Ainda L’Action Francaise

Manuel Leal Freire - © Capeia Arraiana

Debruçamo-nos um pouco longamente sobre este tema, por causa da forte influência que os seus teoricizadores exerceram sobre dois grandes movimentos de ideias que marcaram a primeira metade do nosso século dezanove, ou sejam o CADC – Centro Académico da Democracia Cristã – de que saíram Salazar, Cerejeira, os irmãos Dinis da Fonseca, Mário de Figueiredo…

E sobretudo o Integralismo Lusitano, que influenciou também todos aqueles, mas mais ainda António Sardinha, Pequito Rebelo, Hipólito Raposo, o Conde de Monsaraz, Teotónio Pereira, até Marcelo Caetano, embora este mais tarde se haja transviado pela evolução sem continuidade.
De resto, ainda hoje, muitos dos que em Portugal nos declaramos monárquicos, somos integralistas, profissão de fé política que eu faço.
E não nos escasseiam motivos de reflexão.
E ensaística tão variada quão excelente cobrindo todos os ramos do pensamento e quadrantes da actividade político-administrativa.
Em prosa de antologia e versos da mais sublime inspiração.
Só a obra de Sardinha, não obstante o seu precoce passamento, bastaria para reforçar noção de portugalidade.
Mas também Alberto de Monsaraz se elevou na poesia a uma grande altura.
Como nos estudos sociológicos o inigualável Hipólito Raposo.
E que admirável hino à nossa tradição não constitui o livro «Paixão e Graça da Terra», de Luís de Almeida Braga.
E que dizer de Pequito Rebelo, modelo de fidalgo rural e de defensor do Ocidente Cristão.
Voltemos à «Corte da Saudade» ou a «Quando as Nascentes Despertam». E porque não a Nuno de Montemor, o integralista sacerdote católico de pena excelsa, que até no pseudónimo que escolheu faz logo profissão de fé… Nuno, como o Santo Condestável, Montemor como os Hermínios, coração da lusitanidade.
«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

One Response to Ainda L’Action Francaise

  1. José Carlos Mendes diz:

    Três notas apenas:
    1 – Estes movimentos marcaram, penso, a primeira metade do século XX. Deve ser lapso. Mas, muito mais importante:
    2 – Há uma diferença entre a direita do Integralismo Lusitano, esse, sim, directamente inspirado em Maurras, e a extrema-direita do CADC de que saiu Salazar. Mas Maurras, que a todos eles inspira, tem que chegue de reaccionário. Basta dizer que considerava a Revolução Francesa o pior dos males da França.
    3 – Nunca esquecer que um dos maiores integralistas do concelho do Sabugal foi o Dr. Guerra, grande proprietário rural do Casteleiro e fundador do jornal regionalista ‘Gazeta do Sabugal’. Há uns tempos escrevi aqui mesmo, no ‘Capeia’ ( https://capeiaarraiana.pt/2012/10/15/casteleiro-berco-da-imprensa-regional/ ) que este era um jornal «partidário do Integralismo Lusitano (ou seja, da monarquia tradicional), tal como o seu director, financiador e criador: o Dr. Joaquim Mendes Guerra, do Casteleiro».

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