Vamos votar!

António Emídio - Passeio pelo Côa - © Capeia Arraiana

Leitor(a) talvez o maior castigo para aqueles que não se interessam pela política, é serem governados por aqueles que se interessam. Digo isto, porque domingo prevê-se uma forte abstenção nas eleições para o Parlamento Europeu. A abstenção está relacionada com a apatia cívica, ou seja, «isso não me diz nada». O voto em branco, por sua vez está relacionado com o protesto. Portanto leitor(a), se não quiser votar em ninguém, proteste, mas não fique em casa.

Eleições

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Umas notas soltas sobre o que é o Parlamento Europeu, e a política da União Europeia.
O que vamos eleger Domingo é um parlamento que não dirige a Europa, as suas resoluções são só consultivas, são adaptações de directivas da Comissão Europeia, e esta não é mais nem menos que uma burocracia anti-democrática comprometida com o neoliberalismo e que tem à cabeça o ultraliberal e conservado Durão Barroso, um homem cujo discurso carece de credibilidade e cujas políticas que desenvolveu e promoveu durante o seu mandato foram de cunho neoliberal.
Um exemplo do pouco poder do Parlamento Europeu: este negou-se a estreitar as relações com Israel, devido à sua política contra o Povo Palestino. A União Europeia ignorou o Parlamento, e uns dias antes do massacre de Gaza decide o contrário. Para que serviu o nosso voto nas últimas eleições europeias? Será que o lobby judaico teve mais força que o Parlamento eleito pelos Povos Europeus?
Económica e socialmente o que é a União Europeia? São 27 estados, com 27 níveis salariais diferentes e com políticas fiscais também diferentes. É um espaço económico que faz competir trabalhadores europeus contra trabalhadores europeus, a ver os que trabalham mais barato. Os estados competem entre eles para ver qual baixa mais os impostos às empresas, para estas se instalarem no seu território. Isto origina a redução dos recursos do estado para o gasto público e social (saúde, ensino, pensões e reformas) e a deterioração das condições de trabalho. Por isso só ouvimos falar em empresa, concorrência e consumo.
Eleições Europeias 2009Muito havia para dizer, mas por questões de espaço vou só referir-me à agricultura. A PAC ( Política Agrícola Comum ) vai ser reformada em 2013, e a porta voz da Comissária da Agricultura disse o seguinte numa entrevista: «…com a publicação destas LISTAS esperamos chegar a estabelecer um sistema mais equilibrado, uma política que permita aos PEQUENOS AGRICULTORES VIVER». O que é essa lista da qual a senhora fala? É a lista dos beneficiários da PAC em toda a Europa, já lhe chamam a lista dos milionários da PAC.
Vejamos um pouco:
Na França nenhum agricultor está entre os 24 beneficiários das maiores ajudas, as superiores a 5 milhões de euros. Mas está o grupo Doux, uma empresa que vende carne de frango para mais de cem países, recebeu 62 milhões de euros de ajudas. O grupo Louis Viton, que fabrica artigos de luxo, recebeu para o fabrico do seu conhaque uma quantia fabulosa. Na Espanha as maiores ajudas foram para os grandes agrários da Andaluzia, só a duquesa de Alba, uma das muitas pertencentes ao «beautifull People» espanhol recebeu de ajudas para uma herdade que possui, perto de 2 milhões de euros.
Na Inglaterra, a rainha, uma das mulheres mais ricas do Mundo, juntamente com a sua família de príncipes e duques, receberam milhões de euros de ajudas para as suas grandes herdades. Na Alemanha, quem mais recebeu foram clubes privados de esqui e equitação, e também o magnate da indústria automóvel Wolgang Porshe. Na Dinamarca, o príncipe Joaquim recebeu aproximadamente 300 mil euros também para as suas grandes herdades.
Meia dúzia de milionários europeus, e não só, consta que multinacionais de outros países também receberam dinheiro, usufruíram de ajudas, mais que os pequenos e médios agricultores de toda a União Europeia.
Atrevo-me a dizer, com razão ou sem ela, que esta será uma das principais razões, senão e a primeira, da desertificação do nosso Concelho. Temos que recordar que Portugal faz parte da União Europeia, e o Concelho do Sabugal faz parte de Portugal, ou não será?
Leitor(a), vote ou proteste, mas Domingo não fique em casa.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

4 Responses to Vamos votar!

  1. Ramiro Matos diz:

    Amigo António

    Com razão ou sem ela, dou-te mais umas pistas sobre os culpados da desertificação do Concelho.

    1. O rei d. Diniz porque aceitou ficar com estas terras e por ter casado com a Dona Isabel.
    2. Os franceses por terem passado por cá durante as Invasões.
    3. O Pedro Álvares Cabral por ter nascido em Bolmonte.
    4. A Maddy por ter vindo com os pais para o Algarve em vez de ter escolhido Sortelha.
    5. As trutas do Côa.

    Mas sobretudo, nunca por nunca, os responsáveis políticos da Câmara Municipal…

    Eu vou votar no domingo porque acredito no egime democrático parlamentar e porque acredito que o futuro de Portugal passa pela Europa.

    E isso me chega.

    Ramiro

  2. joao valente diz:

    A Europa é lá tão longe…

  3. João Duarte diz:

    Vamos votar, sim senhor.
    Se tudo correr bem, nem que chovam picaretas. Estarei lá a votar para derrotar estes falsos socialistas e defensores do Governo, como este que num blog chamado Anti-Tretas, respondeu assim a um comentário de um professor que disse que foi à manifestação de sábado passado:
    “Então eras o asno que mais se sobressaía na manif! Também tinha reparado! O outro que eu pensava que estava a ver-te passar, era o teu reflexo num vidro!”
    Vamos votar, sim senhor, em memória de Salgueiro Maio, Zeca Afonso, Humberto Delgado e tantos outros que se sacrificaram para que o possamos fazer. No tempo da Diatadura ( e há quem se esqueça… e lhe chame , agora, autoritarismo) não se podia votar. Agora pode-se e não deixo de o fazer. Custa-me tanto votar como beber um copo de água. Não custa nada e pode dar um grande jeito. Como político que sou (e faço gala de o ser) não deixarei de votar.
    Tirar a maioria ao PS é um imperativo nacional ( e começa nas Europeias), porque este Governo com tiques autoritários, não sendo uma Ditadura (longe disso) não presta.

    • joao valente diz:

      Eu fui a essa manifestação, não sendo professor. Vi por lá alguns políticos de todos os partidos, menos do PS. Má consciência do que fizeram? Está na hora de pormos a andar todos os que por lá passaram nestes 35 anos enos levaram a isto a que chegámos!

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