Freguesias do concelho do Sabugal em 1758 (33)

Censos 1758 - © Capeia Arraiana

:: :: SORTELHA :: :: Os manuscritos depositados na Torre do Tombo, em Lisboa, são a resposta a um inquérito censório a todo o reino assinado pelo Marquês de Pombal três anos após o terramoto de 1755. O Capeia Arraiana está a publicar as respostas dos párocos das paróquias das 40 freguesias do concelho do Sabugal agora que, pelo menos 10 das retratadas, vão desaparecer para sempre por obra e graça dos senhores mandantes da troika europeia.

Igreja da Misericórdia - Sortelha - Sabugal - Censos 1758 - Capeia Arraiana

Igreja da Misericórdia (Igreja de Santa Rita e São João) – Sortelha (foto: Capeia Arraiana)

SORTELHAO Vigário João dos Santos enumera os lugares de todo o termo da Vila e de cada um dá o número de fogos e pessoas «que são os que me deram os Reverendos Párocos na informação que lhes pedi». Depois, enumera as aldeias anexas à sua freguesia e que são: Santo Amaro, Quarta-Feira, Clérigo e Dirão da Rua. Descreve bem as muralhas, o castelo, as ricas igrejas, as célebres ermidas da freguesia e do termo.

Comarca de Castelo Branco, Termo de Sortelha, Bispado da Guarda.
Arquivo Nacional da Torre do Tombo (ANTT), Dicionário Geográfico, vol. 35, doc. 210, p. 1513.
Património arquivista da Paróquia de Sortelha entre 1599 e 1911.
Aqui.

João dos Santos, Vigario da Parochial Igreja de Santa Maria das Neves, desta Villa da Sortelha: a mim me foy enviada huma ordem do Exc.mº Snr. Bernardo Antonio de Mello Ozorio, Bispo deste Bispado da Guarda, com huns interrogatorios, para dar resposta a estes, o que faço
pella maneira e forma seguinte:

1 – Fica esta Villa de Sortelha na Provincia da Beira, Bispado da Guarda, Comarqua de Castello Branco, termo da mesma Villa, Freguezia de Santa Maria das Neves; esta hé orago da Matriz Igreja, que tem dentro de seus muros.

2 – Algum dia era, esta Comenda de Santa Maria das Neves, Condado, e ainda o era no tempo dos Senhores Reis Felipes, quando este Reino estava sugeito a Espanha, e de prezente se acha no Padroado Real, e não tem outro Senhorio mais que Sua Magestade que Deos guarde, e o hé de prezente.

3 – Tem esta Freguezia duzentos e onze fogos, pessoas maiores quinhentas e trinta e nove, e menores cento e vinte e duas, ignocentes cento e trinta.

4 – Está situada esta Villa em hum cume de hum monte, agreste por todas as partes, só pela do Nascente não hé tam agreste como pelas outras. Desta dita Villa se avistão as povoaçoins seguintes: a Villa de Covilhã, que dista desta coatro legoas; a Villa de Belmonte, que dista duas legoas; a Villa de Monsanto, que dista cinco para seis legoas; a Villa de Castello Branco, que dista dez legoas; o Lugar do Casteleiro, que dista meia legoa; o Lugar da Bendada, que dista huma legoa.

5 – Tem termo proprio, o qual consta dos lugares seguintes:
– O Lugar de Castelleiro, com cento e cincoenta e dois fogos, pessoas maiores trezentas e quarenta e auto, e de confiçam setenta e coatro, pessoas que nao andam no Rol cento e tres. Anexa desta Matriz, que aprezenta o Vigario.
– O Lugar da Mouta, com sessenta fogos, pessoas de comunhão cento e quarenta e duas, de confissões noventa e cinco, pessoas maiores de confissão e comunhão duzentas e cincoenta e tres, so de confissão trinta e auto.
– O Lugar da Orgueira, com noventa e seis fogos, pessoas de confição e comunhão duzentas e sessenta e cinco, pessoas de confissão somente cincoenta e tres. Anexa desta Matriz, aprezentando o Vigario.
– O Lugar de Malcata, com settenta e dous fogos, pessoas de confissão e comunhão, cento e outenta e seis, pessoas de confissão somente cincoenta que tenha. Hé anexa da mesma aprezentação.
– O Lugar de Ágoas Bellas, com outenta e dous fogos, pessoas maiores cento e noventa e seis, menores trinta e nove.
– O Lugar de Panalobo com outenta e sette fogos, pessoas maiores duzentas e outenta e sette, menores quarenta e auto, e seis absentes.
– O Lugar da Bendada, com cento e vinte e cinco fogos, pessoas maiores duzentas e noventa e cinco, pessoas menores settenta e auto.

E não são mais Lugares os do termo desta Villa; e pessoas e fogos são os que me derão os Reverendos Parochos na informação que lhe pedi.

6 – Está esta Parochia dentro dos muros e tem as Aldeas seguintes:
– A Quinta de Santo Amara, que dista da Parochia meya legoa;
– A Quinta da Quarta Feira, que dista meya legoa;
– A Quinta do Clerigo, que dista quaze huma legoa;
– A Quinta do Dirão da Rua, que dista passara de huma legoa;
– A Quinta do Espinhal, que dista legoa e meya.

7 – O Orago desta Freguezia he Nossa Senhora das Neves.
Tem cinco altares: o altar do Santissimo Sacramento, o altar das Almas, o altar da Senhora do Rozario, o altar do Divino Espirito Santo, o altar de São Francisco Xavier; assim os chamão por nelles estarem colocadas as ditas imagens. Não tem senão sua nave que he huma, ou corpo da Igreja, com seu arco muito bem feito. Tem a Irmandade das Almas, e a Irmandade dos Congregados de São Francisco Xavier, e a Confraria da Senhora do Rozario, e a do Santissimo Sacramento.

8 – O Parocho hé Vigario; aprezentaçam hé de Sua Magestade que Deos guarde; a renda que tem são quarenta mil reis, e dous para vinho, e dous para ensinar a Doutrina; e cinco alqueires de trigo, e hum arratel de sabam para lavagem dos corporais. Mais nada.

9 – 10 – Não tem.

11 – Tem huma Caza a que chamão Hospital, que serve para se recolherem alguns pobres, que vem de passagem; administrada pelos Irmãos que servem na Meza da Santa Caza da Mizericordia, porem não tem renda alguma.

12 – Tem Caza de Mizericordia. A sua origem foy no anno de mil seis centos e vinte e seis, que a fizeram os homens nobres desta Freguezia, e de huma Igreja que algum dia foy Matriz, que fica fora dos muros, que antigamente se chamava a Igreja de São João, o que tudo consta de hum termo feito no dito anno. Tem de renda huns annos pelos outros trinta mil reis. Tem a dita Igreja tres altares: o de São João, o de Santo Christo, e o de Santa Ritta, e esta imagem hé muito perfeita e milagroza.

13 – Tem esta Freguezia as Ermidas seguintes: a de São Tiago extra muros, a de São Sebastião também fora dos muros, a de Santa Catharina fora dos muros, a de Santo Amaro que dista meya legoa, a de Santa Barbara que dista meya legoa, a de São Marcos que dista legoa e meya, a de Nossa Senhora da Graça que dista duas legoas e esta Senhora hé muito perfeita e milagroza. E a Capella de São Cornelio, que está feita de novo, e se há-de colocar o dito Santo nella para Septembro que vem, no dia do dito Santo; Fica esta capella de São Cornelio no cume de hum monte, que para hirem os materiais para se fazer se levou tudo ás costas, por não poder lá chegar besta nem carro; e foy feita com esmolas, que athé os tempos prezentes esteve o Santo sempre em huma Lapa que fica no mesmo cume do dito monte, chamado o outeiro de São Cornelio; e não há memorias de como apareceo o dito Santo na Lapa; hé muito milagrozo e advogado das sezoins; e concorre gente de varias partes, e ainda de fora do Reyno em romagem, como hé de Espanha, que dista deste monte sette legoas. Diz-se que algumas vezes se tinhão levado o Santo desta Lapa para a capella de Santa Barbara, e que ao outro dia achavão o Santo outra vez na sua Lapa aos temporais, pois que quando chove também chove na dita Lapa.

14 – Ainda que vem gente em romagem, não tem dias detreminados. Só a capella de São Marcos no dia do dito Santo, por serem Ladainhas vay a Cruz de Ágoas Bellas e a gente da Freguezia acompanhando-a, e a Cruz do Lugar da Orgueira e sua Freguezia; e a Cruz das Quintas de São Bartolomeu com sua Freguezia, e no dito dia se faz feira junto á dita Capella, não dura mais que hum dia, que hé a vinte e cinco de Abril.

15 – Os frutos que se recolhem nesta terra são centeyo, vinho e azeite.

16 – Tem esta Villa Juiz ordinario e dous vereadores, e hum Procurador do Concelho, que são os que governão a terra; tem mais Juiz dos Orphans, Escrivão dos Orphoms, e dous Escrivaens do Publico. Tem Caza da Camera, com suas armas reais; não está sugeita a outra justiça, mas estas ditas são as que governão a Republica. O Provedor e Corregedor desta Comarqua vem a dita Villa com comiçam.

18 – Nada.

19 – Tem tres feiras na Freguezia, que são: a de São Marcos como fica dito a vinte e cinco de Abril que dura hum dia, que hé na Quinta do Espinhal; e as duas mais são na Quinta de Santo Amaro hum dia cada huma; e estas são huma a quinze de Janeiro e outra a segunda outava da Pascoa; e dentro dos muros não tem feira alguma.

20 – Não tem correio; serve-se ordinariamente do correio da cidade da Guarda, que chega na segunda feira de tarde e parte na sexta feira de madrugada; e dista desta Villa coatro legoas.

21 – Dista da cidade capital do Bispado, que hé a cidade da Guarda,coatro legoas, e de Lisboa capital do Reino quarenta e seis legoas.

22 – Tem os moradores desta Villa e seu termo Privillegio de não pagarem protagem neste Reino, assim das couzas que comprarem, como das que venderem, concedido pelo Senhor Rey dom Manoel, que a Santa Gloria haja. Tem esta mesma Villa de Sortelha, por contrato muito antigo, hirem os oficiais da Camara, hum dia em cada hum anno á Villa do Sabugal, com suas varas; e lhe dam os oficiais da Camara da dita Villa do Sabugal hum jantar; e no fim delle o Procurador da dita Villa do Sabugal paga hum tostão de EI Rey Dom Manoel ao Procurador desta Villa de Sortelha, que lho offerece em huma salva de prata, perante todos os vereadores e Procurador da dita Villa do Sabugal; servem a meza aos officiais da Camara desta Villa de Sortelha, o que tudo consta do Foral da Camara desta Villa de Sortelha e do Tombo do Concelho, feito no anno de mil e seis centos e quinze. Também esta dita Villa tem Alcaide mor; que aprezenta o dito Alcaide o Carcereiro da Cadeia desta Villa; e tem de renda, cada hum anno, pouco mais ou menos, sessenta mil reis, e de prezente o hé Manoel Fernando de Mello e Castro, morador na cidade de Lisboa.

23 – 24 – Nada.

25 – Esta hé murada, e os muros são todos de cantaria; tem duas torres: huma dentro do Castello, que tem fachada com bastante fortaleza, por ser hum arrecife e despenhadeiro muito agreste que o faz invencivel, principalmente pela parte do Sul; e a dita Torre hé muito alta e forte, toda de cantaria. Tem outra torre, também de cantaria, que fica para a parte do Poente,também muito forte. E tem tres portas: a Porta do Concelho, a Porta Nova, e a outra que está tapada desde o tempo das guerras, e as duas são por onde se serve esta Villa. Não hé Praça de Armas, mas mostra que o foy nos tempos antigos, e dizem o hera no tempo em que não estavam as Terras de Sima Côa sugeitas a Portugal, o que bem mostra pela formalidade com que está feita. Os muros desta Villa tem tres Portais, porem nenhum dá ainda passagem de pé. Tem huma Torrinha, que assim se chama, porem esta se acha já meia arruinada, por ficar arrumada a hum dos ditos Portais, que fica para a parte do Nascente.
Tem mais a Capella de São Gens, extra muros, e a Capella de Santo Antonio, as coais são de particulares.

26 – Não padeceo esta terra estrago algum pela Mizericordia do Altissimo.

27 – Não responderey nos interrogatórios que se seguem.

SERRA

1 – Há aqui hum monte agreste, a que chamão a Serra de Casteleiro, porém mais se lhe pode por o nome de monte que de serra, por ser redondo, e toda a sua circunferência em roda podera ser de huma legoa.

2 – Está respondido supra.

3 – Não tem braço algum.

4 – Não nasce rio algum oeila, senão alguns regatos que não são dignos de memoria pela sua tenuidade.

5 – 6 – 7 – Nada; Nada; Nada.

8 – Esta Serra ou monte não se cultiva pelas duas faldas; tem soutos e terras de centeio e azeite, ou olivais e vinhas, e pelo cume do dito monte ou serra tem carvalhos e giestas e algum sobreiro; e são as arvores que tem a dita Serra.

9 – Nada.

10 – Não deixa de ser fria, por ser dezabrigada de todos os ventos.

11 – Pastão nella os gados seguintes: ovelhas, carneiros, e cabras. E também tem a cassa seguinte: coelhos, perdizes e lebres, porém não são em muita abundancia. E também nella há lobos, e rapozas, teixugos, tourais, e papalvos.

12 – Há mais despenhadeiros de penhascos, por cauza dos coais, em algumas partes, não dá passagem ainda a gente de pé.

13 – Tem mais esta Freguezia o outeiro de São Cornelio, em que já faley; este também tem alguns despenhadeiros grandes de penedos, huns em sirna de outros, e muito agrestes, aonde se não pode chegar em algumas partes. Não há nesta Freguezia minas nem lagoas, ou ágoas algumas de que haja noticia tenha virtude, nem ervas de que se possa fazer memoria. Em toda esta Freguezia há a cassa em que ja faley, mas não em muita abundancia.

RIO

1 – Não há nesta Freguezia rio algum, somente há os Ribeiros seguintes: a Ribeira da Nave, que só corre no tempo de Inverno, e de Veram seca; esta nasce e se faz do Ribeiro da Truta e do Ribeiro de Carvalhal Redondo, e nascem no dito sitio; corre de Nascente para o Poente, e se mete na Ribeira do Castelleiro, distancia de meia legoa, e se mete na Ribeira da Meimoa, e se metem no Rio Zezere, distancia daqui de coatro legoas. Há mais o Ribeiro dos Pedreiros, que nasce no outeiro de São Cornelio, e corre de Nascente a Poente, e se mete na Ribeira das Enguias, distancia de legoa e meia, e se metem no Rio Zezere, distancia de tres legoas. Há mais a Ribeira de Quarta Feira, que nasce tambem do outeiro de São Cornelio, no sitio dos Covoins, e se lhe ajuntão varies regatos, e o Ribeiro que vem de Penalobo, que nasce junto ao dito Lugar e se mete na dita Ribeira; e corre athé se meter nella, de Norte a Sul, e depois de Nascente a Poente, e se metem na dita Ribeira das Enguias, distancia de huma legoa, e se metem no Rio Zezere, distancia de tres legoas e meia; e todos estes Ribeiros e Ribeiras se sequam de Verãm, e nelles não há pescado algum na minha Freguezia, porque todos se sequam no tempo do Verão.

2 – Não são caudalozos, senão nas enchentes do Inverno, quando todos os Ribeiros enchem.

3 – Nada: por ficar respondido. Só se entrarem algumns mais, fora da minha Freguezia, de que darão os outros Parochos conta.

4 – Nada.

5 – Nesta minha Freguezia, todos os ditos Ribeiros e Ribeiras são de curso arrebatado, por serem todos por pedras, e, em partes, bastante mente despinhados, por passarem por sitias muito agrestes, quaze em toda esta Freguezia, sem pouca diferença, por ser a terra agreste.

6 – Já fica respondido no paragrafo primeiro, e a este não há mais que dizer.

7 – Não ha nelles pescado, como fica dita supra.

8 – Nada, por não haver o dito pescado.

9 – Nada.

10 – Aonde os ditos Ribeiros fazem algumas enseadas, nellas há olivais e semeião linhos, e nabais, e hortas, com suas latadas de vinhas, e figueiras, e tambem alguma fruta, porem pouca nesta Freguezia como he pera, massã, ameixas, cerejas, e algumas pessoas fazem tambem seus nabais, porem poucos.

11 – Que se saiba não tem virtude suas ágoas mais que para regarem as terras, aonde podem chegar suas ágoas.

12 – Sempre tem conservado o mesmo nome, e não há memoria de que tivessem outro.

13 – Fica respondido que correm para o Zezere, e este me consta este corre para o Tejo, e que este se mete no mar, na capital cidade e corte de Lisboa; os sitios em que se mete no Tejo não pude averiguar, a que responderão os que ficarem mais perto.

14 – Nada mais que o serem arrebatados nesta minha freguezia.

15 – Não tem ponte alguma nesta minha freguezia, senão somente hum pontão, no sitio da Quarta Feira, no Ribeiro que vem e nasce no sitio dos Covoens, e outro pontam no sitio dos Vieiros, ambos de madeira, que dam passagem no tempo de Inverno, e não sey de mais.

16 – No Ribeiro que vem de Pena Lobo, a que chamam o Ribeiro de Penalobo, há varios moinhos que servem para moer o pão de centeio, milho groço e miudo, e algum trigo, porem destas tres sementes pouca abundância há nesta Freguezia. E no Ribeiro que vem do sitio dos Covoens, que faz a Ribeira de Quarta Feira, também há moinhos, e servem para o mesmo menisterio. Em hum Ribeiro a que chamão o Ribeiro do Povo, também há alguns moinhos e hum lagar de azeite, junto a Freguezia do Casteleiro, distancia desta Villa meya legoa. E no Ribeiro dos Pedreiros, há, no sitio da Azenha, outro moinho de azeite, e nestes não há mais. E na Ribeira a que chamão da Nave, ha dous moinhos de azeite ou lagares, e não há nesta Freguezia mais lagares. Há também na dita Ribeira da Nave, dous pizois, que servem para pizar o pano de saragossa, e alguns moinhos de moer pão de centeio e trigo, e o mais que assima tenho dito; e não ha mais engenhos do que os em que tenho falado.

17 – Não consta que das areas dos referidos Ribeiros e Ribeiras se tenha tirado ouro.

18 – Suas ágoas são livres, e cada hum uza dei las livremente, naquelas partes aonde lhe hé permitido, sem prejuizo de terceiros, sem pensão alguma.

19 – Já fica respondido a este paragrapho supra; nao passão que saiba por povoaçois algumas nesta minha Freguezia, e por serem ribeiros, tambem são de poca memoria e nota.
Não há mais couza que se faça digna de memoria nesta Freguezia, pois o de que pude ai cansar noticia, aqui vay copiado.

Sortelha, 20 de Mayo de 1758.
O Vigario João dos Santos

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Ver perguntas do inquérito. Aqui.
Fonte: Alfaiates-Na órbita da Sacaparte. Autores: Pe. Francisco Vaz e Pe. António Ambrósio.
(Continua.)

jcl

One Response to Freguesias do concelho do Sabugal em 1758 (33)

  1. José Carlos Mendes diz:

    Caro José Carlos Lages,
    Obrigado por trazeres a peça de Sortelha. Estava à espera dela para confirmar sem pressas nem dúvidas quatro ou cinco coisas:

    1
    O Vigário de Sortelha de 1758 vem confirmar-me que: a) o Casteleiro – que é a maior freguesia e território – é também fora da sede do concelho dessa altura (que era Sortelha, como se sabe) a de maior população.

    2
    O Concelho de Sortelha chegava às barbas da Vila do Sabugal e incluía: o Casteleiro, a Moita, a Urgueira, Malcata, Águas Bellas, Penalobo e a Bendada.

    3
    Mas abrangia também outros locais: Quinta de Santo Amaro, Quinta da Quarta Feira, Quinta do Clérigo, Quinta do Dirão da Rua, Quinta do Espinhal – eram tudo quintas, nessa época.

    4
    Sortelha tinha três feiras. Duas delas em Santo Amaro, ou seja: no Casteleiro. E nenhuma dentro de muros na Vila.

    Confirmo aqui a lenda: no cabeço de São Cornelho, como o Povo da minha terra chama ao «outeiro de São Cornelio» referido pelo Vigário, havia mesmo uma lapa onde o santo estava. E quando o levavam para outro local (uma capela), ele voltava à lapa…

    Aprendi hoje ao ler este trabalho que «há aqui hum monte agreste, a que chamão a Serra de Casteleiro». Nunca ouvi essa designação, que me lembre. Fica-me uma dúvida: para ser tão agreste, deveria ser a Serra d’Opa – mas todos os outros padres à volta sabem que é esse o nome desse monte. Então, embora menos elevado, admito que possa ser o cabeço onde está o Barroco Riscado, que será mais frio. Será?

    JCL, permite-me ainda alguns registos:

    1. Em Sortelha havia Misericórdia – desde 1626.
    2. O Vigário não fala do Ribeiro do Poio, que eu julgo que vem de lá, da Serra da Vila – assim se chama no Casteleiro à Serra onde está construído o Castelo de Sortelha. O Ribeiro do Poio corre na várzea que desce de Sortelha, do lado direito de quem olha Sortelha a partir do Casteleiro.
    3. Havia na Azenha um moinho de azeite.
    4. O Vigário não fala de exploração de qualquer minério nesta zona, sobretudo na encosta do lado da Azenha, precisamente (onde no século XX se havia de explorar o célebre urânio). Silêncio que estranho. Haveria ali também metais à superfície. Mas provavelmente nesse tempo não havia exploração – não sei se os Romanos não terão explorado estanho, cobre e ferro por estas paragens também. Temos de averiguar isso… Fica o desafio.

    Obrigado por esta peça.

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