um sistema de reconhecimento de empresas spin-off, empresas gazela e de elevado crescimento;
– a mobilização e envolvimento da sociedade civil em mecanismos de inovação aberta;
– a criação de um programa regional direcionado para apoiar a aceleração de empresas com alto potencial de crescimento;
– a consolidação da rede regional de Parques de Ciência e Tecnologia;
– o apoio a Projetos de I&D desenvolvidos por entidades do Sistema Científico e Tecnológico;
– o apoio a projetos de IDI desenvolvidos por entidades do Terceiro Setor, ONG e Administração Pública;
– a consolidação da rede regional de entidades de transferência de tecnologia;
– o reforço da rede regional de estruturas de apoio à inovação e transferência de tecnologia das instituições de ensino superior;
– a criação de condições altamente favoráveis ao envolvimento de docentes do ensino superior em atividades de inovação e empreendedorismo;
– o estímulo ao registo e licenciamento de patentes e outros meios de proteção da propriedade industrial, com especial enfoque no registo e licenciamento a nível internacional de patentes geradas com base em conhecimento gerado na Beira Interior;
– a criação e formação de Rede Regional de formadores, dinamizadores e mentores da qualidade, inovação e empreendedorismo;
– a dinamização de rede de espaços e dinâmicas locais de apoio à experimentação, criatividade e inovação, estimulando igualmente as empresas a participar nestas dinâmicas, apoiar e criar espaços de experimentação e de lançamento de microempresas e empresas spin-out, mas ensaiando também novos formatos de experimentação;
– a garantia da presença da Beira Interior em grandes redes internacionais de I&D;
– o reforço da realização de doutoramentos em colaboração efetiva e partilhada com empresas, entidades do Terceiro Setor, ONG e Administração Pública;
– a promoção de iniciativas de intercâmbio e trocas de experiência, a nível internacional, que permitam identificar as melhores práticas internacionais nas vertentes da inovação e do empreendedorismo;
– o desenvolvimento de competências centrais, por forma a que haja uma cobertura regional universal, em todos os níveis de ensino (do primeiro ciclo do ensino básico até ao ensino superior) das temáticas do empreendedorismo, criatividade, qualidade e inovação, voluntariado, cidadania plena baseada em direitos e obrigações;
– a consolidação do ensino profissional e de percursos duais de evolução no sistema educativo, devidamente direcionada para as reais necessidades do mercado de trabalho local, sub-regional e regional;

Infelizmente nada disto ressalta da longa entrevista dada pelo atual reitor da UBI ao jornal «O Interior».
Mais parece que as instituições universitárias da Beira Interior continuam centradas no seu umbigo, mais preocupadas com a sua própria sobrevivência, não entendendo que esta está umbilicalmente ligada à própria sobrevivência e desenvolvimento da Região onde se inserem.
Não há futuro para a UBI, o IPG, ou o IPCB se a Beira Interior não tiver futuro.
E será mais difícil para esta Região o caminho do desenvolvimento e da afirmação sem o empenho do setor da educação e da formação tecnológica, onde, naturalmente, as Instituições do ensino superior são fundamentais.
Espero que a nova direção da Comunidade Interurbana Beiras e Serra da Estrela e as direções das instituições universitárias percebam isto…
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«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

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