Festas fora de Agosto

Manuel Leal Freire - © Capeia Arraiana

O grande surto migratório que quase deixou despovoadas todas as aldeias do concelho e o retorno massivo que se centra entre finais de Julho e princípios de Setembro levou a que a generalidade das nossas romarias ocorra por meados de Agosto.

O convívio na Festa de Santa Catarina, na Rebolosa

O convívio na Festa de Santa Catarina, na Rebolosa

Anteriormente, o pico era no dealbar do Outono. Esperava-se pelo fim das colheitas e pela realização das feiras em que se vendiam as crias do gado – o São Mateus, no Sabugal, o São Francisco, na Guarda…
O trabalho esmorecera, apenas se indo dando início às sementeiras do centeio e só por parte dos mais azougados, daqueles que seguem o rifoneiro – semeia-me em pó e de mim não tenhas dó.
No bolso tilintavam algumas moedas ou bailavam mesmo algumas notas – veniaga de uns alqueires de feijão ou gravanços, de umas arrobas de batatas, de um macho, uma mula, um potro, um burreco ou burranco…
Havia tempo, meios e vontade de festejar.
Hoje, pode dizer-se que essas romarias tradicionais desapareceram, por passada a euforia de Agosto com o retorno aos países de emigração
Duas resistem e daqui saudamos os vilarmaiorenses e os quadrasenhos, por o Senhor dos Aflitos continuar a celebrar-se no primeiro domingo de Setembro e a Santa Eufémia na data assinalada pela Flos Sanctorum.
Como respeitadores dos hábitos avoengos, nós rejubilamos com o sucesso.
E Nuno de Montemor, que nas páginas de Maria Mim evoca com toda a solenidade o culto dos raianos pelas suas romarias, lá do etéreo onde certamente se encontra, dará acção de graças.
Saudamos também os pequenos lugarejos onde se respeitam datas tradicionais –
Aldeia da Dona, com o Santo Amaro, também celebrado numa anexa da Cerdeira do Coa, a que dá o nome; as Batocas com o Santo Antão, o Carvalhal com o São Marcos.
Uma palavra de louvor para a Rebolosa pela galhardia de que faz revestir o culto de Santa Catarina.
«O Concelho», história e etnografia das terras sabugalenses, por Manuel Leal Freire

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