Movimento cívico baralha eleições no Sabugal

José Carlos Lages - A Cidade e as Terras - © Capeia Arraiana (orelha)

As eleições autárquicas 2013 estão previstas para Outubro mas a campanha eleitoral já mexe no concelho do Sabugal. A juntar ao candidato natural do PSD, António Robalo, foi apresentada a escolha socialista, António José Vaz, e começa a tomar forma uma terceira via denominada movimento cívico independente que poderá ser encabeçado por nomes como António Dionísio e Joaquim Ricardo e baralhar as contas partidárias.

O Capeia Arraiana soube de fonte fidedigna que têm decorrido diversos contactos e reuniões entre várias figuras de destaque na vida social e política sabugalense no sentido de concretizar um amplo movimento cívico independente transversal e concorrente às próximas eleições autárquicas.
Esta quarta-feira, 2 de Janeiro, após a reunião do executivo camarário alguns sabugalenses reuniram-se à hora do almoço no restaurante Miracôa para discutir a actualidade política do concelho do Sabugal. À volta da mesa estiveram dois cabeças-de-lista às últimas eleições autárquicas – António Dionísio, candidato pelo PS que abdicou do mandato de vereador e Joaquim Ricardo, candidato independente pelo MPT e actual vereador – os vereadores socialistas Sandra Fortuna, Francisco Vaz e Luís Sanches, e os empresários Alberto Pires Monteiro (conhecido como Beto de Valongo) e Alexandre Neca.
O actual presidente da Assembleia Municipal, Ramiro Matos, em crónica publicada em 15 de Novembro no Capeia Arraiana já havia dado conta de algum descontentamento dos apoiantes fiéis a António Dionísio relativamente a algumas decisões e escolhas que estavam a acontecer no seio dos socialistas sabugalenses tendo-se mesmo mostrado disponível para integrar um movimento independente encabeçado por António Dionísio. Escreveu, então, Ramiro Matos: «Tomei conhecimento da existência de um grupo alargado de sabugalenses, independentes e militantes partidários, presidentes de junta e membros da assembleia municipal, que ainda hoje se reveem no programa apresentado pelo Toni e com vontade de criar uma plataforma que corporize essa alternativa para as próximas eleições autárquicas.»
Os mais recentes desenvolvimentos trouxeram um novo protagonista – Joaquim Ricardo – que alcançou um surpreendente resultado nas últimas eleições autárquicas e que aparece agora «sentado à mesa» com o seu «adversário» António Dionísio.
Fonte bem colocada no movimento adiantou ao Capeia Arraiana que foram efectuados contactos que já permitem assegurar pelo menos 10 listas para juntas de freguesia.
Os sociais-democratas sabugalenses liderados pelo actual presidente António Robalo («recandidato» natural) estão expectantes e dividem-se sobre as vantagens e desvantagens de ter um ou dois candidatos adversários.
O Sabugal poderá, assim, voltar a ter uma disputa eleitoral a três vozes ao exemplo do que já aconteceu nas últimas eleições autárquicas onde os resultados distribuíram três vereadores (e presidência) ao PSD, três vereadores ao PS e um vereador independente eleito em listas do MPT.
«A Cidade e as Terras», opinião de José Carlos Lages

jcglages@gmail.com

13 Responses to Movimento cívico baralha eleições no Sabugal

  1. Anabela diz:

    Qualquer dos nomes não se atreve a avançar…Conhecem como eu a grande força do candidato socialista, António José Vaz.
    Nem mais nem menos, um almoço normal com pessoas que, apenas gostam de meter o nariz no tacho.

  2. António Emídio diz:

    Como é natural em Democracia e em qualquer parte do Mundo, um grande partido hegemónico, como é o caso do PSD no Concelho do Sabugal, um dia sofre uma cisão, os choques ideológicos e os choques de interesses a isso obrigam. Essa cisão já há muito tempo que se vem gerando, mas o que é que ela está a provocar presentemente? Uma absorção de alguns militantes e simpatizantes do Partido Socialista, pelos dissidentes do PSD, originando isso uma fragmentação dentro do próprio Partido Socialista.
    Uma terceira força política? Se por acaso quiser aparecer que o faça nas próximas eleições autárquicas, terá uma grande oportunidade porque esta crise económica e política obriga a que haja um divórcio entre os clássicos partidos e os eleitores. Também estas clivagens são um trunfo a seu favor. Repito,se uma terceira força política quiser aparecer e ter relevância política é agora a altura, porque provávelmente daqui a quatro ou cinco anos haverá um separar de águas, não se pode andar constantemente a mudar de partido, dá uma má imagem, o PSD, presumo que se transformará novamente num partido coeso, e o Partido Socialista passará a ser ele próprio, então essa luta ideológica própria de uma Democracia, voltará.

  3. Pedro Saraiva diz:

    Confunde-se sistematicamente análises político-partidárias nacionais e locais.

    Toda a gente conhece o Joaquim Morão e o seu meritório trabalho à frente da Câmara de Idanha e posteriormente de Castelo Branco, apenas os políticos sabem o seu partido. De fato, o que faz a diferença é a pessoa, é a equipa de pessoas, não é o partido.

    A situação no caso do Sabugal é muito simples: as pessoas que estão a desempenhar os cargos com a máxima responsabilidade pelos destinos do concelho não estão a fazer um trabalho satisfatório.

    O que fazer? O “grande partido hegemónico, como é o caso do PSD no Concelho do Sabugal” deve concordar todo com a gestão, comportamentos e prioridades (para que não haja dissidentes) e a situação muito simples não se resolve.

    Devíamos muitas vezes voltar a pensar com a clareza das crianças, sem manobras, malabarismos, preconceitos e pensamentos que deixaram de o ser para passar a ser “mandamentos”. Devíamos deixar de continuar a enraizar ideias na política local como “dá uma má imagem” mudar de partido (quando o que se muda é o apoio a pessoas), “o candidato à Câmara esquece o que o seu partido tem feito no governo” (o nível local não pode ser confundido com o nível nacional), “toda a gente do mesmo partido na Assembleia Municipal deve ter o mesmo sentido de voto (não pode haver dissidentes)”, etc, etc pois estes “mandamentos” (já deixaram de ser pensamentos) têm prejudicado muito os interesses comuns e essenciais das pessoas.

    Não deveria dar uma imagem ainda pior o que se anda a gastar e em quê, num tempo destes? Os valores são públicos, basta somar.

  4. João Duarte diz:

    Farto-me de rir com “o que se apoiamé pessoas”… Mas quais pessoas? O que conta são os Partidos… por isso é impossível a CDU (que pode ter o melhor candidato) ganhar a Câmara do Sabugal, assim como é impossível o PSD (com o melhor candidato) ganhar a Câmara de Avis ou o CDS ganhar a de Gavião.Pode aparecer um “outsider” e at´we ganhar mas é muito raro… Deixem-se de tretas

  5. monteiro diz:

    As pessoas não podem ir almoçar com amigos , pois pósso vos dizer da minha parte foi sómente almoço, e alguns comentarios, a jeito de brincadeira, não confundam as coisas, mas tudo pode ser possivel ?

  6. M. Antunes diz:

    A uns dá para rir, a outros para chorar 🙁 A CDU no Sabugal não arranja nenhum candidato – nem bom nem mau. Nessas câmaras ganham esses partidos porque tiveram ou têm pessoas que fizeram ou fazem o que o povo considera melhor. Cada caso é um caso e tretas são o que mais se diz por aí, felizmente que alguns já as vão distinguindo.

  7. Alberto Monteiro diz:

    Estou totalmente de acordo com o comentário do Sr João Duarte, infelizmente isso acontece…
    Primeiro os partidos depois as pessoas, e é por estas e outras razões que temos o país no estado físico, económico e também psicológico em que está.
    E no fim, os idosos morrem na solidão, as empresas declaram-se insolventes , fecham portas, filas de pessoas no desemprego e muitas a passar fome.

  8. José Carlos Mendes diz:

    Fiquei muuuito desconfortável com esta notícia e tenho andado a pensar no assunto.

    Julgo que tenho de voltar a este tema mais tarde.

    O que está a desenhar-se com ou sem fundamento é uma opinião pública formada que vai num sentido dominante: o PS a dividir-se em dois.
    E não há milagres em comunicação: depois de formada essa ideia na opinião pública, isto é, quando «a minha mãe e a minha tia» souberem disto, o resultado será um só: o Engº Robalo, que já está a bater palmas, vai abrir uma garrafa de champanhe – e faz ele muito bem.
    Nestas coisas, desculpem que lhes diga claramente, importam pouco as intenções subjectivas de cada um dos participantes.
    O que importa, objectivamente, é a ideia que se transmite cá para fora.

    Voltarei, acho, ao assunto.

    Mas, no imediato, quero reafirmar a minha convicção: tudo isto, sejam quais forem os movimentos e sua divulgação, os objectivos e os actores (isto é: mesmo que um ou outro dissidente do PSD se junte) – tudo terá apenas um resultado: aplanar e muito o caminho e tudo estar a fazer para reeleger um Presidente da CMS do PSD.

    Repito a minha opinião firme: pouco interessam as intenções de cada um.
    E isso é de uma dureza desumana, porque gostamos todos de fazer tudo o que nos dá na real gana e se não estamos de acordo com esta ou aquela situação, então queremos intervir.
    E isso, que é muito bom, pode por vezes, sobretudo se estamos na política activa, ter consequências do arco da velha. O Sabugal é uma terra pequenina e isso agrava a situação que refiro.
    Um almoço ou um artigo, um protesto ou uma reunião, se mal esclarecidos, podem ter consequências exactamente contrárias ao que legitimamente se pretendia.
    Para mim, isto é tão claro que até dói.

    Mais: entendo que a expressão dúbia «meter o nariz no tacho» usada por alguém que usa o nome de guerra «Anabela» é um facto sintomático.
    E o facto de a mesma pessoa (que se quis colar ao PS e foi desmascarada oficialmente, parece-me) usar o truque de dizer que conhece «a grande força do candidato socialista, António José Vaz», como quem dissesse que a vitória do PS está no papo, é ainda mais claro: é um truque para diminuir a importância da divisão da força política que esteve a 200 votos de obter há três anos a presidência da CM Sabugal.

    Desculpem escrever com esta clareza. Mas acho que compete ao PS resolver internamente os seus problemas, de modo a arrancar em força para um combate taco a taco e ganhar.

    Mas cada um sabe de si.

  9. Luís Soito diz:

    Estou totalmente de acordo com o comentário do Sr. Pedro Saraiva.
    O que faz as famílias, as empresas, as associações, as escolas, os clubes, este país são as pessoas.
    Que há partidos mais fortes e mais fracos, ninguém tem dúvidas. Mas também há famílias, empresas, associações, escolas, clubes e países mais fortes e mais fracos.
    A movimentação das pessoas que tem isso em conta, também ninguém tem dúvidas.

  10. Markes diz:

    É de realçar como os partidos politicos dominam as pessoas, apesar de terem sido eles a colocar-nos nesta situação. Cada vez mais devemos olhar para o concelho e a região como ela propria e não um interesse partidário. Srº politicos do concelho deixem-se de interesses pessoais e procurem dar respostas efetivas á desertificação em massa, á nula natalidade, á falta de estabilidade económica empresarial, á falta de empresas capazes de empregar +5 a 6 pessoas, sem postos de trabalho não á fixação de pessoas, sem pessoas não á desenvolvimento, sem desenvolvimento não passamos de uma quinta deserta neste pequeno pais.

  11. João Duarte diz:

    Afinal, sr. Markes, são os interesses pessoais que nos destroem…Sem querer dá-me toda a razão. Quer dizer: se um político não for de um Partido , já não tem interesses pessoais? Quem tem interesses pessoais são só os políticos dos Partidos? Vá brincar com outro, sr. Markes… Como partidário que sou e não antipartidário, digo-lhe: não tenho confiança nenhuma em “independentes” (entre aspas)

  12. João Manata. diz:

    Sr M Antunes tenho a informá-lo que a CDU é a única força política que concorre a todos os Múnicipios do país, e como tal o Sabugal não foge à regra. Quanto aos bons ou maus candidatos também quero dizer-lhe que nas últimas eleiçôes autárquicas o candidato da CDU era de longe o que mais conhecimentos e experiência tinha na gestão de uma autarquia, e já agora se quer saber é Sabugalense de gema.

  13. João Duarte diz:

    Só agora vi que o sr. Antunes resolveu meter-se naquilo que não sabe… O João Manata já chegou para ele

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