As Termas do Cró, um dos pilares do desenvolvimento sustentável do concelho do Sabugal, podem desempenhar um papel fundamental na afirmação na nossa região enquanto destino turístico de excelência da Beira Interior Norte.

Ramiro Matos - «Sabugal Melhor»O termalismo em Portugal, nasceu por razões terapêuticas e foi essa aplicação que lhe conferiu credibilidade e capacidade para se manter.
No entanto, hoje as estâncias termais podem ser consideradas como pólos turísticos de várias valências, conjugando a actividade terapêutica e o bem-estar com o turismo, para além da componente social integrada com as políticas de saúde.
Embora a vertente terapêutica mantenha o seu papel dominante na utilização de estâncias termais, vem-se tornando crescente a procura de programas de Bem-estar, atraindo novos utentes, pela oferta de novos produtos e serviços, com um perfil e motivações de procura diferentes do aquista tradicional o que conduz a uma crescente procura das Termas enquanto destino de fim de semana e/ou férias.
Tal tem conduzido à realização de avultados investimentos na construção/modernização de infra-estruturas e equipamentos de saúde, de lazer e de animação, apostando na qualificação dos recursos humanos e promoção das estâncias termais.
O aparecimento do Bem-estar e as tendências do Turismo deram lugar a novos conceitos de Termalismo, o que conduziu à diversificação da oferta bem como ao reposicionamento no mercado das Estâncias Termais.
Termas do CróO turismo de saúde engloba dois tipos de procura:
1) as pessoas que o procuram por razões essencialmente de carácter médico tendo em vista «a cura»; e,
2) as pessoas que o procuram por razões de promoção de bem-estar ou prevenção/recuperação de forma física.
A competitividade das Estâncias Termais no mercado do turismo de Saúde e Bem-estar deve assentar numa mistura de saúde, beleza e bem-estar, associado ao desenvolvimento de um turismo multisegmentos (reuniões, workshops, caça, pesca, turismo de natureza, etc.), não abandonando, naturalmente o termalismo clássico. Contudo, qualquer que seja a opção estratégica relativamente à gama de serviços a oferecer, torna-se necessário proceder a investimentos na modernização de equipamentos termais, na requalificação da envolvente das estâncias termais bem como na construção/ampliação/modernização de instalações hoteleiras.
Outro factor essencial consiste na devida promoção, comunicação e imagem do produto de modo a atrair novos frequentadores às termas.
A última questão, embora assumindo uma importância decisiva, prende-se com o modelo de gestão: gestão autárquica directa? Empresa pública municipal? Empresa mista pública-privada? ou concessão a privados?
Como se pode depreender do acima escrito, a questão das Termas do Cró não é tão simples assim. Na próxima semana apresentarei as minhas ideias sobre como penso deveria ser tratada esta questão.
«Sabugal Melhor» opinião de Ramiro Matos

ramiro.matos@netcabo.pt