A maquinaria da Câmara

Nestas imagens estão reproduzidas duas das máquinas que fazem parte do meu imaginário. Trata-se do camião Barreiros e da máquina de espalhar alcatrão, imagens de marca da Câmara do Sabugal, nos anos 60 e 70, do século XX.

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João Aristídes Duarte - «Memória, Memórias...»O camião Barreiros, marca de origem espanhola, era conduzido pelo sr. Bárrios, de Aldeia do Bispo, o pai do professor (e actual membro da Assembleia Municipal) Francisco Bárrios.
A marca Barreiros foi fundada pelo galego Eduardo Barreiros Rodriguez, nascido na província de Orense, na Galiza. Em 1962 associou-se com a empresa norte-americana Chrysler e fundou a «Barreiros Chrysler».
O camião Barreiros, propriedade da Câmara Municipal do Sabugal, terá sido comprado em meados dos anos 60 e esteve ao serviço até quase ao final dos anos 70.
Era o único camião que a Câmara Municipal possuía e que servia para transportar areia e outro material para «remendar» as estradas que havia na época.
Lembro-me bem de esse camião vir ao Soito, conduzido pelo sr. Bárrios, que se fazia acompanhar de alguns cantoneiros (entre os quais o sr. João Reduto, do Soito), transportando areia e gravilha.
A máquina de espalhar alcatrão (a Câmara tinha várias) era semelhante àquela que se encontra na imagem.
Era necessária lenha para uma caldeira que a máquina possuía, para aquecer o alcatrão e o tornar líquido. Numa época, para fazer aquecer a caldeira usavam-se, como combustível, as grades de madeira da Cristalina, que tinham pregos e, depois, apareciam muitos furos nos automóveis, porque a cinza (com os pregos) era deixada nas bermas das estradas. Com a ajuda de uma mangueira que a máquina tinha, os cantoneiros espalhavam o alcatrão nos buracos, e colocavam a areia ou gravilha, que era transportada no camião Barreiros.
Durante o fim-de-semana a máquina era deixada no Lameiro do Soito (onde hoje se encontra o jardim) e era motivo de grandes brincadeiras por parte da garotada.
Quando a primeira Câmara Municipal do Sabugal, eleita em regime democrático, em 1976, tomou posse, o camião Barreiros estava numa oficina a arranjar e não podia ser «levantado» porque a Câmara não tinha dinheiro para pagar. E já estava lá há algum tempo.
Só com a aprovação da Lei das Finanças Locais e as transferências que começaram a ser feitas para as autarquias, a Câmara começou a adquirir uma frota automóvel com algum nível.
O camião Barreiros desapareceu de circulação (não sei se alguma vez chegou a sair da tal oficina) e as máquinas de espalhar alcatrão também nunca mais foram avistadas por estas paragens.
«Memória, Memórias…», crónica de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

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