Cinema D. Dinis no Sabugal

Esta crónica, acompanhada de fotografia, refere-se ao (antigo) Cinema D. Dinis, que durante anos existiu na (então) vila do Sabugal.

Cinema D. Dinis - Sabugal

Joao Aristides DuarteO edifício foi concluído em 1945. Na sua construção participou o meu avô (José Francisco Duarte, já falecido) e o meu pai (Eugénio dos Santos Duarte, ainda vivo).
Ambos eram carpinteiros. Construíram o telhado, em madeira, colocaram as janelas e portas e forraram o tecto do Cinema.
O Cinema D. Dinis foi a única sala de espectáculos do Sabugal, durante muitas décadas.
Como se pode ver na fotografia, nesta época, não existia nenhum edifício contíguo ao Cinema D. Dinis.
Era no Cinema D. Dinis que se realizavam os mais variados espectáculos, da mais diversa índole (cinema, teatro, música, etc.).
Durante anos, no Cinema D. Dinis, efectuavam-se sessões de cinema, normalmente de reprise, já que na época, o hábito era que os filmes só chegassem à «província» passados uns anos, após a estreia em Lisboa. Na parte final da sua existência, as sessões de cinema já não eram da responsabilidade dos proprietários da sala, sendo apresentadas por um senhor que se dedicava ao cinema ambulante, e que vinha ao concelho.
Variadas récitas teatrais levadas a cabo no Sabugal, incluindo aquelas realizadas por estudantes do Externato Secundário do Sabugal, tiveram, também, lugar no Cinema D. Dinis.
Era, também, nesta sala de espectáculos que se realizavam os famosos Bailes de Finalistas, desde o final da década de 1960, até ao final da década de 1970.
Foi no Cinema D. Dinis que assisti a alguns dos concertos mais míticos de toda a minha vida. Desde os Faíscas (a primeira banda punk portuguesa), até aos Hosanna, passando pelos Ananga-Ranga, todas estas bandas passaram pelo Cinema D. Dinis.
Quando fui estudar para o Sabugal, em 1977, o Cinema estava já em condições precárias. Dizia-se que poderia ruir a qualquer altura, uma vez que não tinham sido feitas obras de recuperação, ao longo de muitos anos. No entanto, o edifício manteve-se até meados da década de 1980.
Foi no Cinema que assisti a muitos ensaios do conjunto sabugalense Stradivarius, no final dos anos 70, do século XX, que ensaiava no palco.
O último proprietário do Cinema D. Dinis foi o sr. Pires (que era proprietário, também, de uma padaria, no Sabugal).
O seu filho, Quim Tó (que era da minha turma), com a ajuda de alguns amigos, fez duma cave do Cinema, a primeira discoteca (dancing) da vila do Sabugal. O seu nome era Bataclã e a entrada era pela avenida que parte do (antigo) Grémio, em direcção ao tribunal.Com uma decoração toda psicadélica e umas luzes de espelhos, ficou pronta a funcionar. Não estava aberta ao público, mas apenas a convidados e amigos.
A partir de meados da década de 1980, o Cinema foi demolido e surgiu, no seu lugar, o Paliz Hotel, mais tarde transformado naquilo que é, hoje, o Raia Hotel.
O Largo onde se encontra o Raia Hotel ainda hoje é conhecido pelo nome de Largo do Cinema.
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

akapunkrural@gmail.com

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