Ambiente tenso no executivo camarário

Câmara Municipal Sabugal - © Capeia Arraiana

As últimas reuniões do executivo da Câmara Municipal do Sabugal têm sido muito tensas, com um imparável braço de ferro entre o presidente e os vereadores da oposição em relação a algumas matérias, o que tem provocado discussões e declarações para a acta que evidenciam um relacionamento frio, que se pode agravar no futuro.

Reunião executivo Câmara Municipal Sabugal - Capeia Arraiana

Reunião executivo Câmara Municipal Sabugal – Capeia Arraiana

O verniz estalou quando os vereadores da oposição, na reunião de 31 de Agosto, recusaram ratificar uma decisão já tomada pelo presidente sem primeiro os consultar. A votação dizia respeito à transferência de 136 mil euros para a Sabugal+, alegadamente para cobrir prejuízos de anos anteriores. António Robalo ficou sozinho frente à oposição, pois os dois vereadores do PSD, que agora são administradores da Sabugal+, tiveram de abandonar a reunião para discutir e votar este ponto. A proposta foi reprovada com o voto contrário de toda a oposição.
Joaquim Ricardo justificou o seu voto dirigindo-se ao presidente: «Estamos já habituados a que nos sejam apresentadas propostas cuja decisão já foi tomada unilateralmente por si.» Indo mais longe o vereador eleito pelo MPT alertou António Robalo de que «o povo tinha consciência do perigo que corria ao dar-lhe uma maioria absoluta, e assim deu-lhe a maioria tangencial, ou melhor, deu-lhe uma vitória nas urnas mas reservou a maioria para si. Quis dizer-lhe que deveria ouvir os seus pares antes de tomar decisões». Seguidamente enumerou os constantes erros cometidos pelo presidente em matéria de transferências para a empresa municipal, sempre à revelia do executivo.
Também os vereadores do PS, pela voz da vereadora Sandra Fortuna, justificaram o voto desfavorável: «Esta decisão tomada pela presidência, sem dar conhecimento à Câmara, numa atitude de “quero, posso e mando” é altamente negativa para a Sabugal+», acrescentando depois que o presidente faz uma «gestão casuística, incapaz de implementar politicas sustentadas e, aquando da constatação dos erros, clamar por ratificação dos actos».
O clima azedo desta reunião do último dia de Agosto, perdurou nas reuniões seguintes, extremando-se posições. Na reunião de 14 de Setembro, o vereador Joaquim Ricardo, ainda tentou amenizar o ambiente: «Temos de separar as coisas pessoais das políticas», querendo esclarecer que o sentido das votações nunca fora motivado por razões de ordem pessoal. «Todos queremos o bem para o concelho», concluiu o vereador.
António Robalo, acusou o toque e tentou também serenar os ânimos, afirmando que «com a grande variedade de assuntos a resolver não é fácil encontrar tempo e espaço para a atender a todas as dúvidas colocadas pelos senhores vereadores a não ser nas reuniões».
Sandra Fortuna, em nome dos vereadores socialistas mostrou porém o firme propósito de continuar a ser exigente nos assuntos que são levados à reunião de câmara, até porque, considerou, o PS toma as decisões em nome do interesse do concelho. «Não podemos ter a memória curta e temos que recordar quantas e quantas vezes não concordamos mas ratificamos assuntos», concluiu querendo provar a boa fé nas votações.
Com o ambiente aparentemente mais ameno o presidente aproveitou para voltar a colocar em cima da mesa a proposta da ratificação da transferência dos 136 mil euros para a Sabugal+. Mas o sentido do voto não se alterou, face à última reunião, e a proposta voltou a ser chumbada.
As reuniões que se seguiram mantiveram-se tensas, com os vereadores da oposição a rejeitarem uma proposta de aprovação de trabalhos a mais na empreitada da Variante ao Soito, acusando o receio de o processo enfermar das mesmas irregularidades que houve na empreitada da construção do balneário termal do Cró, que levou o Tribunal de Contas à aplicação de sanções pecuniárias.
A questão da não avaliação dos funcionários da autarquia e o desconto que lhes será efectuado no ordenado foi também debatido e votado num ambiente duro e tenso.
A situação parece deixar antever uma coabitação difícil no executivo camarário nos dois anos que restam do mandato autárquico.
plb

4 Responses to Ambiente tenso no executivo camarário

  1. António Santos diz:

    Este presidente Robalo saiu pior do que a encomenda. Teve o pássaro na mão (acordo com Joaquim Ricardo) e deixou-o fugir – só pode queixar-se de si mesmo.
    Quanto à Sabugal+ acho que fazem muito bam em não autorizar transferências de legalidade duvidosa. A Empresa Municipal tem de ser imediatamente extinta, como alguém responsável já propôs, e só a oposição o pode fazer porque tem a maioria. Se têm amor ao concelho obrigem o presidente a submeter a Câmara a uma operação cirurgica para retirar o tumor que é a Sabugal+.

  2. kim tomé diz:

    Ai como eu sinto a tristeza de ter a razão do meu lado…
    Há anos que venho afirmando coisas que a tempo teriam sido corrigidas e que ora, são colocadas a nu pela força da, não mais possível de ocultar , razão.
    Seria bom para o Sabugal e para todos nós, que eu não tivesse tido, a razão.
    Acordai senhores! e salvai o Sabugal da desdita que na nossa terra destrói a vida dos nossos conterrâneos há mais de 50 anos!

    (P.S. – Este acordai é no sentido de despertar, mas também de chegar a acordo)

  3. virgilio capelo diz:

    Acabar com empresa Sabuagal+, significaria fechar equipamentos desportivos, recreativos, culturais, de lazer e de saude, de turismo, etc….Consta que as câmaras não podem contratar pessoas e no próximo ano olhando só para o embrulho deverá reduzir os quadros de pessoal.Talvez não seja a melhor forma de governar, mas não tenho opinião muito clara sobre o assunto.Gostava de conhecer melhor o funcionamento e meandros destas coisas.Talvez passando gente da câmara para as piscinas, pavilhão, termas e outros.
    Quanto ao “passaro na mão” não seria talvez mais um galo que queria mandar na capoeira e que fazia m…a em todos os cantos por onde passava. Infeliz procurou e encontrou outro galinheiro onde é rei e já canta de galo.
    Ele é agora claramente o lider da oposição maioritária, pondo em dificuldades a vida cada vez mais dificil do Presidente.O que não conseguiu com o Presidente, conseguiu com os inexperientes da oposição.
    Esta parece ser a verdade.
    Para bem do sabugal seria melhor que se entendessem todos como diz o Sr. Kim Tomé, porque tempos mais dificeis esperam este país.

  4. João Valente diz:

    Que sugere a “oposição”? Que não se paguem os encargos com fornecedores e pessoal já assumidos? Não percebi… Agora se exigisse uma política de despesas rigorosa, isso já entendia….

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