Chamemos os bois pelos nomes

António Pissarra - Raia e Coriscos - Capeia Arraiana

Se há eleições que envolvem as pessoas são as autárquicas. Em 2013 realiza-se mais um ato eleitoral e as redes sociais são uma nova realidade nesta dinâmica.

O Sabugal não pode ser só capeia, o ano tem 365 dias - António Pissarra - Raia e Coriscos - Capeia Arraiana

O Sabugal não pode ser só capeia, o ano tem 365 dias

O país vai sofrendo sucessivos choques, na medida em que vão chegando dados socioeconómicos, relativos ao défice, ao desemprego, à emigração, ao aumento de impostos… e a tantas, tantas notícias, que se torna difícil encontrar alguma novidade que aqueça a alma aos portugueses. Apesar disso, a classe política parece viver uma realidade diferente daquela que a grande maioria apercebe. Os partidos continuam nas suas lógicas partidárias, preocupando-se mais com os seus jogos de poder que com o interesse de todos.
Se ao nível das candidaturas para a Assembleia da República é o que se sabe; tudo é praticamente decidido ao nível das cúpulas partidárias, questionando-se os cidadãos a razão pela qual o incompetente A ou B chega a deputado (não são todos, entenda-se), ao nível das autárquicas não é muito diferente, mimetizando-se os tiques nacionais à escala local. É por isso que as pessoas se vão afastando da intervenção política, uma vez que em cada partido são «meia dúzia» a decidir quem será o próximo presidente de câmara ou de junta de freguesia.
Como sabemos, e a prática assim o demonstra, nem sempre são os melhores a ocupar os lugares, mas antes aqueles que são mais populares e/ou que se mostram mais ativos no âmbito das máquinas partidárias. Ora, como a política se tornou uma espécie de um negócio, em que o «tacho» é um dos bens mais transacionados, é quase naturalmente aceite que os candidatos, futuros dirigentes, se preocupem mais com os seus interesses pessoais, familiares e partidários que com os interesses pelos quais efetivamente se candidatam; os do interesse coletivo, sabendo-se que quem decide nunca poderá agradar a «gregos e a troianos».
A verdade é que, devendo a política servir o Povo, nas eleições autárquicas, mais que em quaisquer outras, faz pouca diferença a «cor partidária» dos candidatos, embora os cidadãos vão votando numa lógica de clube de futebol sem se preocuparem muito com as propostas dos diversos candidatos. É por essa razão que PS e PSD têm quase o monopólio das autarquias do País. Vemos bons e maus exemplos em todas as forças partidárias, boas e más lideranças.
No contexto do próximo ato eleitoral autárquico o concelho do Sabugal não é muito diferente daquilo que se passa no resto do País. Com o centralismo a crescer, torna-se cada vez mais difícil ter «voz ativa» em mudanças radicais que invertam o rumo da situação. O Interior vai perdendo cada vez mais população, o preço do quilómetro na A23 e A5 é mais caro que na A1, não se veem medidas de fundo para atrair investimento e combater o despovoamento, enfim, pouco mais resta aos autarcas que fazer a gestão corrente, com dificuldades acrescidas pela transferência de tarefas sem a correspondente compensação financeira.
No caso do Sabugal é por demais evidente, os censos assim o provam, a perda de população. Foram fechando escolas, cresceram os lares e foi definhando a atividade local, sempre numa tendência clara que não augura nada de bom. Pensamos que sem uma atitude diferente do poder central e uma forte dinâmica local, chegará o tempo em que até os lares acabarão por encerrar: foram desaparecendo as crianças e o mesmo acontecerá, naturalmente, com os idosos. Apesar disso, não se notam grandes melhorias de atitude. As gentes do Sabugal, e a História assim o prova, nunca gostaram que lhes «pusessem a canga em cima», mas, essa atitude franca muita vezes torna-se inconveniente e cria constrangimentos difíceis de ultrapassar. Refira-se que não se advoga a ideia de não debater as ideias, de não apresentar propostas diferentes… Trata-se, antes de mais, de o fazer com elevação, dando a cara por aquilo em que se acredita. Nesta perspetiva, pensamos que o radicalismo que se observa nas redes sociais, muitas vezes sob a capa do anonimato, em nada ajuda a fazer um Concelho melhor. O Sabugal e a Câmara não são propriedade de ninguém, devem ser debatidos de forma clara e frontal e as pessoas devem ter o direito a assumir as suas posições sem quaisquer retaliações. Já somos tão poucos, acham que vale a pena «andar tudo à pancada»?
«Raia e Coriscos», opinião de António Pissarra

2 Responses to Chamemos os bois pelos nomes

  1. João Duarte diz:

    Caro Pissarra: não sei se isto será verdade (As gentes do Sabugal, e a História assim o prova, nunca gostaram que lhes «pusessem a canga em cima») e, por isso mesmo é que muitos se escondem sob o anonimarto… Não há cojones, se os houvesse , davam a cara…Pegam ao forcão, mas são uns medricas, no resto

  2. António Pissarra diz:

    Não concordo contigo, mas é verdade que é uma desilusão tanto anonimato. Pela parte que me toca nunca me escondi atrás de pseudónimos. Penso que, da maneira como vai o Mundo, o concelho do Sabugal precisão é de união (não de unanimismo), coragem, criatividade e espírito de iniciativa. Não é «à pedrada» uns aos outros que se vai a algum lado. E, a verdade, é que há muito «quem atire a pedra e esconda a mão».

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