Freguesias do concelho do Sabugal em 1758 (28)

Censos 1758 - © Capeia Arraiana

:: :: RUVINA :: :: Os manuscritos depositados na Torre do Tombo, em Lisboa, são a resposta a um inquérito censório a todo o reino assinado pelo Marquês de Pombal três anos após o terramoto de 1755. O Capeia Arraiana está a publicar as respostas dos párocos das paróquias das 40 freguesias do concelho do Sabugal agora que, pelo menos 10 das retratadas, vão desaparecer para sempre por obra e graça dos senhores mandantes da troika europeia.

Igreja Matriz da Ruvina - Censos 1758 - Foto: Capeia Arraiana

Igreja Matriz da Ruvina

RUVINAO Cura Jorge Caiado dos Santos «o obediente capelão», diz-nos que a freguesia tem duas capelas, uma de Nossa Senhora do Rosário dentro do povo, outra em um cabeço de Nossa Senhora das Pressas em Caria Atalaia.

Comarca de Castelo Branco, Termo do Sabugal, Bispado de Lamego.
Arquivo Nacional da Torre do Tombo (ANTT), Dicionário Geográfico, vol. 32, doc. 780, p. 1087.
Património arquivista da Paróquia da Ruvina (Sabugal) entre 1630 e 1911.
Aqui.

Exm.º Senhor Bispo

Por recomendaçam de V. Excelência me foi entregue hum bilhete que remeteo encluso, e neste declaro o que há nesta freguezia da Ruvina, e hé o seguinte:

1 – Este Lugar da Ruvina fica em Ribacoa, e hé Provincia da Beyra, hé Bispado de Lamego, Comarca da Villa de Castello Branco, termo da Villa de Sabugal, hé freguezia sobre si.

2 – Nam tem donátario, hé de Sua Magestade.

3 – Tem quarenta vezinhos, e pessoas noventa e cinco.
4 – Está situada em hum vale, vertente ágoas para o poente; de cima do lugar se descobre a cidade da Guarda, Soito, Rendo e outros mais.

6. – A igreja está fora hum tiro de mosquete deste lugar; hé freguezia ou orago do Esperito Santo; tem tres altares: hum he o altar mor donde está o orago que está na capella mor; e os outros dois estam do arquo para baixo, arrimados a elle, para a direita hum que hé da imagem do Sancto Christo, e o da esquerda de Santo Antonio. Nam tem sacrário.

8 – Hé Cura annual que aprezenta o Reverendo Reytor da Nave de Sabugal, e que pagão os moradores.

9 – 10 – 11 – 12 – Nam há que se diga.

13 – Tem duas Capellas, huma dentro do povo, que hé de Nossa Senhora do Rozário, e nella está sediada huma Irmandade dos mesmos moradores e outros mais de fora; a outra Capella está fora hum quarto de légoa, no cimo de hum cabeço que chamam Queria Atalaia, na qual Capella está huma imagem de Nossa Senhora das Pressas; pertencem estas ditas Capellas a este povo da Ruvina.

14 – Á Caza da Senhora das Pressas vam muitas cruzes pelo decurso do anno, destas vezinhanças, e muita gente por ser milagroza.

15 – Os frutos da terra sam: pam, pouco trigo, e cevada e vinho.

16 – 17 – 18 – 19 – 20 – Não há nada.

21 – Dista da cidade de Lamego vinte légoas; a Lisboa que sam sessenta.

22 – 23 – 24 – 25 – Não há que se diga.

26. – No cabeço de Queria Atalaia parece que foi castello, que mal se conhece algum alicerce, mas ninguem da noticia. Ao fundo do cabeço vai hum rio que chamam Coa, que nasce nos Foyos, e se vay meter no rio Douro. Nam mais novidades. Nesta terra da Ruvina hé curato como fica dito, que pagam os moradores ao Cura quinze fanegas e meya de centeyo e outras tantas de trigo e hum almude de vinho que paga a Comenda e trezentos reis de doutrina que também paga o povo.

Serra nem Rio nam há, senão o que fica dito e hé o que posso informar a Vossa Ex.a, a quem Deos guarde muitos annos.

A 7 de Maio de 1758.

Obediente Capellão de V. Ex.c.a

O Cura Jorge Cayado dos Santos

Ver perguntas do inquérito. Aqui.
Fonte: Alfaiates-Na órbita da Sacaparte. Autores: Pe. Francisco Vaz e Pe. António Ambrósio.
(Continua.)

jcl

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