Freguesias do concelho do Sabugal em 1758 (31)

Censos 1758 - © Capeia Arraiana

:: :: SANTO ESTÊVÃO :: :: Os manuscritos depositados na Torre do Tombo, em Lisboa, são a resposta a um inquérito censório a todo o reino assinado pelo Marquês de Pombal três anos após o terramoto de 1755. O Capeia Arraiana está a publicar as respostas dos párocos das paróquias das 40 freguesias do concelho do Sabugal agora que, pelo menos 10 das retratadas, vão desaparecer para sempre por obra e graça dos senhores mandantes da troika europeia.

Igreja Matriz de Santo Estêvão - Sabugal - Censos 1758 - Capeia Arraiana

Igreja Matriz de Santo Estêvão – Sabugal

SANTO ESTÊVÃOO Prior Francisco Tudela de Carvalho e Costa é o primeiro a assinar a sua memória paroquial, a 2 de Abril.

Comarca de Castelo Branco, Termo do Sortelha, Bispado da Guarda.
Arquivo Nacional da Torre do Tombo (ANTT), Dicionário Geográfico, vol. 14, doc. 87, p. 585.
Património arquivista da Paróquia de Santo Estêvão entre 1558 e 1911.
Aqui.

1 – Está na provincia da Beira, bispado da Guarda, Comarca de Castelo Branco, freguezia de Nossa Senhora da Conceicão, termo de Sortelha.

2 – Hé de El Rey.

3 – Tem fogos noventa e sinco, pessoas de confissão e comunhão duzentas e sincoenta e tres; só de confissão trinta e outo; e crianças que ainda se não confessam setenta e duas; pessoas ao todo trezentas e sessenta e tres.

4 – Está situada em serra; della se descobre para a parte do Sul o Lugar de Val de Lobo, distancia de meia legoa; e o Lugar de Bemcrença, distancia de legoa e meia.

6 – A Parochia está dentro do Lugar.

7 – O Orago desta freguezia hé Nossa Senhora da Conceição. A Igreja tem tres altares: o altar mor, hum da parte do Evangelho dedicado a Nossa Senhora do Rozaria e outro dedicado a S. Estêvão, da parte da Epistola. Tem huma só nave e huma só Irmandade das Almas do Purgatório.

8 – O Parocho hé Prior, e da aprezentação ordinaria; hé o seu rendimento, comumente, 130$00.

15 – Os frutos que nesta terra se colhem em maior abundancia são trigo, centeio, castanha, linho e azeite; mas esta maior abundancia apenas será mediocre em respeito de terras ferteis.

16 – Está sugeita aos Juises ordinarios da Villa de Sortelha, e, em si, só tem dois Juizes pedaneos.

18 – Nada: esta gente hé muito rustica para conservar memorias ainda de couzas grandes.

20 – Serve-se do correio de Pennamacor, que dista daqui tres legoas.

21 – Dista da cidade da Guarda, capital deste Bispado, seis legoas, e de Lisboa quarenta e tres.

22 – Tem previlegio por despacho do Conselho de Guerra, para seus moradores não serem alistados em soldados pagos; mas ja lho quebrarão algumas vezes os Governadores das Armas da Provincia, e em outras lhos tem observado.

26 – Não padeceu ruina alguma no terramoto de 1755.

SERRA

1 – O Lugar de S. Estêvão está fundado a meia ladeira de huma Serra chamada do Mosteiro.

2 – Esta Serra do Mosteiro hé huma maior altura, com comprimento de meio quarto de legoa de hum braço da Serra da Estrella. A Serra da Estrella corre de Sul a Norte para a cidade da Guarda; e dahi vira de Norte a Sul para este termo, em que está a Serra do Mosteiro e dela continua athé se misturar a Serra de Alpedrinha, tendo athé aqui de comprimento, desde acima dez legoas.

3 – Cada sitio deste ramo da Serra da Estrella tem seu nome particular, porem conhecido só destes seus moradores, os dois mais conhecidos são, daqui a meia legoa, para a parte do Sul, a Taberna Seca; e pendendo mais meia legoa para a mesma parte, de Serra de S. Martha.

4 – Da Serra do Mosteiro nascem dois pequenos rios, hum da parte do Levante, e lemite desta terra, do qual abaixo, ao 3 interrogatorio; outro da parte do Poente chamado Ribeira da Nave: corre de Norte a Sul, e mistura suas ágoas na Ribeira Meimoa, junto ao Lugar de Bemcrença.

8 – Em parte se cultiva com searas de centeio, que correspondem mal ao trabalho.

10 – O temperamento hé frio, mas saudavel.

11 – Cria-se nella gado muido, e tem caça cervua de javaliz, e miuda.

RIO

1 – Na Serra do Mosteiro, dentro do lemite deste povo, no sitio chamado a Mina, nasce huma Ribeira, sem outro nome mais que o de Ribeira, athé meia legoa do seu curso; dahi por diante, chama-se Ribeira de Vai de Lobo.

2 – Corre todo o anno; mas divertidas as ágoas para regadios, corre só no principio do seu curso no Verão.

5 – Ao principio corre com alguma precipitação, ao depois quieto.

6 – Corre de Norte a Sul.

10 – Enquanto corre com precipitação, se dividem as suas ágoas para regadios de choes, que dão trigo, linho, hortaliças e alguma fruta; no demais das suas marges, se dá trigo e centeio.

12 – Junto ao Lugar de Vai de Lobo, toma o nome de Ribeira de Valdelobo, e sempre o conserva.

13 – Morre na Ribeira da Nave, no sitio chamado o Anascer.

16 – No lemite deste povo, tem dois lagares de azeite, e outros dois adiante.

18 – Uzão os povos livremente das suas ágoas.

19 – Tem de comprimento legoa e meia, e passa pello Lugar de Val de Lobo.

20 – Nada ao 20, assim como aos restantes omitidos.

S. Estevão, 2 de Abril de 1758.
Francisco Tudella de Carvalho e Costa, Prior do dito Lugar.

:: ::
Ver perguntas do inquérito. Aqui.
Fonte: Alfaiates-Na órbita da Sacaparte. Autores: Pe. Francisco Vaz e Pe. António Ambrósio.
(Continua.)

jcl

Deixar uma resposta