«Correr» os bois…

Adérito Tavares - Na Raia da Memória - © Capeia Arraiana (orelha)

Todos os que conhecemos bem os rituais da capeia arraiana sabemos que o momento fulcral é a «espera« dos touros ao forcão. No entanto, a fase seguinte («correr» os bois), fez sempre parte da capeia tradicional, a ponto de Joaquim Manuel Correia, no final do século XIX, chamar à própria capeia «folguedo».

Um dos mordomos da capeia de 2013 em Aldeia do Bispo faz um salto acrobático (foto: Gilo Nabais) Um dos mordomos da capeia de 2013 em Aldeia do Bispo faz um salto acrobático (foto: Gilo Nabais)

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Este «segundo acto» («correr» os bois) tem ganho nos últimos tempos muitos adeptos e tem evoluído de tal forma que as «bancadas» vibram entusiasticamente com os «recortes» e os saltos acrobáticos da rapaziada.
Em Setembro do ano passado, a propósito desses saltos acrobáticos, escrevi para o «Capeia Arraiana» um pequeno texto sobre as origens históricas dos «malabarismos tauromáquicos». Felizmente, essa tradição, que bebe em civilizações antiquíssimas (como a cretense minóica), persiste nas capeias da raia sabugalense e é bom que assim aconteça. Não só porque agrada aos espectadores mas, sobretudo, porque reforça uma das características fundamentais da capeia: esta é uma prática da tauromaquia popular em que não se exerce violência sobre o animal – é um jogo de força, de coragem e de habilidade.
A propósito deste tema, com a devida vénia, permito-me reproduzir aqui dois documentos: fotografias de Gilo Nabais, incluídas no seu blogue, que mostram um salto acrobático durante a capeia deste ano em Aldeia do Bispo; e um extraordinário vídeo disponível no Youtube sobre um Festival de Recorte em Espanha. Chamo particularmente a atenção para a actuação de um especialista francês neste tipo de «enfrentamento leal» com os touros. É que no sul de França, nas «corridas landesas», as acrobacias tauromáquicas são um verdadeiro «ritual sagrado».
«Na Raia da Memória», opinião de Adérito Tavares

ad.tavares@netcabo.pt

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