Ser verdadeiro contigo mesmo

Hoje gostava de partilhar com todas as pessoas que, eventualmente, estejam a ler estas linhas, um texto da escritora Oriah Mountain Dreamer que é, simplesmente, a melhor declaração de amor que até hoje li.

Lua - Lago

Carla Novo«Não me interessa qual é o teu modo de vida. Quero saber o que anseias, e se ousas sonhar conhecer os desejos do teu coração. Não me interessa que idade tens. Quero saber se arriscas procurar que nem um louco o amor, os sonhos, a aventura de estar vivo. Não me interessa saber quais os planetas que estão em quadratura com a tua lua. Quero saber se tocaste o centro da tua própria dor, se estiveste aberto às traições da vida ou se te encolheste e te fechaste com medo de outros sofrimentos! Quero saber se consegues sentar-te com a dor, a minha ou a tua, se te mexeres para te esconder, disfarçar ou compor. Quero saber se consegues viver a alegria, a minha ou a tua; se consegues dançar com loucura e deixar que o êxtase te encha até às pontas dos pés e das mãos sem nos advertires para termos cuidado, sermos realistas, ou nos relembrares as limitações de ser humano. Não me interessa se a história que me contas é verdadeira. Quero saber se consegues desapontar o outro para seres verdadeiro contigo mesmo; se consegues suportar a acusação de traição e não atraiçoares a tua própria alma. Quero saber se consegues ser fiel e, por isso, digno de confiança. Quero saber se consegues ver beleza mesmo num dia não muito bonito, e se consegues alimentar a tua vida da presença de Deus. Quero saber se consegues viver com o erro, teu e meu, e mesmo assim ficar de pé à beira de um lago e gritar à Lua prateada, «Sim!». Não me interessa onde vives nem quanto dinheiro tens. Quero saber se, depois de uma noite de dor e desespero, exausto, dorido até ao tutano, consegues levantar-te e ocupares-te das necessidades das crianças. Não me interessa quem és, como chegaste aqui. Quero saber se permaneces no centro do fogo comigo sem te ires embora. Não me interessa onde ou o quê ou com quem estudaste. Quero saber o que te sustém interiormente quando tudo o mais cai à tua volta. Quero saber se consegues estar só contigo mesmo; e se verdadeiramente gostas da companhia que tens nos momentos vazios.»
«Jardim dos Sentidos», crónica de Carla Novo

carlanovo4@hotmail.com

5 Responses to Ser verdadeiro contigo mesmo

  1. Antonio Emidio diz:

    É bem verdade, o amor é uma amizade enlouquecida!…

  2. Meliço diz:

    É na verdade uma grande declaração de amor. Não sei quando é que foi escrito, mas infelizmente nos nossos dias, a palavra Amor banalisou-se e na maioria dos casos já tem pouco significado e sobretudo conteúdo.
    A maioria das nossas leis apelam cada vez mais ao individualismo, materialismo e outras coisas parecidas e é por isso que a Sociedade está neste estado caótico de valores.
    ” Façam Amor e não guerra” lá está a tal frase… mas quém pensa nela.. ninguém… somente no cartar e esvoaçar das aves se vê a liberdade e a alegria de uma vida feliz……..
    Façam o favor de serem felizes e com verdadeiro Amor.

  3. joaquin alberto nicolau diz:

    …Amor. amor y mil veces mas amor, es eso lo que une a las personas, aunque en estos tiempos lo hemos olvidado. Te mando poema de Argentina, espero te guste.

    POR EL DESEO DE COMPARTIR ALGO SIMPLE,
    “EL AMOR”

    Ella hablaba alemán,
    yo, español.
    No nos entendíamos.
    Desvariamos
    y con nuestras miradas
    nos desnudamos
    para buscar algo en común.
    Ella descubrió la música de mi corazón
    en cada uno de mis poros
    y danzó al compás.
    Yo, descubrí mil violines
    en cada rincón de su cuerpo
    y ejecutè mil y una meloías.
    Lacramos partes húmedas
    con un profundo beso
    y nos despedimos.
    Ambos comprendimos
    que para decir ” Te Amo”
    no hicieron falta palabras,
    minimizando riesgos
    de ser malinterpretadas.
    ¡Por cierto!
    de alguna forma u otra,
    aunque no lo dígamos
    todos sabemos algo del ..”AMOR”

  4. carla diz:

    Olá Meliço: Este texto foi escrito em 1994 e faz parte do livro «Convite» de Oriah Mountain Dreamer. Mas é, obviamente, intemporal 🙂

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