«Terras do Lince» no Marché de Nöel de Paris

Entre as iluminações de Natal, a moda e as comemorações dos 150 anos do nascimento de Jean Jurés, esse grande socialista francês assassinado no início da I grande Guerra, uma visita a Paris permite sempre algumas descobertas e outras tantas agradáveis sensações. A razão da actual visita é o Marché de Nöel, onde Penamacor participa com artesanato e produtos locais, designadamente com os da marca «Terras do Lince».

Terras do Lince em Paris

António Cabanas - «Terras do Lince»No momento em que escrevo este artigo, encontro-me nessa grande urbe da cultura e da arte, terra adoptiva do penamacorense Ribeiro Sanches e terra adoptiva, dizem, de quase 1 milhão de portugueses. Penamacor geminou-se há três anos com Clamart, cidade dos arredores de Paris, com mais de 50 mil habitantes concentrados em cerca de 9 mil hectares, o que nem é muito, comparado com outros dormitórios da capital gaulesa. Inversamente, Penamacor, com 6 mil habitantes, ocupa 55 mil hectares, o que torna esta geminação aparentemente atípica mas com muitas vantagens para a parte portuguesa: desde logo um benefício para os residentes portugueses, não só penamacorenses, mas de todas as regiões, que sentem da comunidade de acolhimento e também do poder local, um tratamento de descriminação positiva que não havia antes; depois para os empresários penamacorenses que aqui descobrem excelentes oportunidades de colocação dos seus produtos, não só em Clamart, mas em toda a metrópole parisiense; enorme vantagem ainda para o turismo de Penamacor e da região, pelos muitos clamartanos que, naturalmente, quererão descobrir a sua «ville jumelée».
A razão da actual visita é o Marché de Nöel, onde Penamacor participa com artesanato e produtos locais, designadamente com os da marca «Terras do Lince». Os marchés de Nöel são típicos em muitas cidades francesas, sendo famosos o de Strasbourg e o dos Champs Elysées. Em Clamart, foi a primeira vez, e a Câmara Municipal, entidade organizadora, convidou para participar, não só os comerciantes locais, mas também as cidades e vilas geminadas.
Realço, a propósito, a grande oportunidade que constitui para os nossos empresários o nicho de mercado da saudade, nesta grande região de Paris, com grande potencial de crescimento quer em termos qualitativos, quer quantitativos. De visita ao Cândido, para promoção da marca «Terras do Lince», foi com satisfação que demos de caras, logo na entrada do armazém, com as azeitonas e tremoços do Luís Tomé, da Bemposta (Farinha e Tomé, Lda.), mas também com os queijos e o mel da Meimoacoop. Sedeado na mítica e quase lusa Champigny, o Cândido é o maior armazenista e distribuidor de produtos portugueses em Paris. A tarefa a que nos propomos está ainda mais facilitada por o chefe de vendas ser das Quintas da Torre (perto do Pedrógão), caminho aberto para a negociação. Aqui concordamos em absoluto com as propostas de João Valente, na sua recente crónica do Capeia «agricultura sustentável», e a marca «Terras do Lince» será um bom veículo para os produtores de Penamacor e Sabugal. Da distribuidora parisiense sentimos total abertura aos produtos da referida marca, assim nós e os nossos empresários saibamos fazer o trabalho de casa: sem grandes produções, a aposta só poderá ser a qualidade e o gourmet.
Já quanto ao Turismo são as andanças de quem viaja que põem a nu as nossas carências. Localizada a meio de duas capitais europeias e de outras duas cidades mais pequenas, Porto e Salamanca e um pouco mais longe Valladolid, a nossa região nem se pode queixar dos acessos rodoviários. Por aí, até estamos bem localizados, em duas ou três horas acede-se a estes grandes centros urbanos. Já no que respeita a distâncias mais longas que exijam o avião, não podíamos estar pior: somos a região portuguesa que mais longe está de um aeroporto e será fundamental no futuro a construção de uma estrutura aeroportuária que nos possa desencravar a esse nível. Sabemos todos que hoje na Europa o avião é o transporte mais barato para passageiros que não viajem em grupo. Numa altura em que o turismo tende a aumentar à medida que baixa o custo das viagens e aumenta o conforto das mesmas, o interior bem pode aproveitar o elevado potencial turístico que constituem os seus emigrantes.
Os muitos amigos franceses e portugueses que conhecemos através desta geminação e que nos visitam, adoram a nossa região, mas apontam o incómodo da deslocação desde o aeroporto como o maior obstáculo à assiduidade das suas visitas.
O crescimento exponencial do alojamento turístico da Serra da Estrela e regiões limítrofes, na última década, ficará comprometido no futuro próximo se não se resolver esta lacuna. O novo aeroporto de Lisboa é uma boa oportunidade para o interior exigir um aeroporto regional – uma pequena migalha de Alcochete chegará – de forma a acolher pequenos aviões que façam o transbordo do Porto ou de Lisboa, ou mesmo que voem da Europa. Se soubemos usar esta estratégia para os estádios (com algumas migalhas lá se arrelvaram uma série de campos de futebol do Interior!), por maioria de razão se deverá exigir do governo essa medida de justiça e equidade geográfica. Aqui, seria bom que os líderes locais se entendessem quanto à melhor localização e se evitassem os umbiguismos do costume. Como o Sr. Primeiro-Ministro é da Covilhã que o faça na Covilhã, onde até há cursos superiores de aeronáutica e um aeródromo, e fica o problema resolvido.
A macrocefalia do litoral e a falta de estratégia nacional em matéria aeroportuária tem efeitos nefastos para o país, designadamente para Lisboa e Porto: muitos raianos voam para a Europa a partir de Valladolid dado os grandes aeroportos serem mais caros e afugentarem as empresas de low cost. Em breve se voará também a partir da Extremadura que se prepara para construir o seu aeroporto internacional, roubando mais mercado a Lisboa e Porto e, assim, quando Portugal tanto necessita do mercado espanhol, são os espanhóis que exploram o mercado nacional.
«Terras do Lince», opinião de António Cabanas

kabanasa@sapo.pt

7 Responses to «Terras do Lince» no Marché de Nöel de Paris

  1. António Moura diz:

    Fiquei algo desconfortável com as imagens do mel.
    Não sabia que a marca «Terras do Lince» já estava “cozinhada”.
    Pelos vistos enquanto uns estão à procura da sardinha, outros já aconchegaram a sua nas brasas.
    Não entendo nada disto, então esta não era uma marca para toda a área envolvente da Serra da Malcata, Sabugal, Penamacor e até o lado Espanhol. Nunca fui bairrista na hora de apoiar iniciativas (da minha área profissional) em Penamacor que digam também respeito ao Sabugal, pensava eu que o tratamento fosse igual, ingenuidade a minha.

    • António Cabanas diz:

      Estimado amigo,
      Compreendo a sua preocupação mas como verá ela não se justifica.
      Por sinal o mel que se vê na foto é “Mel da Serra da Malcata”. Mas a cooperativa Meimoacoop de que é sócio, já tem Mel Terras do Lince. Aguardamos o excelente mel de Quadrazais para rotular como mel Terras do Lince!
      Não há, nem podia haver, nenhum cozinhado! Está tudo a ser feito às claras. Há marca para todos, sem exclusividade, sendo a única exigência a qualidade, e nesse capítulo, o António Moura não precisa de lições.
      Era preciso trilhar o caminho e alguém tinha de andar à frente. Naturalmente, efectuadas as alterações no executivo sabugalense, a Câmara estará agora em condições para enquadrar os produtores do Sabugal.
      Estou disponível para esclarecer todo o processo desde a concepção da ideia ao registo da marca, passando pelo desenho do logótipo, até ao momento actual em que, as duas câmaras estão de mãos dadas para avançar com os cadernos de especificações, manual da marca e de aderentes, estratégia de promoção, etc.
      Se quiser mais esclarecimentos pode usar o meu endereço de email: kabanasa@sapo.pt
      Um grande abraço.
      P.S. Aproveito para agradecer aos leitores e de forma especial ao amigo Moura, os comentários feitos aos meus artigos.

      • António Moura diz:

        Amigo Cabanas
        Como deve calcular, os assuntos apícolas facilmente me levantam a fervura.
        Já vi tanta coisa desde que ando nisto, tantos atropelos de ordens várias, tantas dificuldades, desde o tempo em que fui obrigado a retirar os meus apiários do Rosmaninhal devido aos amigos Espanhóis, que se torna difícil conter um comentário a quente. Mas naturalmente como humano que sou, também sei reconhecer o erro quando dele sou portador, e neste caso, pela falta de elementos reconheço ter-me precipitado. Naturalmente, também sabe não haver aqui nada que belisque a estima que tenho por si, pelo seu humanismo simplicidade e empenho esclarecido, espero continuar por muito tempo a ler esses excelentes artigos.
        Um forte abraço

  2. Manuel Russo diz:

    Excelente artigo,nao à muito a dizer, talvez na fotografia dos produtos.
    La stàtue du CRISTO REI ao cote de la TOUR EIFFEL ca serait parfait
    MERCI

  3. Ramiro Matos diz:

    Segunda-feira, dia 7 de Dezembro, desloco-me à Praça do Sabugal onde compro dois queijos no lugar onde costumo comprar os queijos (primeiro vendedor ao cimo das escadas).

    São queijos de ovelha da Cooperativa da Meimoa, como sempre, comprovo quando os começo a comer, muito bons.

    Os queijos trazem um autocolante com as informações habituais, incluindo quem o fez – a Cooperativa -, mas também com a identificação “Terras do Lince”.

    E penso e lamento que o nosso queijo “dos cestos” ainda não…

    Ramiro Matos

  4. joao valente diz:

    Pois… No Sabugal andámos a dormir sobre as brasas, enquanto em Penamacor aconchegaram as brasas à sardinha. É a atitude que faz a diferença! Muito esclarecedor o artigo de António Cabanas, do que se deve e pode fazer.

  5. jose godinho diz:

    O caminho é por aqui, inovação, procura de soluções, transparencia mas toda a gente tem que dar o seu contributo de coração aberto, a região tem poucos habitantes, toda a gente se conhece e é perca de tempo e de energia desconfiar-se de tudo e de todos, viremo-nos para o caminho que é o presente e o futuro e cada qual contribua com a sua parte, dê o melhor que tem de SI a esta causa que é o DESENVOLVIMENTO SUSTENTADO desta região, Penamacor e Sabugal.Quando uma EVOLUÇÂO está bem alicerçada, ela demorou tempo acontecer e quanto mais empenho de TODOS houver mais rapida será essa EVOLUÇÂO.
    O DESENVOLVIMENTO SUSTENTADO terá que conciliar a economia produtiva tradicional com a nova economia residencial, terá que caminhar para produtos de valor acrescentado e terá que ser um espaço rural atractivo para investir, visitar e residir e com o contributo de TODOS, Penamacor e Sabugal poderão estar no mapa das regiões rurais atractivas dentro de 5 a 10 anos. Parabens a Todos

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