Opiniões

Manuel Leal Freire - © Capeia Arraiana

Uma empresa britânica de sondagens, chamada Mass Observation procedeu há anos a um inquérito junto do seu povo – obviamente o inglês. Tratava-se de saber o que é que o homem da rua, o inglês médio, retinha de tudo o que os jornais, a rádio e a televisão todos dias e a toda a hora lhe davam como informação sobre as mais altas personalidades políticas.

E chegaram a conclusões deveras curiosas.
Um todo-poderoso ministro identificava-se muitas vezes com um tocador de xilofone, um comerciante de peixe, um cúmplice dos bigs, na sua última versão.
Quis-se reconhecer uma missionária em Cristine Keler, a call-girl do escândalo Profumo-Wward-Ivanov, de 1963.
E para uma outra notabilidade, Sir Alec Douglas Home, antigo primeiro-ministro, arranjou-se o emprego de comediante, mas de titeriteiro a sério.
As questões postas eram muito simples e relativas a personalidades, supostamente muito conhecidas…
O que faria se o inquérito se alargasse a políticos estrangeiros ou mesmo internamente se se abordassem pormenores de vida íntima.
Aconteceria o que sucedeu quando o Observer concluiu que apenas um em cada três dos britânicos ouvira falar do plano nacional de George Brown, mau grado a fenomenal campanha que o apresentou.
Ou quando se concluiu que, apesar da forma desenvolvida como foi exposto, a maioria dos que se lembraram da sua apresentação, não faziam a mais pequena ideia do que o plano fosse.
O que levou o cronista a esta conclusão.
Pensamos que no tempo do Rei Artur o povo vivia na mais crassa ignorância.
Mas hoje nós sabemos cientificamente, baseados em infalíveis estatísticas que hoje, sim, o povo vive supinamente ignorante.
Lia-se num jornal francês que cinquenta e oito por cento dos franceses adultos entram e saem num ano sem terem aberto um livro e que só dois por cento lêem até ao fim o livro que abriram.
«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

Deixar uma resposta