Estou revoltado e indignado

José Manuel Campos - Nascente do Côa - © Capeia Arraiana

Ontem, sexta feira, dia 19, do corrente mês de Abril, já ao fim da tarde, fui abordado por um elemento da equipa de sapadores dos Fóios para me comunicar que tinha deflagrado um incêndio próximo da casa de abrigo que se situa na zona do Piçarrão, mesmo junto à fronteira.

Helicópteros espanhóis combatem incêndio nos Fóios

Helicópteros espanhóis combatem incêndio nos Fóios

Desloquei-me, de imediato, para a zona, para me inteirar da situação e ver que tipo de ajuda poderia prestar. Deparei-me dois helicópteros espanhóis, em grande azáfama, carregando e descarregando grandes quantidades de água que apanhavam numa charca que está próxima.
Perguntei aos sapadores dos Fóios se os bombeiros, neste caso os do Soito, já se encontravam a lutar contra as chamas, quando me responderam que ainda não haviam chegado. Telefonei, de imediato, para o quartel e responderam-me que já haviam saído mas que também havia um fogo em Vale de Espinho. Tudo bem e compreendi a situação. Mas como ainda há poucos dias que presenciei três carros a encher uma piscina aqui nos Fóios sempre imaginei que surgissem no nosso fogo com, pelo menos, um desses carros. Mas enganei-me. Só já mesmo ao fim da tarde quando já regressava a casa é que apareceu um jipe dos bombeiros do Soito, com três elementos, dizendo-me que não haviam estado presentes porque tinham estado no incêndio de Vale de Espinho. Naturalmente que não fiquei satisfeito com a justificação e indignei-me.
Passado, cerca de meia hora, veio aos Fóios o segundo comandante para me dar a mesma justificação. Ouvi mas não fiquei totalmente satisfeito nem convencido. Mas sabem porquê? Porque já mais vezes aconteceram cenas desta natureza.
Neste caso, como já em outras ocasiões aconteceu, valeram-nos «nuestros hermanos» a quem temos que tirar o chapéu. Lutaram no ar e na terra. Quando me deparei com cerca de dez homens, devidamente equipados, que haviam sido transportados de helicóptero, metidos no meio da mata a lutar contra os reacendimentos fiquei perplexo. Que vontade e que organização! Confesso que me senti pequenino e quase ridículo por pertencer ao lado de cá. E quando eles me perguntaram pelos bombeiros? Mais envergonhado e revoltado fiquei. Respondi-lhe que deveriam estar a chegar o que, na verdade não veio a acontecer.
Apesar dos poucos meios e dos poucos recursos pretendo dar uma palavra de louvor e apreço à equipa de sapadores dos Fóios que desempenharam um extraordinário papel quer nos reacendimentos, quer passando, por lá, parte da noite, com medo de que algo de anormal ainda pudesse acontecer.
Face a esta triste e lamentável situação não posso deixar de dizer, publicamente, que a Junta de Freguesia dos Fóios está a pensar, seriamente, cortar relações com os bombeiros do Soito e que deixaremos de colaborar com eles aquando da cobrança das quotas aqui nos Fóios. Sempre lhes prestámos o melhor apoio e as melhores atenções mas, muito sinceramente, vamos rever a nossa posição. É que já muitas lhes ouvi dizer que nos Fóios têm um grande número de sócios e eu sei que é verdade. Mas as pessoas têm olhos na cara e já verifiquei que na maioria estão descontentes.
Procuraremos saber se será possível ligar-mo-nos aos bombeiros do Sabugal na esperança de podermos vir a ser mais bem servidos e melhor assistidos. Como diz o ditado: para pouca saúde, nenhuma!
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

6 Responses to Estou revoltado e indignado

  1. jclages diz:

    Caro Presidente José Manuel Campos

    A minha solidariedade.
    Em tempos houve populações de quintas do concelho do Sabugal que quiseram pertencer a Belmonte.
    Agora é caso para dizer: de Espanha, bons ventos e bons casamentos.
    Não é por acaso que a aposta dos Fóios tem sido preferencialmente com as terras do lado de lá da Raia. Como o compreendo.
    Mas como sabe a nível nacional a principal discussão das direcções das Associações de Bombeiros tem como foco o transportes de doentes em concorrência com os táxis.
    Aquele abraço raiano,
    José Carlos Lages

    obs: para quem não saiba declaro que sou secretário da actual direcção dos Bombeiros Voluntários do Sabugal. Um convite, que muito me honrou, do actual presidente, Luís Carlos Carriço. Mas isso não invalida que pense pela minha cabeça. Porque, tal como os membros do Tribunal Constitucional que não podem ser reconduzidos (não estou de todo a fazer um exercício de comparação), também não estou NADA preocupado com reeleições.

  2. joaquim rodrigues diz:

    Está mais que visto que não se vai lá com amadores e com comandos irresponsáveis. Com a segurança, a saúde e proteção das pessoas e bens não se brinca. È preciso estar sempre preparado, com a mangueira sempre apontada para o objectivo. Isto só vai com profissionais. E tanta equipa de sapadores no concelho, tinham obrigação de abafar tudo num ápice. Só subsidios, só apoios para gingarem e mostrarem a farda. Se não podem responder pedem socorro.Está visto que podemos estar descansados, estamos bem servidos. Tem razão Sr. Jc. Lages. Andam mais preocupados com o dinheiro do transporte de doentes, para pagar aos quarteleiros. Importam-se lá eles dos fogos. O comandante é o responsável, devia ser alguém sempre presente no quartel.
    Joaquim Rodrigues

  3. Ramiro Matos diz:

    Caro amigo Zé Manel
    Aquilo que relatas é grave e nunca devia acontecer.
    Penso que te assiste toda a razão no desabafo, mas penso também que com a tua ponderação e experiência saberás encontrar a melhor solução para que situações como esta não se repitam.
    Se fosse eu, solicitaria de imediato uma reunião com a Direcção e o Comando dos Bombeiros do Soito, na tentativa de esclarecer o que se passou e no sentido de melhorar a capacidade e a prontidão da resposta dos mesmos.
    Mas há aqui uma outra questão que não pode deixar de ser equacionada. Existe um Serviço Nacional de Protecção Civil, mas existe também uma Comissão Municipal de Protecção Civil e um CDOS distrital que, no meu entender, deviam igualmente ser chamados a pronunciar-se sobre o assunto.
    O que é que aconteceu para que o normal desenrolar de uma intervenção coordenada a nível municipal, distrital e nacional não tenha acontecido? Quem são os responsáveis?
    As populações é que não podem ser prejudicadas por que os sistemas e as pessoas que os gerem não respondem!…

    Caro Zé Carlos Lages
    Com a frontalidade que sabes que tenho, não posso estar mais em desacordo contigo sobre o papel que os bombeiros voluntários desempenham, nomeadamente, no Concelho do Sabugal.
    E se uma parte significativa da sua actividade é o transporte de doentes, ainda bem para a população idosa e, quantas vezes, solitária, que pode contar com os seus concidadãos bombeiros para os transportar. (E olha que quem como eu já passou pela experiência de o transporte de um familiar doente não ser feito pelos bombeiros, sabe que não é a mesma coisa…)
    Por outro lado, e quanto a mim, se pensasse como tu, não demoraria um minuto a apresentar a minha demissão de Presidente da Assembleia Geral da Associação Humanitária dos Bombeiros do Sabugal, lugar para que fui, com muita honra eleito.
    E não me preocupando com reeleições, não deixarei cair o “poder na rua”, se, como em anteriores actos eleitorais, não aparecer qualquer candidatura.
    A memória do meu pai e a importância que atribuo aos Bombeiros Voluntários do Sabugal não me permitiriam outra atitude.
    Ramiro Matos

    • jclages diz:

      Caro Presidente da Assembleia Geral dos Bombeiros Voluntários do Sabugal.

      Estive (estivemos) presente na última assembleia geral da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Sabugal. Diria que apenas mostraram interesse na mesma os membros dos órgãos sociais. Estariam presentes, em contagem de exagero, dois ou três sócios não «eleitos».
      É esta a nossa triste realidade. E gostaria de recordar que os temas que estiveram em cima da mesa foram essencialmente a preocupação com o excesso de bombeiros «efectivos» (peço desculpa mas não sei o termo técnico correcto) que estariam em causa se acabasse o transporte de doentes nos moldes em que estava a acontecer até aqui. Aliás uma das propostas que esteve em cima da mesa foi criar uma espécie de «O Bombeiro Faz» para tentar garantir os serviços desses louváveis bombeiros em efectividade de funções.
      Quanto à frontalidade e exagero da figura da demissão imediata parece-me um discurso político dispensável neste tipo de associações. Mas, em defesa da honra e pela consideração que tenho ao senhor presidente da Direcção dos Bombeiros Voluntários do Sabugal, Luís Carlos Carriço, torno público que coloquei o meu lugar à disposição do Senhor Presidente da Direcção quando, por motivos que agora não interessam, voltei a Lisboa depois de uma arrepiante estadia profissional no concelho do Sabugal.
      Por isso a sugestão agora invocada já vem tarde. Contudo sinto-me honrado pela confiança que o presidente da Direcção manteve na minha pessoa defendendo que eu podia ser muito útil por estar em Lisboa. Será um gesto que, pessoalmente, nunca esquecerei.
      Mas, caro Ramiro Matos, não posso deixar de estar mais em concordância. Quando estamos em cargos de responsabilidade (associativos ou municipais) devemos, acima de tudo, pensar se ainda somos coerentes com o que eles representam ou representaram quando nos elegeram.
      A finalizar leio no discurso do presidente da Mesa da Assembleia Geral dos Bombeiros Voluntários do Sabugal sobre a questão dos Fóios uma discordância pública com a actuação do responsável pelos serviços de protecção civil do concelho do Sabugal, do comando da corporação dos Bombeiros Voluntários do Soito e das entidade de coordenação distrital: «Se fosse eu, solicitaria de imediato uma reunião com a Direcção e o Comando dos Bombeiros do Soito, na tentativa de esclarecer o que se passou e no sentido de melhorar a capacidade e a prontidão da resposta dos mesmos.» ou ainda «O que é que aconteceu para que o normal desenrolar de uma intervenção coordenada a nível municipal, distrital e nacional não tenha acontecido? Quem são os responsáveis? As populações é que não podem ser prejudicadas por que os sistemas e as pessoas que os gerem não respondem!…» Enfim uma análise e pedido de intervenção urgente a um presidente de Junta de Freguesia para que solicite as melhoras colectivas da actuação dos responsáveis pelos bombeiros concelhios e distritais. Estarei enganado?

      Aquele abraço com muita amizade
      José Carlos Lages
      (secretário da Direcção da Associação dos Bombeiros Voluntários do Sabugal presidida por Luís Carlos Carriço)

  4. José Antunes Fino diz:

    Tive, já, oportunidade de expressar a minha posição sobre esta anomalia que reputo de gravosa, no mural do facebook do nosso amigo e professor José Manuel Campos e para lá remeto.
    Neste caso em apreço, só há que participar os factos ocorridos a quem de direito e, se for caso disso,instaurar o respectivo procedimento disciplinar ou criminal. Ficar inactivo é que não!

  5. Marcos Prata diz:

    Há uns anos quando chegava aos Foios,vindo do lado de Quadrazais,deparei-me com um pequeno incêndio (mesmo na fase inicial)!!.Telefonei de imediato ao Zé Manuel e em escassos minutos os sapadores locais intervieram.O fogo que já ia pela montanha acima,foi completamente “asfixiado”pelos ditos sapadores.Já nós iamos a caminho de casa muito tranquilos,quando apareceram os bombeiros da dita incorporação,a perguntar aonde era o fogo!!!

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