A carroça da Cristalina – década de 40

Finalmente uma mão amiga arranjou-me a fotografia da carroça que transportava as grades de sumos da Cristalina, na década de 1940. Foi o senhor Carlos Alberto da Conceição, conhecido pelo Ti Carlos do Soito que me cedeu a fotografia.

Carroça Cristalina - Soito

João Aristídes Duarte - «Memória, Memórias...»Como referi na minha crónica anterior, esta fotografia encontra-se num livro que foi editado em 1971, comemorativo dos 25 anos da fundação da Fábrica de Refrigerantes Cristalina.
Na minha crónica anterior referi, também, que a carroça era puxada por burros, mas tal não corresponde à realidade, já que era puxada por um macho.
A carroça fazia a distribuição no Soito e arredores, nas tabernas e nalguns (poucos) cafés que iam surgindo no concelho. As grades eram de madeira, como se pode ver na imagem. Ainda no final da década de 1970 havia grades de madeira, nas traseiras da fábrica, que foram sendo substituídas por grades de plástico. As grades de madeira, quando se deixaram de utilizar, serviam como lenha para aquecimento. Os proprietários da Cristalina davam essas grades para se livrarem delas.
Nessa época, a Fábrica funcionava no Bairro do Forte, no Soito, onde os sócios (Manuel de Oliveira e os seus filhos) produziam as «laranjadas». Para isso usavam uma máquina com um pedal que servia para colocar as «caricas» nas garrafas de vidro, compradas e zincogravadas com o nome Cristalina. Outra máquina rudimentar enchia, previamente, as garrafas de vidro, com a «laranjada». A água era transportada desde o chafariz que existia (e ainda existe) no bairro, até à «fábrica». A «fábrica» só produzia «laranjadas» e gasosas, que vieram substituir os famosos «pirolitos».
Quem imaginaria, nesses anos, que a fábrica teria a grandeza que chegou a ter, com distribuição em todo o país e, até, para mercados internacionais?
Só na década de 1950 é que a fábrica foi transferida para as instalações onde hoje está instalado o Centro de Negócios Transfronteiriço.
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

2 Responses to A carroça da Cristalina – década de 40

  1. Fernanda diz:

    E se eu gostava das laranjadas Cristalina, bebidas só em ocasiões festivas.
    Adorei o seu artigo, pois havia pormenores que desconhecia.

  2. Ana Vilardell diz:

    Aristides, uma vez mais, agradeço por nos contar estas tão grandiosas e peculiares histórias da vida passada do nosso Concelho…
    Uma Sugestão: Quando um dia não conseguir encontrar mais fotografias de tão valiosos tesouros… junte tudo e faça um livro, pois este será “a fotografia” da vida passada no Concelho!Obrigada por partilhar!

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