Quadrazais volta a ter touros e cavalos

Capeias Arraianas / Encerros - © Capeia Arraiana (orelha)

No dia 28 de Julho, depois de longos anos de ausência de uma das tradições mais enraizadas na terra, Quadrazais volta, por iniciativa de um grupo de amigos, a realizar um encerro e uma garraiada onde o forcão poderá reaparecer.

O cartaz do encerro e garraiada

O cartaz do encerro e garraiada



Silvina Silva, presidente da Junta de Freguesia e elemento da comissão organizadora, continua apostada em retomar as tradições quadrazenhas. Depois de activar o grupo das cantadeiras empenha-se agora em devolver a Quadrazais uma tradição quase perdida: a tourada popular.
Joaquim Manuel Correia no seu livro «Memórias sobre o Concelho do Sabugal» registou o forte apego dos quadrazenhos pelos touros. Outrora a capeia acontecia no dia da grande festa da aldeia, a Santa Eufémia, mas o bispo da Guarda, D. Tomás, proibiu a realização de manifestações profanas nos dias das festas religiosas e a capeia quadrazenha passou para o dia seguinte ao da festa, o dia 17 de Setembro, data em que se manteve durante décadas. Isso mesmo é corroborado por Franklim Costa Braga, no livro «Quadrazais, Etnografia e Linguagem».
Capeia antiga em Quadrazais

Capeia antiga em Quadrazais

Joaquim Manuel Correia dá conta de um uso próprio dos quadrazenhos quando pegavam ao forcão: «todos ligados uns aos outros por cintas para, se algum cair, os outros o arrastarem e livrarem do perigo».
Franklim Costa Braga explica como era organizada a capeia em Quadrazais: «Procuravam os bois em Espanha, contratados pelo Ti Zé Marrão. Por vezes iam mesmo roubá-los a qualquer curral vizinho de Salamanca, fazendo correr os bois atrás dos cavalos». E também refere como se pegava ao forcão na terra dos contrabandistas: «O rabejador maneja o forcão, sempre atento às incursões do touro. Ao longo da galha postam-se os outros rapazes, segurando os da ponta enormes mocas com que batem no touro, no caso de este tentar uma incursão por trás».
Silvina Silva, questionada sobre as razões do regresso dos touros a Quadrazais, diz-nos que é preciso reviver as tradições. Mas revela cautelas: «Temos de ser realistas – hoje há falta de gente nova habituada a pegar ao forcão. Foram muitos anos sem capeia em Quadrazais». Por isso a comissão organizadora aposta tudo num bom encerro, seguido de uma garraiada, sem colocar de lado a possibilidade de haver forcão. «O importante é o convívio e o reviver da tradição», diz-nos. Revela ainda que para o ano haverá mordomos da tourada, e esses sim, poderão fazer retornar a capeia arraiana com todo o seu esplendor a Quadrazais.
Quanto à data escolhida, Silvina Silva, diz que foi a possível, pelo facto de Agosto estar preenchido com festividades por todo o concelho. Em Setembro, a capeia não pode realizar-se nos dias subsequentes à Santa Eufémia, como era da tradição. Isso é hoje completamente impossível, pelo facto dos emigrantes se irem embora no final de Agosto, pois em França as aulas começam no início de Setembro.
No dia 28 de Julho, Quadrazais vai reviver as antigas tradições taurinas que noutro tempo fizeram parte das suas festividades.
plb

3 Responses to Quadrazais volta a ter touros e cavalos

  1. Manuel José Saloio diz:

    Força quadrazais e boa sorte a todos os Quadrazenhos continuem

  2. Diogo Lucas diz:

    Muitas parabens ás gentes Raianas de Quadrazais, por esta iniciativa que dá nome á terra e prestigia toda a zona do SABUGAL.

  3. João Salada diz:

    Esperemos que ajudem o Ozendo também!

    A capeia já existe na freguesia de Quadrazais, organizada pelo Ozendo, que não tem visto ajuda nenhuma da junta.

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