«O Cisne Submerso», livro póstumo do poeta guardense Fernando Pinto Ribeiro, foi ontem, 16 de Outubro, apresentado em Lisboa, numa sala do Hotel Real Palácio repleta de admiradores da sua poesia.

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Coube ao poeta-cantor Julião Bernardes, compilador dos trabalhos publicados, iniciar a apresentação, falando das peripécias que antecederam a publicação de um livro que Fernando Pinto Ribeiro já havia pretendido publicar em vida, mas que nunca o conseguira fazer por impor alterações sistemáticas aos poemas.

O escritor Joaquim Murale e o poeta J. Leitão Baptista fizeram seguidamente a apresentação do livro de Fernando Pinto Ribeiro, usando para isso uma fórmula original, em que à intervenção de um se seguia a do outro, num mano a mano em que os textos pareciam irmanados. Os dotes de oratória de ambos proporcionaram momentos de comoção, ao recordarem Fernando Pinto Ribeiro enquanto homem culto e humilde, arredio à notabilidade, amigo e compreensivo, preocupado com todos, mas absolutamente alheio à devassa. Foi o poeta que mais procurou a perfeição, porém absolutamente ciente que nunca a conseguiria atingir.

Os seus poemas nunca eram produto acabado ou abandonado, porque para ele um poema era algo a que voltaria sempre.

Ao irmão do poeta, Carlos Augusto Ribeiro, coube depois agradecer a todos os que se empenharam na publicação do livro, que seria conseguida através da edium editores, e aos que ali se deslocaram para assistirem ao lançamento de uma obra que o Fernando desejou em vida, mas que nunca viu concretizada, sendo esta portanto a melhor homenagem que foi possível fazer-lhe.

Seguiram-se intervenções livres por parte de algumas das largas dezenas de pessoas que assistiram ao lançamento da obra. Uns declamaram poemas de Fernando Pinto Ribeiro, muitos deles não incluídos no livro, outros preferiram declamar poemas seus feitos em homenagem ao autor de «O Cisne Submerso». Outros ainda quiseram dar testemunho da sua amizade com o poeta e da imensa satisfação por verem publicado o seu almejado livro.

«O Cisne Submerso» é composto com 94 poemas de Fernando Pinto Ribeiro, tendo-se procurado publicar as últimas versões conhecidas de cada um deles. Uma parte do livro contém poemas que foram letras de fados e canções, e uma segunda parte que reúne outros poemas.

Embora Fernando Pinto Ribeiro nunca publicasse um livro em vida, colaborou em inúmeras revistas e jornais, dentre os quais o mensário «Sabugal» editado pela Casa do Concelho do Sabugal em Lisboa, onde publicava os seus poemas, o mesmo sucedendo em obras literárias colectivas, sempre que um amigo lhe pedia colaboração.

Muitos dos poemas são dedicados a pessoas pelas quais Fernando Pinto Ribeiro tinha grande apreço. Há pois poemas dedicados a J. Pinharanda Gomes, Fernando Rosas, Joaquim Murale, J. Leitão Baptista, Américo Rodrigues, João Bigotte Chorão, Julião Bernardes, e muitos, muitos outros.
Respigámos do prefácio, de J. Leitão Baptista, este pequeno trecho revelador da eloquência da poesia de Fernando Pinto Ribeiro, um poeta maior da língua portuguesa:

“Frequentemente, o poeta deixa margem para uma interpretação que nos leva ao seu estado de isolamento, fechado em si mesmo, «cisne submerso» nas suas lucubrações: «Na cauda que me aboca dobrado em mim / um réptil abraço e mordo sem matá-lo / e acabo e recomeço a ruminar o fim»; «uma voz num poço / ou eco dum beco / me ouço no fosso / ao fundo do fim».”

plb