A reconquista dos espíritos

Manuel Leal Freire - © Capeia Arraiana

No admirável prefácio que deu ao livro «Souvenirs de Prison de Charles Maurras», o grande politólogo belga Gustave Thibon explica como o maurrassismo não é um sistema fechado, ou não é sequer um sistema, na acepção habitual do termo.

Gustave Thibon

Gustave Thibon

Maurras não nos fecha num edifício prefabricado. Ensina-nos, isso sim, a arte de o construir.
E, mantemos o texto na língua original:
«Il sait aussi que nos plus hautes réussites temporelles ne serons jamais que des ébauches, toujours perfectibles et toujours menacées et que la seule tache á la mesure de l’homme est de lutter jusqu’á la mort et de transmettre a ceux que le suivent le dens et les règles du même combat afin que l’ébauche, sans cesse reprise, ne retombe pas au chaos.
Ainsi Maurras n’enseigne pas une société idéale et parfait qu’il suiferait d’instaler suivant quelque règle d’or pour que le paradis terrestre soit reconstitué de main de l’homme.»
Ele acredita profundamente nas possibilidades de o homem agir sobre o seu próprio destino e consequentemente virar as costas aos fatalistas, baseados nos ventos da História, que não passam de detractores das verdadeiras lições da verdadeira História.
Maurras apega-se à herança do passado não para a contemplar esterilmente, mas, para com base nela, preparar o futuro.
Não se pode modificar o passado e é vão ruminar sobre coisas mortas, mas encontra-se nas experiências do passado materiais e regras para a construção do futuro.
E os que menosprezam aquelas lições provocam abortos.
Não se podem cortar as raízes duma árvore para potenciar o crescimento dos ramos que isso sim morrerão com aquelas.
Nos anos de 1900, Maurras costumava dizer – nós trabalhamos para 1950.
O que queria significar que a conquista dos espíritos não pode ser uma coisa fácil nem uma coisa rápida.
O tempo pediu ao tempo
Que o tempo lhe desse tempo
Respondeu o tempo ao tempo
Tudo com tempo tem tempo

É assim que se constroem as doutrinas e se reformam as mentalidades.
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«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

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