A força da solidariedade no Meimão

A que foi Casa Paroquial de Meimão, tendo como último pároco residente o P.e José Miguel Garcia Pereira, e desde então em progressiva degradação, até à ruína, está a ser demolida, para, em seu lugar e parte do terreno anexo, se construir um lar da terceira idade. Um protocolo celebrado com a Diocese da Guarda constitui o ponto de partida para este processo de reconversão, que está a ser dirigido pela Xara – Associação de Solidariedade Social e Desenvolvimento Local de Meimão.

À primeira vista, não há nada de extraordinário: desde sempre as ruínas deram lugar a novas construções, por vezes à exuberância dos lugares, e até esse fim inexorável da vida, que é a morte, é condição e fonte de nova vida, num ciclo de perpétua renovação das coisas e das espécies. No entanto, o tempo, o modo e as circunstâncias em que este nosso processo tem vindo a criar forma e a desenvolver-se são razão para fazermos dele notícia a expor à curiosidade, senão admiração, de todos quantos fazem da solidariedade uma das formas mais dignas de a espécie humana se afirmar como o expoente máximo da evolução do ser, ou, para o crente, da criação.
Perfilhamos a ideia de que as crises, como aquela em que nos encontramos, são tempo e pretexto de sonhos e criatividade, nunca motivo de desânimo e de inacção. Assim, depois de vencidas as tormentas dos enredados trâmites legais, e tendo sobrevivido aos desanimados ânimos dos homens de pouca fé, eis-nos chegados ao momento de pôr mãos à obra com a prevista primeira fase – o desmantelamento do edifício com a remoção do telhado e das madeiras, seguindo-se a destruição das paredes e a remoção dos escombros – a vencer a custo zero, isto é, à custa de voluntariado.
Isso mesmo: mãos à obra! Houve surpresa, sim, mas só para quem não conhece as gentes do Meimão: a uma aparente e frustrante indiferença inicial para com as causas, segue-se, quase sem aviso e de rompante, o entusiasmo e a mobilização, não digo geral, mas seguramente a dos mais válidos da população. Os sábados de 5 e 12 de Janeiro foram, assim, de trabalho voluntário dedicado a uma causa que interessa a toda a comunidade. Um hino à solidariedade, interpretado por um grupo de jovens e menos jovens abnegados, a troco não de dinheiro, mas de um bem sem preço: a consciência cívica de fazer bem de graça, como realização da nossa dimensão espiritual. Removeram-se o telhado e quase todas as madeiras. No próximo sábado ficará tudo preparado para a destruição das paredes e a remoção dos escombros.
A um cenário que foi o d’ «Os milagres do P.e Miguel» sucederá o do milagre de uma vida digna e serena no seu troço descendente, porque o nosso conceito de lar, a localização privilegiada das instalações e, porque não, a fé que a muitos liga a este lugar, serão a garantia de uma vida plena, como pode ser a do idoso, mesmo aproximando-se do fim.
Dinheiro? Apenas para começar!… Mas esperamos também no milagre da solidariedade para que em cenário tão rico de passado se não quebre a cadeia dos milagres que nos vão acompanhando do nascimento à morte.
Manuel Antunes Neto (Presidente da Xara)

One Response to A força da solidariedade no Meimão

  1. Fernando Latote diz:

    Nunca se acaba aquilo que não se começa…
    Força amigos,,, decerto vão conseguir atingir os objectivos

Deixar uma resposta