O acontecido no Hospital de Sta Maria em Lisboa com seis cidadãos que, por razões que ainda desconheço, correm o risco de cegar, e os depoimentos que vejo e ouço, leva-me a escrever esta crónica.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Sou miope desde praticamente a infância e há dois anos o meu oftalmologista propôs-me ser operado. Confiando no médico, lá fui uma sexta-feira à tarde a uma Unidade de Saúde particular ser operado a um dos olhos, tendo regressado a casa no mesmo dia.
No dia seguinte, sábado, fui observado pelo médico, estando tudo bem e vendo eu da vista operada sem óculos, pela primeira vez desde há várias décadas.
Domingo de manhã acordo cego da vista. Contactei o médico que, de imediato, me levou para o Hospital onde estive internado e em tratamentos cerca de duas semanas, após o que fui de novo operado, tendo felizmente recuperado 70% da visão.
E conto isto, porque durante aquele grave momento e mesmo agora, nunca me passou pela cabeça nenhuma destas hipóteses: Contactar os órgãos de informação; pedir uma indemnização à Clínica; pedir uma indemnização ao médico; ou, ainda, mudar de médico.
Será que estou errado?
É que o sucedido em Santa Maria coloca-me questões importantes e que passo a enumerar.
Quem e com que intenção passou a notícia para os órgãos de informação? (e sabendo hoje como isto resultou numa guerra comercial entre fabricantes de medicamentos…)
Qual a relação que os doentes afectados tinham com os médicos que os operaram? E que reacção tiveram estes médicos quando isto aconteceu? (a minha relação com o meu oftalmologista não foi afectada pelo que me aconteceu, saiu aliás mais reforçada, porque ele não me abandonou e desde o primeiro momento, mesmo sendo domingo, ficou do meu lado, garantindo-me todo o apoio técnico e, sobretudo, moral.)
Quem empurra as pessoas afectadas e os seus familiares a falarem desde já em indemnizações? (é que há organizações em Portugal como em todo o mundo que recebem à percentagem do total da indemnização conseguida).
Porque vivi na carne o drama que estas pessoas estão a passar, desejo-lhes que tenham a sorte que eu tive e que recuperem, pelo menos, os 70% que eu recuperei.
Aos médicos que estiveram e estão envolvidos neste problema só lhes peço que sejam bons tecnicamente, mas que, sobretudo, se envolvam emocionalmente com aquelas pessoas, e que saibam tirar as devidas ilações do que aconteceu.
E deixemos as questões das indemnizações e das responsabilizações para depois. É que já ouvi um depoimento que mais parecia querer dizer, «cego mas rico…».
Ou será que estou errado?

ps1: Morreu um amigo e uma pessoa bem conhecida de todos os sabugalenses – o Toninho Carteiro. Conhecia-o desde criança e sempre tive por ele uma grande consideração. A forma como ele e a sua mulher, a Dona Edite, souberam, apesar da doença grave que o Toninho, apoiar a minha mãe nas suas deslocações a Coimbra, são a prova de estarmos perante pessoas boas. Por isso o seu desaparecimento é uma má notícia… À Dona Edite e à restante família, permitindo-me destacar a Adozinda minha vizinha na Póvoa de Sta Iria as minhas sentidas condolências.
ps2: Não foi notícia em lado nenhum, mas no início deste mês um membro do Corpo de Bombeiros do Sabugal foi atingido por um fogo que combatia tendo ficado com queimaduras de 2.º grau num dos braços. Ao Jorge reitero publicamente os desejos de rápidas melhoras.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

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